O "governo dos juízes" e a erosão das instituições.
Antes
das eleições, o ministro Edson Fachin participou da abertura de um seminário na
Universidade de Bolonha. Em seu discurso, afirmou que os tribunais traem sua
missão ao substituir o debate político pela vontade dos magistrados. No
entanto, no domingo eleitoral, o ministro Cristiano Zanin traiu essa mesma
missão ao interferir diretamente no processo, prorrogando a votação por mais
duas horas — uma atribuição exclusiva do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Ultimamente, o Supremo tem assumido o papel de legislador e gestor público, intervindo
em pautas políticas que cabem estritamente ao Congresso Nacional.
Em
seguida, Fachin alertou sobre a erosão das instituições por "meios
aparentemente legais", esquecendo-se do Inquérito das Fake News — no qual
a própria Corte atua simultaneamente como vítima, investigadora, acusadora e
julgadora. Afirmou, também, que a autoridade decorre da estrita fidelidade à
Constituição e da fundamentação técnica. Contudo, como se observa, o STF
continua a tomar decisões monocráticas de amplo alcance, por exemplo, sobre o
processo eleitoral. Além do que censura perfis e veículos de comunicação, além
de contornar garantias fundamentais e a imunidade parlamentar.
Apesar
de reconhecer o risco do chamado "governo dos juízes", o próprio
Fachin é parte ativa e responsável pela hipertrofia do Poder Judiciário.
Frequentemente, vota alinhado a decisões extremas tomadas por seus pares —
notadamente o ministro Alexandre de Moraes. Adianta pouco o discurso para o público
externo se, ao não exercer um contraponto firme contra os excessos do STF, o
ministro confere legitimidade institucional às condutas que critica.
Diante
de seus pares, a autocrítica nunca se transforma em freio institucional. Na
prática, o Supremo continua a ultrapassar as prerrogativas dos poderes eleitos
com o aval ou o silêncio de seus membros, que parecem concordar com atitudes
expansionistas como a de Cristiano Zanin. Neste cenário, o alerta de Fachin
permanecerá apenas como uma peça oratória, desconectada da realidade jurídica
do país.













