terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

 Mais 6 bilhões dos nossos   impostos serão gastos inutilmente.


O reinício dos trabalhos do Congresso teve discursos de Lula, tapinhas de agrado aos ministros e aquele vazio de propostas para a população que paga a conta. Temas capazes de melhorar a país e Congresso nunca entram na pauta dessa elite política, que se comporta como uma casta protegida. Pedir para o atual Congresso aprovar o fim do fundo eleitoral ou o voto distrital é pedir para que eles assinem a própria demissão. Como está, a raposa cuida do galinheiro.

A 'tigrada' que se esbalda numa fragmentação em mais de 30 partidos não o faz por excesso de 'amor às ideias', mas por puro comercialismo político. Cada sigla é uma 'loja' que recebe uma fatia do Fundo Partidário e tempo de TV, funcionando como moeda de troca em Brasília. Voltaram das férias para assegurar um mecanismo de defesa quase impenetrável, a ponto de deputados que se dizem de 'oposição ferrenha' acabarem votando juntos quando o assunto é aumentar o próprio fundo ou manter privilégios. A ideologia para na porta do caixa.

Para esta e para as outras eleições, a complexidade do sistema será mantida. Teremos, então, quociente eleitoral e coligações disfarçadas, justamente para que o eleitor médio se sinta confuso e impotente. No fim, o sistema acaba nos empurrando os mesmos nomes de sempre, eleição após eleição. Piora muito porque, independentemente do trabalho que presta à população, o sistema se protege e se financia com fartura, enquanto a crise fica com o povão. Tanto é verdade que o total que será drenado dos cofres públicos para os partidos e campanhas deve ultrapassar os R$ 6 bilhões.

O procedimento é tão rasteiro que a 'tigrada' incluiu na LDO de 2026 que esses fundos são despesas obrigatórias e não podem sofrer cortes. É o dinheiro da 'tigrada', agora blindado por lei."

Vicente Lino.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

 OABs estaduais tomam a frente e   intensificam pressão por código   de   ética para o   STF.

 Equipe Gazeta do Povo



OAB-SP enviou para Fachin uma proposta concreta de código, com regras duras que aplacariam os principais problemas apontados atualmente na atuação dos ministros.

Representações estaduais da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) tomaram a frente do órgão nacional, nas últimas semanas, em defesa de um código de ética para o Supremo Tribunal Federal (STF). A fixação de limites internos para os ministros, que afastem situações de conflito de interesse e atuação parcial, é uma bandeira do atual presidente do STF, Edson Fachin, para recuperar a credibilidade da Corte.

Há vários anos, setores da advocacia defendem uma autocontenção do STF, por causa do crescente protagonismo do tribunal na política, na economia e na sociedade. A atual crise de reputação da Corte, agravada pelo caso Master, acelerou iniciativas dentro das seccionais da OAB, e também no Conselho Federal, para uma reforma do Judiciário que inclua mudanças no Supremo.

A seccional de São Paulo, presidida pelo advogado criminalista Leonardo Sica, tomou a dianteira neste ano. No último dia 23 de janeiro, a OAB-SP enviou para Fachin uma proposta pronta de código, com regras duras que aplacariam os principais problemas apontados atualmente na atuação dos ministros.

Caso a sugestão paulista fosse adotada, voltaria a ficar proibido, por exemplo, que eles julgassem pessoas ou empresas defendidas por escritórios de advocacia integrados por seus parentes. Essa vedação fazia parte do Código de Processo Civil, mas foi derrubada em 2023 pelo STF – os ministros justificaram que seria razoável apenas que juízes não julgassem processos em que um parente advogasse diretamente na causa.

A proposta da OAB-SP proíbe que ministros julguem processos com advogados parentes até terceiro grau e também “amigos íntimos” – todos eles deverão informar para o STF os processos em que atuam para retirar os ministros da distribuição.

Também proíbe que ministros participem de eventos, mesmo acadêmicos ou jurídicos, em que organizadores e patrocinadores tenham interesse econômico em ações no STF. Nos outros eventos, em que os ministros puderem participar, os responsáveis informariam o quanto pagaram de despesas com a viagem deles, para que as informações sejam divulgadas no site oficial do STF.

Embora possam ser professores, ministros não poderiam ocupar cargos coordenação, administração, direção ou controle societário em faculdades. Além disso, deveriam “evitar o comparecimento a encontro acadêmico, reunião ou acontecimento social, quando sua presença possa comprometer a percepção de imparcialidade ou a reputação do Tribunal”. Não poderiam voar em jatinhos a convite de empresários com causas no STF.

Por fim, deveriam adotar “absoluta reserva” sobre casos que iriam julgar, “deixando de emitir opiniões a respeito”, e tampouco poderiam se manifestar sobre questões político-partidárias.

Violações a qualquer desses limites poderiam ser denunciadas ao STF pelo presidente da República, chefes do Congresso, procurador-geral da República, Associação Brasileira de Imprensa (ABI), Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e pela própria OAB Nacional. Caberia ao plenário do STF analisar as denúncias.

Movimento por código de ética ganha força nas OABs estaduais

Desde o envio da proposta da OAB-SP, outras seccionais aderiram à iniciativa de cobrar um código de ética do STF. Uma das mais eloquentes é a do Paraná, que na última sexta (6) promoveu um ato com dezenas de entidades representativas do setor produtivo, de categorias profissionais e de movimentos civil insatisfeitos com a insegurança jurídica criada pela conduta dos ministros do STF nos últimos anos.

O presidente da OAB-PR, Luiz Fernando Casagrande Pereira, afirma que o chegou o momento de efetuar mudanças no STF porque “há uma crise de legitimidade”. “Sem o Supremo ancorado na legitimidade, nós temos um problema com a democracia brasileira. Não há nenhuma democracia constitucional no mundo inteiro que viva sem um Supremo independente, imparcial e legítimo. Legitimidade que se conquista, não se impõe”, disse à Gazeta do Povo.

Para ele, se nada for feito, a crise de legitimidade do STF vai se alastrar por todo o Judiciário. “A grave crise da percepção de integridade do Supremo autoriza algo pior no STJ, nos tribunais estaduais. E se nós minarmos a confiança que o brasileiro tem na justiça, cai um dos pilares do Estado Democrático de Direito”.

Casagrande Pereira, no entanto, diz que não basta um código de ética. “Mas há consenso que é um passo importante a ser dado. É o único? Não. É necessário avançar na reforma do Judiciário, mas agora o que está na pauta é o código de ética. O que nós não podemos fazer é deixar de apoiar o código de ética apenas porque [a medida] em si não é suficiente para resolver o problema do Supremo. Isso é apostar e não fazer nada”, afirma.

Presidente da OAB-Minas, Gustavo Chalfun faz coro à iniciativa. Ele diz que o apoio a um código de conduta para os ministros não significa confronto, mas contribuição. “A própria manifestação do presidente do STF, ministro Edson Fachin, ao reconhecer a necessidade de autolimitação do Tribunal, demonstra que há espaço, e necessidade, para avanços institucionais. A adesão da OAB-MG à proposta de um código de ética decorre dessa compreensão: não se trata de confronto, mas de aprimoramento. Transparência, previsibilidade, liturgia e autocontenção fortalecem a credibilidade do Supremo e preservam seu papel essencial como guardião da Constituição”, afirma.

Para ele, a ausência de “limites claros” e de “mecanismos de autocontenção” pode gerar “insegurança jurídica, enfraquecimento das garantias constitucionais e deslegitimação institucional”. “Para a advocacia, isso se traduz em riscos concretos ao exercício pleno da defesa, às prerrogativas profissionais e ao devido processo legal.”

“Quando decisões carecem de previsibilidade ou quando há percepção de ativismo ou influência de contextos externos, todo o sistema de Justiça é impactado. O cidadão perde confiança, os conflitos se intensificam e a democracia se fragiliza. Nenhuma autoridade está acima da lei, e nenhum Poder pode se sobrepor aos demais”, salienta.

Ele também concorda que, de forma isolada, um código de ética não é suficiente. “Ele deve integrar um conjunto mais amplo de medidas voltadas ao fortalecimento institucional do STF. Entre elas, o debate sobre limites às decisões monocráticas, maior previsibilidade das decisões, transparência nos atos e respeito rigoroso ao devido processo legal”, afirma.

No Rio Grande do Sul, carta aberta divulgada pela OAB-RS vai além da mera defesa de um código de conduta e conclama por mudanças mais amplas no Supremo, citando episódios recentes de “afrontas ao devido processo legal e violações às prerrogativas da advocacia”. A seccional propôs, entre outras medidas, a instituição de mandatos para ministros, a limitação ao uso de decisões monocráticas e a retirada de sigilo de processos que impactem a credibilidade da Corte.

Em Pernambuco, a OAB-PE encaminhou ao STF um ofício defendendo que a integridade institucional seja construída com normas claras, processos transparentes e mecanismos de responsabilização sólidos, reforçando que o debate deve envolver a advocacia e a sociedade civil.

Já no Mato Grosso do Sul, o presidente da seccional, Bitto Pereira, afirmou ser urgente enfrentar o debate sobre o fim da vitaliciedade dos ministros do STF, defendendo que “um mandato de até dez anos é tempo suficiente para quem realmente deseja contribuir de forma efetiva com o sistema de justiça”, como forma de promover renovação periódica sem comprometer a independência da Corte.

OAB Nacional também pede reforma mais ampla do Judiciário

Pressionada pelas seccionais, a OAB Nacional também se manifestou nos últimos dias. Em 24 de janeiro, dia seguinte ao envio da proposta da seccional paulista de um código para o STF, o presidente do Conselho Federal da OAB, Beto Simonetti, publicou artigo em defesa de uma reforma mais ampla do Judiciário no jornal O Estado de S. Paulo.

Lembrou que cerca de uma década atrás, a OAB propôs leis e aprovou medidas internas para restringir a atuação de advogados parentes de juízes nos tribunais. Ressaltou que o próprio STF, no entanto, derrubou esses limites.

No artigo, Simonetti afirmou ser legítimo debater se regras da Lei Orgânica da Magistratura, que regula a atuação dos juízes, deixaram de ser suficientes. Apresentou, então, como exemplo de “medida saneadora”, uma restrição ainda mais rigorosa que a proposta pela OAB-SP: que advogados que tenham magistrados como parentes sejam proibidos de atuar no tribunal em que esses julgam.

Questionado pela Gazeta do Povo se esse seria o momento para mudanças no STF, Simonetti afirmou que a OAB “sempre contribuiu para o aperfeiçoamento do STF e do sistema de Justiça”. “Não é uma atuação recente nem circunstancial”, disse. Ele acrescentou que há anos a entidade apoia a limitação da atuação de advogados com vínculo de parentesco, o projeto que limita decisões monocráticas e a adoção de mandatos para ministros do STF.

“Não é correto afirmar que a OAB passou a contribuir para mudanças no Judiciário apenas agora. Não se trata de "chegar o momento", porque essa contribuição é permanente e faz parte da trajetória institucional da Ordem”, afirma.

Lembrou que, no último dia 2, data da abertura do ano judiciário, o Conselho Federal, composto por representantes de todas as seccionais, aprovou a participação da OAB na construção de uma proposta conjunta, “pela via institucional, com densidade normativa e visão de longo prazo”.

“Medidas simbólicas ou reativas não constroem instituições sólidas. O aperfeiçoamento do sistema de Justiça exige diálogo, prudência e fidelidade à Constituição”.

Nos bastidores, a Gazeta do Povo apurou que a iniciativa da OAB-SP causou incômodo na OAB Nacional. Para a cúpula da entidade, a seccional paulista, ao se antecipar enviando uma proposta já fechada ao STF, teria se "insubordinado" ao Conselho Federal.

Na última quarta (4), em ofício enviado a Fachin e à ministra Cármen Lúcia, que será relatora da proposta dentro do STF, Simonetti e outros dirigentes da OAB Nacional afirmaram que a elaboração de uma proposta de conduta para magistrados da Corte deve ocorrer com prudência, sem soluções “imediatistas”. A declaração foi interpretada como um recado claro à OAB-SP.

Para um integrante do Conselho Federal ouvido sob reserva, a posição de Simonetti em relação ao Supremo é delicada. Se, por um lado, ele precisa atender aos representados da Ordem nos estados, por outro, deve manter boas relações com a Corte.

Já a postura da OAB-SP teria sido motivada por um crescente descontentamento entre advogados paulistas com o comportamento do Supremo, com destaque para a atuação de ministros no caso do Banco Master.

Nesse contexto, o peso da seccional de São Paulo também teria influenciado a decisão de seus representantes de se anteciparem ao diretório nacional. De acordo com dados da entidade, o estado reúne mais de 380 mil advogados e 41 mil escritórios, além de contar com 257 subseções espalhadas por todo o território paulista.

Código de ética também tem apoio de outros segmentos da sociedade

A iniciativa das OABs estaduais de cobrar um código de ética para o STF tem atraído outras entidades da sociedade civil. No ato realizado pela OAB-PR em Curitiba, representantes do setor produtivo justificaram a demanda. “A instabilidade jurídica tem afastado investimentos e prejudicado o desenvolvimento. Onde não há previsibilidade, não há confiança para investir”, afirmou o presidente da Federação da Associações Comerciais e Empresariais do Paraná (Faciap), Flávio Furlan.

No Brasil, mais de 60 entidades de outros segmentos divulgaram um abaixo assinado em favor do código. Abaixo, a lista das que subscrevem o documento:

Transparência Brasil

Derrubando Muros

Movimento Orçamento Bem Gasto

Instituto República

Movimento Pessoas à Frente

Open Knowledge Brasil

Instituto Não Aceito Corrupção  - INAC

Transparência Internacional - Brasil

Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social

Instituto Brasileiro de Governança Corporativa - IBGC

Movimento do Ministério Público Democrático - MPD

Educafro Brasil

Movimento Mulheres Negras Decidem

Movimento Brasil Competitivo - MBC

Associação Contas Abertas

Associação Fiquem Sabendo

Instituto Igarapé

Transparência Eleitoral Brasil

Instituto Política Viva

Instituto Sou da Paz

Instituto Akatu

Instituto Democracia e Sustentabilidade - IDS

Fórum do Amanhã

Instituto de Direito Coletivo - IDC

Escola Comum

Instituto de Estudos Socioeconômicos - Inesc

MaisProgresso.org

Livres

JUSTA

Pensamento Nacional das Bases Empresariais - PNBE

Aliança Nacional LGBTI+

Centro de Liderança Pública - CLP

Observatório Social do Brasil

Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária - CENPEC

Legisla Brasil

Nossas

Gerando Falcões

Fundação Tide Setúbal

Instituto Iniciativa Cidadã

Instituto Semeia

RenovaBR

Justiça Pública

Fórum Justiça

Associação Reflexões da Liberdade

Instituto Impacta

Instituto Cristão de Ensino e Cultura - INCEC

Instituto Foz

Aliança Jurídica pela Amazônia - AJA

Instituto Sivis

Instituto Cristão de Ensino e Cultura - INCEC

Mobis - Educação para Cidadania

Observatório do Marajó

Transparência Capixaba

Observatório Social de Mato Grosso

Observatório Social de Brumadinho

Observatório Social de Belo Horizonte

Observatório Social do Brasil - Franca

Observatório Social do Brasil - São Leopoldo

Assessoria Popular Maria Felipa

Indômitas Coletiva Feminista

Associação Mulheres na Comunicação (AMC)

Associação Expresso Ação

Igreja Batista Boas Novas

ponteAponte.

 Equipe da Gazeta do Povo.

Renam Ramalho.                 


  Vinicius Sales.                                              

                                                                                    Ana Paula Pickier

                                                                                    


sábado, 7 de fevereiro de 2026

 A triste postura da OAB frente ao cenário   institucional.



Nos últimos anos, para a tristeza e indignação de advogados sérios, a OAB tem ignorado procedimentos secretos, prisões arbitrárias e bloqueios de contas virtuais realizados pelo STF, tratando tais medidas como se fossem normais em uma democracia.

 Infelizmente, a entidade não tem exibido a firmeza necessária para proteger a democracia. Por isso, a enfraquece. Finge não ver que o STF comete ilegalidades, como prisões sem o devido trânsito em julgado; medidas cautelares indevidamente prolongadas; criminalização de opiniões políticas e ideológicas e por aí vai.

 E piora muito, porque a OAB publicou recentemente uma nota condenando taxas impostas pelos EUA a produtos brasileiros, mas silenciou sobre as ações do STF contra empresas americanas e as perseguições ao ex-presidente Bolsonaro. A entidade invocou a soberania nacional. 

Pois bem; a OAB finge ignorar que a verdadeira soberania pertence ao povo. Não há soberania onde o cidadão é silenciado, censurado ou preso sem o devido processo legal, por ordem de quem deveria garantir seus direitos. Como se não bastasse, o presidente da OAB Federal, Beto Simonetti, parabenizou o Advogado-Geral da União, Jorge Messias, por sua indicação ao Supremo. 

Na cabeça do Simonetti, a indicação do aliado de Dilma e Lula seria um motivo de "alegria para a advocacia". Ele não apenas desejou êxito na sabatina, como afirmou estar certo da aprovação de Messias, sustentando que sua atuação no STF garantirá a defesa da Constituição e da democracia.

 Diante de tamanha desconexão com a realidade jurídica, o Brasil que trabalha precisa rezar que o Senado cumpra seu papel e não aprove mais esse absurdo. Com o Senado que temos, infelizmente é o que nos resta.

Vicente Lino.

 

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

 STF e a credibilidade que ainda resta.



Em artigo para a Gazeta do Povo, o advogado Gregório Rabelo expõe o que o país decente já percebeu. “O caso Banco Master deixou claro que o problema não é apenas de condução processual. É de credibilidade. E, quando a credibilidade de uma corte constitucional entra em colapso, alguém precisa responder por isso. No centro desse desgaste está Dias Toffoli”. 

Concordamos com o advogado e ainda acrescentamos que, também Alexandre de Moraes está no centro do desgaste.

Afinal, ele ainda não explicou o contrato milionário do Banco com o escritório de sua esposa e, muito menos, seus encontros com Daniel Vorcaro, agora investigado pela Policia Federal. Ficou bastante clara a intenção de Tofolli em impedir a rigorosa investigação que o caso exige.

 E é, comprometedor o silêncio de Alexandre de Moraes. Gregorio Rabelo lembra que o fato de Tofolli concentrar no STF os materiais apreendidos pela Polícia Federal, foi uma escolha política e passou à sociedade a sensação inequívoca de que a investigação precisava ser filtrada, organizada ou contida antes de avançar.

Vale acrescentar, que Edson Fachin e Gilmar Mendes defenderam os dois e é constrangedor silêncio dos demais ministros. Prova que o tribunal protege aos seus e passou a operar como corporação.  O Supremo protege, fecha fileiras e evita decisões que imponham custo interno.

 Assim, a Corte deixa de ser guardiã da Constituição e passa a ser guardiã de si mesma, o que é incompatível com a função que exerce. Quando Tofolli se agarra ao processo a sociedade percebe que o sistema atual não tem mecanismos eficazes para conter ministros que se recusam a exercer autocontenção.

 E quando o Judiciário perde a capacidade de se autorregular, a Constituição oferece outro caminho. O nome disso é impeachment.

Gregorio Rabelo conclui que “defender o impeachment de um ministro do Supremo não é ataque à democracia. É exercício de responsabilidade constitucional. 

A Constituição não criou ministros vitalícios para que fossem intocáveis. Criou garantias para proteger a jurisdição, não para blindar comportamentos que colocam o tribunal em descrédito” concordamos todos.

Vicente Lino,



O STF gritou um “você sabe com quem está falando?” aos brasileiros.




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Sob os auspícios de Flávio Dino, o STF validou o aumento de penas em um terço por crimes contra a honra cometidos contra funcionários públicos no exercício das suas funções.
Isso significa que, perante a lei, calúnia, injúria e difamação são consideradas ofensas maiores se dirigidas, por exemplo, aos presidentes da Câmara, do Senado e do Supremo, incluídos entre outros agentes do Estado.
É evidente absurdo lógico quando se leva em conta que, de acordo com a Constituição, todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, a não ser quando se trata de preservar os mais fracos, nunca os mais fortes.
A pretexto de proteger o serviço público, a maioria dos ministros do STF continua firme, portanto, na sua investida contra a liberdade de expressão, iniciada desde que eles se arrogaram o papel de únicos defensores da democracia, na base do prende e arrebenta.
Edson Fachin, atual presidente do Supremo, foi um dos votos vencidos. De acordo com ele, o aumento das penas se choca com a ordem democrática e contraria a jurisprudência do próprio STF em relação ao direito à crítica e ao assédio judicial a jornalistas.
Para Fachin, o direito à crítica contundente a agentes públicos deve ser garantido por eles estarem sujeitos ao maior escrutínio da sociedade. A crítica contundente é até mesmo indispensável ao controle democrático do poder, de acordo com o ministro.
Só que os democratas do STF não querem saber de controle nenhum. Para eles, qualquer controle é ameaça intolerável.
A validação da norma absurda ultrapassa as circunstâncias desta nossa quadra temporal e se inscreve na tradição brasileira de hierarquia, personalismo e desigualdade social.
Tradição que encontra a sua tradução mais sucinta na frase “você sabe com quem está falando?”, como apontou o antropólogo Roberto DaMatta, em Carnavais, Malandros e Heróis: para uma sociologia do dilema brasileiro.
Ela expressa o polo autoritário da sociedade nacional, que se contrapõe ao polo amigável, do “jeitinho”, que iguala falsamente os brasileiros de todas as extrações.
O “você sabe com quem está falando?” surge quando tentamos evocar a impessoalidade igualitária nas relações cotidianas e nos deparamos com a realidade de uma sociedade regida por uma hierarquia opressora, que se reproduz de alto a baixo, do grande ao pequeno poder, na sua escala de classes e funções.
Ao validar o aumento das penas por crimes contra honra de funcionários públicos, entre os quais presidentes de poderes, o STF gritou um “você sabe com quem está falando?” a todos os cidadãos que ainda nutrem a ilusão de viver sob uma democracia plena, não em um regime em que uns são mais iguais do que os outros.

Mario Sabino


 “O mundo sob as regras do PT”

          Editorial de O Estado de S. Paulo.




Em editorial publicado no domingo (1º), o jornal O Estado de S.Paulo critica a política externa brasileira, “que, sob o comando de Celso Amorim tornou-se um exercício de cinismo metódico: o valor de uma norma depende de quem a viola”. “Enquanto rompe relações diplomáticas e lança acusações hiperbólicas contra a democrática Israel, prestigia a posse presidencial de um fantoche da teocracia dos aiatolás do Irã, a principal patrocinadora do terrorismo global – ao mesmo tempo em que seu partido celebra as inúmeras eleições fraudulentas na Rússia e na Venezuela como verdadeiras festas da democracia. 


Enquanto abraça entusiasticamente a conversão do Brics em um sindicato de autocracias revisionistas, sabota o ingresso do Brasil na OCDE, o fórum das democracias desenvolvidas que exige compromissos com transparência, pluralismo e racionalidade institucional – regras indisfarçavelmente inconvenientes para o lulopetismo”. Leia a seguir a íntegra do texto:



Em artigo na revista The Economist, o chanceler de facto do governo Lula, Celso Amorim, lamenta a erosão das normas internacionais e pergunta, em tom dramático: como viver em um mundo sem regras?

Mas quais regras? As de ideólogos petistas como ele são peculiares. Conforme Luiz Inácio Lula da Silva, a democracia é “relativa” e tudo é uma questão de “narrativas”: princípios cedem lugar à conveniência ideológica, e o Direito Internacional é maleável como retórica de palanque. Segundo esses parâmetros, ditaduras que não sejam do “Sul Global” são sempre detestáveis, e as únicas violações intoleráveis são as dos países “ricos”. Nessa mitologia geopolítica, o verdadeiro problema não é a ausência de normas, mas a presença incômoda de princípios universais que limitam o arbítrio dos comissários que estão “do lado certo da História”.

A queda do ditador Nicolás Maduro ofereceu a Amorim um pretexto para defender o que realmente importa: não os direitos do povo venezuelano, mas a imunidade de um déspota aliado. O problema não é tanto o que Amorim diz, mas o que não diz. A abdução de Maduro pelos EUA é de fato questionável sob qualquer ótica jurídica. Mas as prisões de milhares de opositores venezuelanos pela cleptocracia chavista, o êxodo de 8 milhões de refugiados, as execuções, a censura, a fome, o colapso institucional e econômico seguem sem reparos por parte dos petistas, como acontece há anos. Como se vê, o que inquieta Amorim não é o uso arbitrário da força em si, mas seu uso contra aliados ideológicos.

Enquanto Amorim clama por diálogo e respeito ao Direito Internacional, seu governo se abstém de votar resoluções na ONU exigindo o retorno de crianças ucranianas sequestradas por Moscou ou condenando massacres e torturas de dissidentes e minorias no Irã. Enquanto rompe relações diplomáticas e lança acusações hiperbólicas contra a democrática Israel, prestigia a posse presidencial de um fantoche da teocracia dos aiatolás do Irã, a principal patrocinadora do terrorismo global – ao mesmo tempo em que seu partido celebra as inúmeras eleições fraudulentas na Rússia e na Venezuela como verdadeiras festas da democracia. Enquanto abraça entusiasticamente a conversão do Brics em um sindicato de autocracias revisionistas, sabota o ingresso do Brasil na OCDE, o fórum das democracias desenvolvidas que exige compromissos com transparência, pluralismo e racionalidade institucional – regras indisfarçavelmente inconvenientes para o lulopetismo.



Ao longo de suas gestões, o PT abastardou os padrões morais da diplomacia brasileira para acomodar regimes que partilham de seus rancores de grêmio estudantil e sua repulsa ao pluralismo liberal. O “mundo com regras” que Amorim se propõe a restaurar é o de um multilateralismo para ditadores de estimação, onde a “soberania” é escudo para abusos internos, o “diálogo” é sinônimo de inação e a cumplicidade é travestida de “neutralidade”.

Os mesmos que denunciam com fervor missionário o “imperialismo estadunidense” contemporizam o roubo de territórios ucranianos pela Rússia. Os que escrutinam com lupa quaisquer desvios de democracias liberais fazem vista grossa quando direitos fundamentais são ignorados em Pequim, Havana ou Manágua. Sob o comando de Amorim, a política externa brasileira tornou-se um exercício de cinismo metódico: o valor de uma norma depende de quem a viola.



Seu artigo ecoa o discurso lulista que se pretende voz moral da humanidade, mas sob os governos do PT o Brasil é menos vítima de um mundo em colapso do que cúmplice do caos – toda vez em que se omite, silencia e justifica atrocidades em nome de afinidades políticas. Amorim apenas disfarça com um luto performático pela ordem global o seu incômodo com o fato de que o uso arbitrário da força deixou de ser apanágio de ditadores “companheiros” para atingir um deles, o tirano Maduro.

Talvez o mundo esteja mesmo sem regras. Mas sabemos como o petismo joga o jogo das relações internacionais: relativismo para amigos, intolerância para críticos e silêncio para vítimas inconvenientes à sua “narrativa”. Amorim não quer um mundo com regras. Quer um mundo com as regras do PT.


Editorial do Jornal "O Estado de S. Paulo"



quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

 O Peso da Espada da injustiça e a Blindagem injusta do Poder.




Diante do desfile de hipocrisia reinante e as desculpas esfarrapadas de suas Excelências, quando são criticadas, é correto afirmar que uma nação onde a indignação é criminalizada e a corrupção é normalizada pelo rito processual está condenada a ser refém de suas próprias instituições.

 Do Mensalão ao Petrolão, passando pelas roubalheiras do Banco Master e do INSS, a mensagem enviada à sociedade é clara: o sistema protege os seus.
 Basta ver o procedimento da PGR e do CNJ para evitar as investigações, E concluir que estamos diante de um sistema de "blindagem institucional" projetado para garantir que o topo da pirâmide permaneça intocado.

 Enquanto o cidadão comum — o motorista, a dona de casa, o aposentado — enfrentam penas que somam décadas de reclusão sob interpretações jurídicas, as mais elásticas, o Brasil assiste um desfile de escândalos que nascem com barulho e morrem no silêncio dos tribunais superiores.

 Enquanto autoridades se beneficiam de nulidades processuais e prescrições milimétricas, o povo é condenado com base na "teoria do domínio do fato" ou por participação em atos onde a individualização da conduta é ignorada num mar de ilegalidades do processo.

 Quanto a sociedade crítica, o que se assiste é o sufocamento da Liberdade, com o uso do aparato estatal para desencorajar a reação popular. Quando o protesto é punido com mais rigor do que o desvio de bilhões de verbas públicas, a democracia entra em estado de asfixia. 

O cidadão sente no bolso a corrupção e na pele a ausência de um Judiciário que seja, de fato, cego às posições sociais. Se a justiça só é rápida e implacável contra os vulneráveis, ela deixa de ser justiça para se tornar ferramenta de injusto controle social. É onde estamos.

 Vicente Lino