Vicente Lino
Política e Economia
sábado, 11 de abril de 2026
sexta-feira, 10 de abril de 2026
O Presidente do Senado ignora o sofrimento alheio.
Vicente Lino
Dia desses, pelas redes sociais, o deputado Nikolas Ferreira cobrou do presidente do Senado, Davi Alcolumbre a convocação do Congresso para analisar o veto de Lula ao projeto de lei da dosimetria. Os parlamentares já poderiam ter derrubado o veto e beneficiado centenas de brasileiros condenados a penas absurdas por crime de um golpe de estado que nunca houve, como provou o ministro Luiz Fux.
Lula vetou o projeto em janeiro e até agora, por má vontade e covardia, Davi Alcolumbre não se deu conta de que famílias estão sendo destruídas por penas absurdas e desproporcionais. A manutenção da prisão de centenas de brasileiros tornou-se um dos capítulos mais tristes da história jurídica recente do país, o que alguns juristas apontam como uma suspensão de garantias fundamentais.
O processo foi marcado por julgamentos em bloco, sem juiz de custódia imediato e processados em foro inadequado. São cidadãos brasileiros que enfrentam um vácuo de direitos que desafia a lógica democrática. A dosimetria das penas aprovada pelo Congresso trazia proporcionalidade e justiça a sentenças que, em muitos casos, superam as dadas a crimes hediondos ou homicídios. Lula vetou o projeto sinalizando um abjeto desinteresse pela pacificação social e preferindo a manutenção do rigor máximo como ferramenta política.
Davi Alcolumbre se recusa a colocar a derrubada do veto em votação exercendo um poder desproporcional e inaceitável. É lamentável que o destino de centenas de famílias dependa da vontade unilateral de um único político, ignorando a urgência de quem padece no sistema prisional.
A história cobrará daqueles que, detendo o
poder de aliviar o sofrimento alheio e restaurar a legalidade, preferiram o
silêncio covarde e o cálculo político em detrimento dos direitos humanos.
Vicente Lino.
quinta-feira, 9 de abril de 2026
Edson Fachin fala em limitações pontuais à liberdade de expressão.
É assustador, mas o ministro Edson Fachin acaba de afirmar que a liberdade de expressão no Brasil é "robusta" e que, por aqui, haveria apenas “limitações pontuais”, destinadas a combater “milícias digitais” e “ataques à democracia”. É uma declaração que soa como um exercício de ficção jurídica. O ministro parece ignorar que, na prática, as ações do STF já formaram um cerco completo sobre nossas liberdades — uma verdadeira metástase da censura.
Ele sabe que perfis de parlamentares e jornalistas foram derrubados, além da imposição de desmonetização e exílio digital. Canais de comunicação inteiros foram sufocados financeiramente, sem o devido processo legal, por conta de interpretações subjetivas como "desinformação”. Edson Fachin finge não saber que, no Direito tradicional, o crime deve estar tipificado em lei aprovada pelo Legislativo, e que “milícias digitais" e "ataques à democracia" não são tipos penais definidos no Código Penal.
A situação piora porque é o próprio Judiciário que define o que esses termos significam. Se você critica a lisura de um processo ou a conduta de um magistrado, o sistema tem o poder discricionário de carimbar sua opinião como "antidemocrática" — e há pessoas presas por isso. Convenientemente, Fachin esquece as prisões ilegais para operar uma manobra de ocultamento, ignorando o Inquérito das Fake News, no qual o STF é, simultaneamente, vítima, investigador e juiz. Assim, tenta se eximir da responsabilidade pelo atual clima de insegurança jurídica no país.
Conclusão: Fachin esconde a realidade brasileira para redigir uma "versão oficial" para exportação. Ao afirmar que a proteção à liberdade é robusta enquanto as redes sociais são limpas por ordens judiciais sigilosas, o ministro tenta convencer o público de que as correntes são adornos de segurança.
É a democracia sendo "salva" através da suspensão dos seus próprios pilares.
Vicente Lino.
quarta-feira, 8 de abril de 2026
Banco Master declarou pagamentos milionários a escritórios
de políticos e ex-ministros, diz jornal -
Hermano Freitas
Dados da Receita Federal indicam que o Banco Master declarou
pagamentos milionários a escritórios de advocacia e empresas ligadas a figuras
políticas. A informação foi revelada nesta quarta-feira (8) pelo jornal Folha
de S.Paulo, com base em documentos enviados pelo Fisco à CPI do Crime
Organizado.
A lista abrange diversos espectros políticos, incluindo
nomes como Michel Temer (MDB), Antonio Rueda (União), ACM Neto (União) e os
ex-ministros Guido Mantega (PT), Fabio Wajngarten (sem partido), Henrique
Meirelles e o ex-ministro do STF, Ricardo Lewandowski.
Segundo o jornal, o banco controlado por Daniel Vorcaro
declarou o pagamento de R$ 10 milhões ao escritório de Michel Temer em 2025. O
ex-presidente, contudo, afirmou à Folha ter recebido R$ 7,5 milhões (em duas
parcelas de R$ 5 milhões e R$ 2,5 milhões) por serviços de mediação.
Já Henrique Meirelles teria recebido R$ 18,5 milhões entre
2024 e 2025. O ex-ministro confirmou a prestação de consultoria macroeconômica,
mas ressaltou que rescindiu o contrato em julho de 2025 por baixa demanda.
Outros repasses citados incluíram ainda:
Guido Mantega (Pollaris Consultoria): R$ 14 milhões. Ele não
foi encontrado para comentar.
Antônio Rueda (União Brasil): R$ 6,4 milhões via dois
escritórios. Rueda questionou a legalidade do vazamento dos dados e defendeu o
caráter técnico dos serviços.
ACM Neto (A&M Consultoria): R$ 5,45 milhões entre 2023 e
2025. A empresa confirmou o serviço, mas não validou os valores.
Jaques Wagner
Documentos indicam que o senador Jaques Wagner (PT-BA) teria
recebido R$ 289 mil como pessoa física. À Folha de S. Paulo o parlamentar negou
pagamentos diretos do banco, sustentando que o valor refere-se a rendimentos de
aplicações financeiras. Adicionalmente, o Master teria pago R$ 12 milhões à BN
Financeira, de Bonnie Bonilha, nora do senador. A empresa afirmou que os serviços
— que incluem prospecção e convênios de crédito — foram "regulares,
contabilizados e declarados".
Núcleo do governo anterior
O ex-ministro da Comunicação de Jair Bolsonaro Fabio
Wajngarten teria recebido R$ 3,8 milhões, segundo documentos. Ele afirmou ter
sido contratado para a equipe de defesa de Vorcaro em 2025 e destacou que o
contrato possui cláusulas de confidencialidade.
Repasses a empresas de Ratinho no Paraná
Duas empresas do Grupo Massa, do apresentador Ratinho, pai
do governador do Paraná, Ratinho Junior, também teria recebido repasses. Ao
todo, as empresas Massa Intermediação e Gralha Azul Empreendimentos e
Participações somariam pelo menos R$ 24 milhões em transações entre 2022 e
2025.
De acordo com nota enviada pelo Grupo Massa à Tribuna do
Paraná, "o governador Ratinho Jr não faz parte do quadro societário das
empresas Massa Intermediação e Gralha Azul." A Massa Intermediação e
Assessoria Empresarial presta consultoria em gestão empresarial. A Gralha Azul
é de intermediação e agenciamento de serviços e negócios em geral.
Também procurada pela Tribuna do Paraná, a defesa de Daniel
Vorcaro disse que não vai se manifestar sobre o tema. Ele foi preso pela
segunda vez na Compliance Zero, e foi transferido para a Superintendência da PF
em Brasília, onde tem recebido, com frequência quase diária, a visita de
advogados para desenhar as linhas da delação premiada que deve fazer.
Hermano Freitas
Gente rasteira celebra o roubo aos aposentados
Vicente Lino.
A CPMI que deveria punir os saqueadores de aposentados terminou em um espetáculo de escárnio. Os deputados Alencar Santana, Átila Lira, Augusta Brito e Dorinaldo Malafaia nos forçam a encarar a patologia de um sistema que perdeu seus últimos sinais vitais.
Ao rejeitarem um relatório que buscava justiça para quem teve a dignidade tripudiada, assinaram um atestado de óbito moral diante de toda a nação. Parlamentares como Eliziane Gama, Humberto Costa, Jaques Wagner e Jussara Lima parecem cegos ao sofrimento dos brasileiros que trabalharam a vida inteira para serem lesados no final.
Em vez de honrarem o mandato, celebraram a impunidade com o entusiasmo vil de quem ganha um troféu esportivo. Na mesma linha de desonra, Lindbergh Farias, Meire Serafim, Neto Carletto e Orlando Silva soltaram foguetes, festejando abertamente a blindagem do erro e a proteção de criminosos.
A postura de Rogério Correia, Teresa Leitão e Soraya Thronicke apenas confirma que nossas instituições respiram por aparelhos — e são justamente eles, os carrascos, que operam as máquinas com o interesse sádico na paralisia do paciente. Já nomes como Paulo Pimenta, Randolfe Rodrigues, Ricardo Ayres e Rogério Carvalho provam que a necrose do sistema é absoluta: gente rasteira ocupou os microfones para transformar o Senado em um balcão de negócios e um bunker de autoproteção.
Estes 19 votos contrários à CPMI são a prova definitiva de que a política brasileira tornou-se um covil de privilégios absurdos, onde o embate por princípios deu lugar a aberrações muito bem remuneradas. Figuras assim não merecem o cargo que ocupam; precisam ser varridas do Congresso pelo expurgo do voto popular.
Resistiremos na palavra e na lucidez, pois silenciar diante desse escárnio seria desferir o golpe de misericórdia em um país que, apesar deles, ainda teima em sobreviver.
terça-feira, 7 de abril de 2026
Sentenças de prisão em plena Sexta-Feira da Paixão.
Em plena Sexta-Feira da Paixão, Alexandre de Moraes votou para condenar seis manifestantes do 8 de janeiro a 14 anos de prisão. Enquanto o ministro mantém o rigor no julgamento daqueles que, em sua visão, cometeram atos antidemocráticos, não dá um pio diante das graves denúncias que surgiram nos últimos meses. O silêncio do ministro e de seus colegas na Corte é o que mais alimenta o sentimento de indignação da sociedade. E não é pouca coisa: no caso do Twitter Files Brazil, as revelações indicam que a remoção de contas e a moderação de conteúdo ultrapassaram a barreira da legalidade, entrando no campo da censura prévia. Além disso, as denúncias envolvendo seu ex-chefe de assessoria, Eduardo Tagliaferro, levantaram dúvidas sobre a legitimidade dos relatórios que embasam inquéritos no STF, e o contrato de R$ 129 milhões — que envolveria familiares — ainda não foi devidamente explicado.
Nem mesmo a citação de seu nome para possíveis sanções da Lei Magnitsky fez o ministro repensar suas ações. Apesar de deter o recorde histórico de mais de 60 pedidos de impeachment no Senado, Moraes mantém a prisão prolongada de Filipe Martins, mesmo diante de pareceres da PGR pela soltura, e sustenta o que críticos chamam de um esforço coordenado de perseguição implacável a Jair Bolsonaro.
Moraes avança porque conta com um pacto de silêncio que impede a autocorreção da Corte e com a recusa do Senado em pautar os processos contra ele. Essa falta de respostas sinaliza uma crise profunda na democracia brasileira, onde o guardião da Constituição é acusado de ser, justamente, quem mais a desafia.
Vicente Lino.
sexta-feira, 3 de abril de 2026
Flávio Bolsonaro no CPAC e o relatório americano sobre o regime luloalexandrino.
Flávio Gordon
O Brasil voltou a entrar no radar de Washington – e não pelas razões habituais de comércio, clima ou geopolítica regional. Desta vez, o foco recai sobre algo mais profundo: a crescente percepção, em círculos políticos e institucionais dos Estados Unidos, de que a juristocracia tupiniquim, hoje indissociável da corrupção institucionalizada, é uma ameaça não apenas para o Brasil como para o mundo.
Como mostra a matéria do jornalista John Lucas, relatórios
recentes do Departamento de Estado americano, bem como iniciativas no Congresso
dos EUA, apontam o Brasil como um caso preocupante de deterioração das
liberdades civis, com ênfase especial na liberdade de expressão e no devido
processo legal. O diagnóstico não é trivial. Segundo o próprio relatório
oficial, a situação dos direitos humanos no país “piorou”, com decisões
judiciais amplas e desproporcionais que teriam restringido o debate público e o
acesso à informação, frequentemente em procedimentos sigilosos e carentes de
garantias processuais.
Não se trata apenas de uma crítica genérica ao funcionamento
das instituições brasileiras. O que emerge desses documentos é algo mais
específico: a identificação de um padrão de atuação judicial que, sob o
pretexto de defesa da democracia, termina por limitar precisamente os
mecanismos que a tornam possível. O alvo são decisões emanadas do Supremo
Tribunal Federal (STF) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), especialmente no
contexto político inaugurado após as eleições de 2022. O nome é o de sempre:
Alexandre de Moraes, o extremista político fantasiado de juiz, e hoje conhecido
como “Careca do Master”.
Há o receio de que o modelo repressivo de 2022, que contou
com o apoio do governo de Joe Biden, se repita nas próximas disputas eleitorais
Convém recordar o que foi aquele processo eleitoral. Sob a
égide de uma retórica de combate à “desinformação”, assistiu-se a uma escalada
de intervenções judiciais no debate público: remoção de conteúdo, suspensão de
perfis, censura prévia e perseguição seletiva de atores políticos e
comunicadores identificados com o campo conservador. O relatório americano
menciona, inclusive, a repressão a discursos “desfavoráveis” ao governo sob
categorias vagas como “discurso de ódio”.
A assimetria é o ponto crucial. Não se tratou de uma
moderação neutra do espaço público (supondo que fosse esse o papel do
Judiciário), mas de uma intervenção direcionada, que incidiu única e
exclusivamente sobre apoiadores do então presidente Jair Bolsonaro, enquanto
narrativas favoráveis ao lulopetismo circulavam com ampla liberdade. O
resultado foi um ambiente eleitoral profundamente desequilibrado, em que o
árbitro abandonou a posição de neutralidade para assumir o papel de agente
ativo do processo – um procedimento criminoso simbolizado pela confissão de
Luís Roberto Barroso: “Derrotamos o bolsonarismo”.
É precisamente esse precedente que torna os atuais alertas
tão relevantes. A preocupação, hoje, não é apenas retrospectiva, mas
prospectiva: há o receio de que o modelo repressivo de 2022, que contou com o
apoio do governo de Joe Biden, se repita nas próximas disputas eleitorais. A
julgar pelo recente encontro secreto entre o Descondenado-em-chefe e o Careca
do Master, a conspiração para novamente “tomar a eleição” já foi deflagrada.
A reação americana, nesse contexto, deve ser lida como
sintoma de algo maior. Em 2025, a tensão entre Brasil e Estados Unidos chegou a
um nível incomum, incluindo sanções e convocações diplomáticas, em parte
justificadas por decisões do Judiciário brasileiro e pelo tratamento dispensado
a opositores políticos. Não é todo dia que a maior democracia do mundo volta
sua atenção para os tribunais de outro país com esse grau de preocupação.
O que está em jogo, portanto, não é apenas a imagem
internacional do Brasil, mas a própria natureza de seu regime político. Já não
parece haver dúvidas, ao menos para o governo americano, de que o Brasil vive
hoje sob estado de exceção, conduzido por uma junta de juristocratas parceiros
do atual mandatário.
Nesse sentido, a advertência externa funciona como um
espelho incômodo. O Brasil, que durante décadas se apresentou como uma
democracia em consolidação, passa a ser visto como um laboratório de
experimentos institucionais arriscados, nos quais o Judiciário acumula funções
que, em regimes saudáveis, permaneceriam distribuídas entre diferentes poderes.
Já não parece haver dúvidas, ao menos para o governo
americano, de que o Brasil vive hoje sob estado de exceção, conduzido por uma
junta de juristocratas parceiros do atual mandatário
A questão decisiva é saber se haverá, internamente,
capacidade de reconhecer e corrigir esse desvio. A experiência de 2022 mostrou
que, uma vez estabelecido, o padrão de intervenção judicial tende a se
normalizar – e até a se expandir – sob a justificativa de que “funcionou” para
conter ameaças percebidas. A história política ensina que instrumentos de
exceção raramente permanecem limitados aos seus propósitos originais. Uma vez
incorporados ao repertório institucional, tornam-se disponíveis para usos cada
vez mais amplos, multiplicando o número de alvos potenciais.
Os relatórios americanos somam-se à importante participação
de Flávio Bolsonaro no CPAC. Ao levar ao palco internacional denúncias sobre
censura, perseguição política e abusos de autoridade no Brasil – tendo o caso
do seu próprio pai como paradigmático –, ele procurou construir uma narrativa
inteligível para o público americano: a de que o Brasil estaria vivendo uma
erosão gradual de suas liberdades fundamentais sob a cobertura de decisões
judiciais. E mostrou ainda o quanto o regime sustentado sobre esse poder
espúrio atenta contra os valores democráticos que idealmente unem Brasil e EUA
e impede uma cooperação bilateral efetiva entre os dois países.
É claro que a denúncia deve inflamar ainda mais a fúria
antibolsonarista de Moraes, Mendes, Dino e assemelhados, e reforçar o blablablá
de “soberania” por parte da campanha luloalexandrina. Ela é irritante aos
tiranos justo por tornar cada vez mais difícil de sustentar, no plano
internacional, a ficção de normalidade institucional. Porque, no fim das
contas, não são discursos em conferências nem relatórios estrangeiros que
desgastam a imagem de um país, mas sim os fatos que lhes dão substância.









