Artigo pusilanime em nome de uma causa.
João Luiz Mauad
Este artigo de Pablo Ortelado, no Globo, é um apanhado de pusilanimidades, aberrações, sofismas e falácias, tudo em nome de uma causa.
Existe hoje
um movimento, dentro da intelligentsia canhota, para tentar salvar algo que
lhes foi mais sagrado no passado recente: a condenação de milhares de inocentes
por uma tentativa de golpe de estado que nunca existiu.
Depois do
escândalo do Master e do envolvimento indelével de Moraes, aquelas condenações
passaram a ser cada vez mais questionadas pela opinião pública e já há sérias
dúvidas sobre as suas eventuais revisões. Uma das estratégias dessa turma de
Robespierres é tentar entregar a cabeça de Toffoli para salvar Moraes, o grande
artífice daquelas condenações estapafúrdias e novo ídolo da esquerda, embora
seu inimigo figadal até alguns anos atrás.
Mas vamos ao
esdrúxulo do artigo, com meus comentários.
"Reportagem
de Malu Gaspar, no GLOBO, mostrou que Lula articula a aposentadoria de Dias
Toffoli que espera saciar o apetite público por justiça. O impacto da crise
ficaria circunscrito, preservando o ministro Alexandre de Moraes, que
investigou e julgou as mobilizações antidemocráticas."
O artigo começa
admitindo que existe o tal movimento que mencionei acima, para entregar Toffoli
como boi de piranha para salvar Moraes.
"Somam-se
a isso todas as movimentações de autoproteção em curso. No Congresso, o
envolvimento das principais lideranças do Centrão com Vorcaro torna improvável
uma CPI do Banco Master. No Supremo, o espírito de proteção institucional tem
levado o ministro Gilmar Mendes a bloquear todas as tentativas de acesso a
dados pela CPI do Crime Organizado."
"Porém
o tamanho das revelações já não permite controlar inteiramente a crise — apenas
postergar seu desfecho. Toffoli não conseguiu segurar as investigações como
relator, e não há razão para crer que Lula controlaria a atuação da Polícia
Federal. As ações de contenção disponíveis aprofundariam a crise, não a
resolveriam."
Nestes dois
parágrafos, o autor assume o óbvio. Há movimentos dentro do sistema para
blindar os figurões, mas os fatos se avolumaram de tal maneira, que já é
impossível controlar o desfecho - principalmente nas mãos de um juiz disposto a
não varrer os fatos para debaixo do tapete.
"Se
Toffoli e Moraes estiverem mesmo implicados, seremos obrigados a assistir aos
bolsonaristas empurrarem a revisão das condenações dos acusados de golpe de
Estado, senão juridicamente, pelo menos junto à opinião pública."
Aqui, ele
começa a dizer a que veio e qual é a sua real preocupação em relação ao
escândalo do Master: preservar as condenações de milhares de inocentes.
"Nesse
momento, teremos de revisar cada ato controverso da saga. Teremos de explicar
por que o inquérito das fake news foi aberto de ofício, teremos de explicar por
que, depois das prisões do 8 de Janeiro, seguimos bloqueando contas nas mídias
sociais, teremos de justificar as penas severas aos “bagrinhos” presos no 8 de
Janeiro. E teremos de fazer isso sem comprometer as condenações de Bolsonaro e
dos generais — separando o que o Supremo misturou."
Este trecho
é um primor. Ele usa o verbo no plural o tempo todo: "teremos". Não
diz exatamente quem 'teremos', mas suponho que seja o grupo que ele representa.
O daqueles dispostos a justificar as condenações do 8/1, custe o que custar,
mesmo diante de tantas evidências de abusos e absurdos. Não importa: os fins
justificam os meios.
"Lá
atrás, quando a sociedade brasileira aceitou dar poderes extraordinários para o
Supremo proteger a democracia, a contrapartida era que sua atuação técnica
deveria ser impecável e que a Corte demonstraria sobriedade institucional e
autocontenção."
Aqui, ele
lança mão da falácia da generalização. Afirma que "a sociedade brasileira
aceitou dar poderes extraordinários para o supremo", quando, na verdade,
foi o supremo quem se auto concedeu este poder. Eu não me lembro de ter votado
para essa concessão, e me opus o tempo todo àquele poder de exceção e a todas
as suas excepcionalidades.
"O
Supremo condenou os acusados, mas recorreu muitas vezes a procedimentos
heterodoxos, vários deles abusivos, conferindo um ar de parcialidade a sua
atuação. Estamos perto do momento em que os erros do passado serão
cobrados."
Neste trecho
ele admite que houve "procedimentos heterodoxos, vários deles
abusivos". São claros eufemismos
para ilegalidades, inquéritos e julgamentos à margem do devido processo legal,
flagrantemente inconstitucionais e antidemocráticos.
"A
missão democrática hoje não é defender o Supremo, fazendo vista grossa ao
envolvimento de Toffoli e Moraes com Vorcaro. A missão democrática hoje é
sustentar que, apesar dos muitos erros da Corte, a condenação dos golpistas foi
justa e precisa ser mantida."
O fecho de
ouro, a cereja do bolo, veio neste último parágrafo. O que ele chama de
"missão democrática" (dele e de seus cupinchas empoleirados nas
organizações culturais e de mídia) é tentar demonstrar e sustentar que, apesar
de todos os abusos, absurdos, arbitrariedades, ilegalidades e
inconstitucionalidades, as condenações dos "golpistas" precisam ser
mantidas, porque, afinal, embora provenientes de processos viciados e eivados
de nulidades flagrantes, o valente e sua turma as consideram justas.
João Luiz Mauad











