sexta-feira, 16 de outubro de 2026

 Para ajudar Lula, Alcolumbre transforma Senado em “fim de   feira”

Gazeta do Povo.



  Dependente da reeleição de Lula para sua sobrevivência política como presidente do Senado, Davi Alcolumbre resolveu transformar a casa que comanda em uma extensão dos interesses da dupla, e para isso instalou um clima de “fim de feira”. Com a perspectiva de um Senado mais conservador a partir de fevereiro de 2027, a ordem, agora, é correr com absolutamente tudo que convenha aos dois – e, no caso de Lula, possa dar uma força à sua campanha pelo quarto mandato presidencial. Quem perde com esse acordo espúrio, obviamente, é o país – e tudo isso com a ajuda de praticamente todos os demais senadores, que abriram mão da decência na quarta-feira e, se não reencontrarem o rumo o quanto antes, serão cúmplices do rebaixamento da casa legislativa.

Após a aprovação do fim da escala 6x1, a bola da vez era a PEC da Segurança Pública, outro projeto muito caro ao petismo, já que o tema está entre as prioridades dos brasileiros nesta eleição – em parte, porque a conhecida leniência petista com o crime ajudou a deixar o país refém da bandidagem – e Lula quer desesperadamente ter algo a mostrar ao eleitor, para fingir que está agindo. A despeito de alguns itens positivos, como um regime jurídico mais rigoroso para membros de facções, é um projeto ruim, que cristaliza na Constituição a visão esquerdista sobre o tema: uma visão ainda leniente com a criminalidade em geral (basta ver como a bancada petista inviabilizou uma tentativa de reduzir a maioridade penal, demanda da maioria dos brasileiros) e centralizadora, simbolizada pelo Sistema Único de Segurança Pública (Susp), que tira protagonismo dos governadores, aqueles que conhecem melhor os desafios de seus estados.

Relações de trabalho, segurança pública, um Código Civil e uma indicação ao Supremo são temas de enorme importância; senador nenhum tem o direito de brincar dessa forma com o futuro do país

Ao menos nesta quinta-feira, Lula não conseguiu o que desejava: a discussão sobre a maioridade penal colocou em risco a aprovação da PEC, fazendo Alcolumbre retirá-la da pauta. Mas o Senado compensou fartamente o petista ao aprovar, na sessão deste dia 15, o perdão das dívidas tributárias dos microempreendedores individuais (MEIs), uma irresponsabilidade fiscal e moral, pois trata como idiotas os MEIs que se esforçam para cumprir suas obrigações para com o Fisco.

O plano da dupla Lula-Alcolumbre, portanto, está tendo sucesso, apesar do pequeno contratempo com a PEC da Segurança Pública. E as más notícias não terminarão por aí. Um projeto que felizmente havia entrado em modo de hibernação ressurgirá em breve, com a mesma pressa imposta ao fim da escala 6x1 e à PEC da Segurança. Segundo informações de bastidores, o nefasto Novo Código Civil também deve entrar na pauta o quanto antes – sem a devida discussão, assim como ocorreu com as duas PECs. A Gazeta do Povo já destrinchou o projeto em várias ocasiões, mostrando como ele não passa de uma colcha de retalhos ideológica, que afetará de modo decisivo (e para muito pior) temas como a defesa da vida, o direito de família, a liberdade de expressão, o respeito aos contratos e o direito do consumidor. Trata-se praticamente de uma demolição do edifício atual – uma demolição que nem de longe era demandada pela sociedade, nem mesmo pela comunidade jurídica – para se erguer algo inteiramente novo, sem que os representantes do povo tenham tido a ocasião de discutir o que já descrevemos como a espinha dorsal do ordenamento jurídico brasileiro.

E, não contente em acelerar a tramitação do Código Civil, Alcolumbre ainda quer recompensar o seu criador: o ex-senador e agora ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Rodrigo Pacheco. Ele era o preferido de Alcolumbre para ocupar a cadeira aberta pela aposentadoria de Luís Roberto Barroso no STF; Lula insistiu em indicar seu advogado-geral, Jorge Messias, e a disputa azedou as relações entre o presidente da República e o presidente do Senado, resultando na histórica rejeição do nome de Messias no plenário. Mas isso são águas passadas e, segundo a Folha de S.Paulo, Lula estaria disposto a recompensar a ajuda dada por Alcolumbre nos últimos dias, tirando Pacheco do “prêmio de consolação” que ele havia recebido no TCU, e realizando o seu verdadeiro sonho. Nem é preciso dizer que o mero fato de ser o pai do projeto do Novo Código Civil já bastaria para desqualificá-lo ao cargo de ministro do Supremo, mas o que mancha definitivamente seu histórico é sua omissão diante dos abusos do STF; tendo presidido o Senado entre 2021 e 2024, Pacheco nada fez com os vários pedidos de impeachment que já povoavam sua mesa, inaugurando a tradição de covardia continuada por Alcolumbre.

É possível conter essa onda de descalabros? Sim, mas os senadores não deram, até agora, nenhuma demonstração de que irão fazê-lo. Apenas Hamilton Mourão votou contra a PEC que acabava com a escala 6x1 e reduzia a jornada de trabalho semanal; outros cinco não compareceram em ao menos um dos dois turnos de votação; todos os demais, incluindo muitos senadores da oposição, deram seu aval a uma proposta cujos efeitos estão longe de terem sido devidamente discutidos, e entregaram de bandeja a Lula um trunfo eleitoral. Em vez de repetir a obstrução bem-sucedida do início de setembro, cederam ao populismo fácil em vez de fazer o certo, por mais difícil que fosse. No dia seguinte, repetiram a dose no projeto sobre as dívidas dos MEIs – desta vez, não houve um único voto contrário sequer.

Sabemos que há senadores caracterizados pela adesão convicta, ideológica, ao erro. Outros, como o próprio Alcolumbre, estão afundados até o pescoço no “acordão” feito com Lula. Mas e os demais? O que explica tamanha pusilanimidade, tamanha falta de pulso na defesa de suas ideias e na oposição aos planos do governo? Pura conveniência eleitoral? Ressentimento por uma derrota em 4 de outubro? Alguma crença fantasiosa na possibilidade de que lhes sobrem algumas migalhas do dividendo eleitoral que Lula colherá para si com a aprovação desses projetos? Algum outro motivo igualmente incompreensível?

Não se trata de simplesmente fazer oposição por oposição, mas de barrar propostas ruins, seja derrubando-as diretamente, seja freando sua tramitação para que haja discussão mais serena e, principalmente, descontaminada do processo eleitoral. Relações de trabalho, segurança pública, um Código Civil e uma indicação ao Supremo são temas de enorme importância, e as decisões que estão sendo tomadas agora ou serão tomadas nos próximos dias terão consequências por muitos anos. Senador nenhum tem o direito de brincar dessa forma com o futuro do país. Com o estrago já feito em alguns casos, ainda é possível impedir que nos próximos dias o desastre se torne ainda maior, mas isso exigirá uma coragem que anda desaparecida.


Editorial da Gazeta do Povo.



 O pacote eleitoreiro de Lula compromete o   futuro fiscal do   país.



Para se manter no poder, nesta reta final de campanha, Lula abriu a caixa de bondades com o dinheiro do pagador de impostos, com medidas desenhadas somente para criar uma ilusão de alívio momentâneo em troca do voto. As consequências são o aumento do endividamento, os juros altos por mais tempo e a elevação da carga tributária.

Os números impressionam:  Zerar os tributos sobre combustíveis por 30 dias causa um impacto fiscal de R$ 5,2 bilhões, somando-se às dezenas de bilhões em subsídios já existentes. É o típico alívio artificial que evapora no dia seguinte à apuração das urnas. O perdão das dívidas para 3,6 milhões de MEIs significa uma renúncia fiscal de R$ 12,6 bilhões de reais. A promessa do PIX de até R$ 5 mil para mulheres e pessoas de baixa renda é tão perversa que o crédito só será liberado em 2027, e unicamente sob a condição de reeleição.

 Tem também, a nova versão do “Desenrola” lançada somente para criar a sensação de amparo financeiro na véspera da eleição. O Pé-de-Meia de R$ 2,5 mil anuais a estudantes também está atrelado à vitória nas urnas e com execução empurrada para os próximos anos, arrastando o descontrole das contas públicas. Prometer recursos futuros ou congelar preços de forma temporária é pura ilusão. 

O Brasil que trabalha sabe que o descontrole das contas faz o mercado exigir retornos maiores, mantendo os juros altos e travando o crescimento econômico. Sabe, também, que o represamento artificial de preços estoura inevitavelmente após a eleição, corroendo o poder de compra principalmente das famílias de menor renda. 

Transferir custos bilionários para 2027 significa condenar o próximo ciclo orçamentário à estagnação, obrigando o país a discutir novos impostos para cobrir o rombo. Bancar pacotes eleitoreiros através do aumento da dívida não é gestão pública; 

É um enorme pacote de irresponsabilidade para colocar um projeto de poder acima da sobrevivência econômica do país.


 Vicente Lino.



 

 O Brasil isolado não consegue proteger o seu povo.





Recentemente foi formalizado o “Escudo das Américas”, uma iniciativa liderada pelos Estados Unidos que estabelece uma coalizão focada na segurança dos países participantes.

 Será criado um bloco de cooperação militar, policial e financeira na América Latina e no Caribe, com objetivos de interesse geral: classificar facções criminosas (incluindo o PCC e o Comando Vermelho) como organizações terroristas internacionais, congelar bens e contas no exterior e responsabilizar quem prestar apoio a esses grupos. O Brasil ficou de fora. 

A cooperação também prevê a realização de operações militares conjuntas e o patrulhamento de fronteiras, autorizando a presença de tropas americanas nos países aderentes para combater o narcotráfico, o tráfico de pessoas e a migração ilegal. O Brasil ficou de fora.

 Essa coalizão que reúne 19 países das Américas, compartilha do entendimento de que o enfrentamento ao crime organizado exige o emprego de metodologias das Forças Armadas e forte cooperação militar externa. O Brasil ficou de fora. O governo brasileiro sustenta que o PCC e o CV não atuam por motivação ideológica ou política e, por essa razão, recusa-se a enquadrá-los na Lei Antiterrorismo.

 Esse isolamento deixa o país exposto a sanções e restrições financeiras aplicadas por vizinhos a entidades brasileiras vinculadas às rotas do tráfico. É gravíssimo que a maior nação da América do Sul — e o principal entreposto logístico para o escoamento de cocaína rumo à Europa — escolha virar as costas para essa integração. A intransigência diplomática de Brasília fragmenta as ações regionais de inteligência e paralisa o combate ao crime em nossas fronteiras.

 Enquanto levantamentos do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mapeiam ao menos 88 facções criminosas em plena atividade no território nacional, o crime organizado comemora o pouco caso do Estado. O Governo prefere se apegar a dogmas ideológicos a proteger a vida de milhões de cidadãos mantidos como reféns da violência diária. 

Essa omissão calculada não é paga em discursos na ONU, mas no sangue dos brasileiros.


 Vicente Lino.



 

quinta-feira, 15 de outubro de 2026

 Holocausto silencioso: o que três substâncias químicas têm a   ensinar a Ana Elisa?


 

Vivemos um holocausto silencioso, um genocídio em massa: o aborto, que o PT, partido da nossa mais nova deputada, apoia e tenta liberar.

Nos últimos dias, uma menina tem tomado as telas dos smartphones. Com uma autoproclamada religiosidade marcada pela devoção católica e com fortes laços culturais de tradições de matriz africana, Ana Elisa Santos Silva (PT-MG), deputada federal eleita por Minas Gerais, foi elevada à nova porta-voz da campanha presidencial do PT.

Além de já ter assumido que é favorável ao aborto, no último final de semana, Ana Elisa postou nas redes sociais um vídeo em que tenta associar a eleição de Flávio Bolsonaro à Presidência com a ascensão do nazismo na Alemanha do século passado.

De caráter claramente progressista e impulsiva, sua tenra idade talvez a esteja impedindo de enxergar alguns fatores que podem fazer com que ela alcance uma conclusão diametralmente oposta à que ela chegou, e quem irá ajudá-la nesse processo são três agentes químicos: o Zyklon B, o KCl e o C₂₂H₃₈O₅.

A mais jovem negra eleita como deputada federal sabe que o nazismo se caracterizou por uma perseguição e assassinato sistemático de cerca de 6 milhões de judeus e de outras minorias, patrocinados pelo Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães de Adolf Hitler.

Valendo-se de eufemismos para disfarçar a natureza real de seus crimes, o termo “Solução Final” foi empregado pelo partido para se referir ao plano de aniquilação total dos judeus, e o uso do Zyklon B foi essencial para o cumprimento desse objetivo, que teve como principal implementador da prática o tenente-coronel da SS, Obersturmbannführer Otto Adolf Eichmann.

Com uma rápida volatilidade em ambientes fechados, ao ser inalado, o Zyklon B entrava nos pulmões e alcançava a corrente sanguínea. Diferentemente de uma simples falta de oxigênio, o íon cianeto bloqueava a respiração celular e gerava um efeito assustador: a vítima continuava respirando, o oxigênio circulava, mas o corpo não era capaz de utilizá-lo para produzir energia.

Com a respiração celular bloqueada, o cérebro entrava em colapso metabólico, gerando confusão, desorientação e perda de consciência. Os primeiros momentos eram marcados por pânico, sensação de sufocamento e uma intensa dor física.

Hoje, vivemos um outro holocausto, só que este é silencioso. Tal como aquele promovido por Hitler, um verdadeiro assassinato em massa assola nosso país, e o partido de nossa mais nova deputada não só o aprova como tenta, a todo custo, promover sua liberação.

Assim como fizeram os nazistas, eles também se valem de um eufemismo, denominando-o “direitos sexuais reprodutivos”, no intuito de tentar suavizar e enganar as pessoas sobre a cruel realidade do aborto

Este assassinato é comumente realizado por meio de um éster metílico (C₂₂H₃₈O₅) ou de um sal, o KCl, a depender da idade da vítima. Para os mais jovens, o éster de nome comercial Misoprostol ou Cytotec promove contrações uterinas que são comparáveis à força de um atropelamento de um veículo a 80 km/h, expulsando o bebê do útero e levando-o à morte.

O cloreto de potássio (KCl), por sua vez, é injetado diretamente no coração do bebezinho que já tinha idade gestacional capaz de lhe garantir a sobrevivência fora do útero materno.

PT, PSOL e outros partidos de esquerda são favoráveis a este assassinato em massa, um covarde aniquilamento que, de forma lenta e gradual, queima quimicamente o bebê sem nenhuma anestesia, em um método que é totalmente proibido de ser feito sem a sedação completa na eutanásia dos animais ou na execução da pena de morte, nos países em que ela é aceita.

Para se ter uma vaga ideia da dor que o bebê sente ao receber as várias injeções de cloreto de potássio, basta sabermos que a injeção é dolorosíssima (equivalente a um infarto do miocárdio) e que a densidade de terminações nervosas na pele de fetos e recém-nascidos é três vezes maior do que a de um adulto. Para piorar, as vias de inibição da dor em um bebê ainda são imaturas e só se desenvolvem após o nascimento.

Adeptos da tortura e do genocídio em massa, defensores do controle estatal sobre as pessoas e sobre o mercado, portadores de uma denominação partidária similar e com a mesma cor em suas bandeiras, cremos que, se a jovem deputada efetuar uma sincera revisão de sua tese, forçosamente será obrigada a concordar que o seu partido tem muito mais semelhanças com o nazismo e suas crueldades do que qualquer outra agremiação política em nosso país.

Danilo de Almeida Martins.

Defensor Público Federal atuante no movimento pró-vida, integrante da Associação Nacional Pró-Vida e Pró-Família.

 A orgia eleitoral de Lula.

 Estado de S. Paulo




O perdão às dívidas de microempreendedores individuais foi só a mais recente das medidas do petista para comprar votos e que já somam espantosos R$ 354 bilhões. E não vai parar por aí

É impressionante a desfaçatez com que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem usado a máquina pública para impulsionar suas chances de reeleição. Faltando exatos 12 dias para a disputa eleitoral, o petista anunciou que perdoará as dívidas tributárias dos microempreendedores individuais (MEIs). É compra de votos descarada, como todas as medidas populistas anunciadas por Lula na reta final da campanha.

E, certamente, não vai parar por aí. Até o dia 25 de outubro, data do segundo turno, Lula decerto distribuirá mais dinheiro para se manter competitivo, independentemente do custo e do mérito das medidas.

O caso dos MEIs é particularmente escandaloso. Trata-se de um regime simplificado de tributação extremamente vantajoso para quem adere, mas um fracasso enquanto política pública. Sua intenção inicial era formalizar pequenos negócios e trabalhadores de baixa renda. Na prática, o MEI incentivou a migração de regime por empresas que já existiam e a “pejotização” de profissionais qualificados que antes trabalhavam como celetistas, tudo para pagar menos impostos.

Em vez de corrigir uma distorção documentada, o governo apenas contribui para agravá-la. Evidentemente, não são todos que podem escolher em que regime podem trabalhar, mas quem tem essa prerrogativa não tem a menor dúvida.

As alíquotas de contribuição para o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) são progressivas, mas começam em 7,5% do salário, e para as empresas a contribuição corresponde a 20% da folha de pagamento. Já no caso do MEI, a contribuição, que já foi de 11%, caiu para 5% do salário mínimo, o equivalente a R$ 81,05, independentemente da renda efetivamente auferida. É o que basta para estar quites com todos os impostos estaduais e municipais e garantir benefícios como o salário-maternidade, auxílio-doença e aposentadoria.

É uma contribuição meramente simbólica, de custo baixíssimo para benefícios indiscutíveis. Ainda assim, estudos mostram que dois em cada três MEIs não contribuem para o INSS, o que faz deles uma verdadeira bomba-relógio para as contas públicas.

Não se trata de ignorância. Os MEIs, ao contrário do que o governo acha, sabem fazer contas e avaliar riscos. Quem não contribui sabe que não terá direito à aposentadoria. No entanto, também sabe que poderá requerer o Benefício de Prestação Continuada (BPC) no momento em que completar 65 anos de idade. Assim como o piso da Previdência Social, o BPC corresponde a um salário mínimo. Embora sejam benefícios de naturezas distintas, na prática não há muita diferença para quem os recebe.

O que o governo Lula fez nesta semana mostra que os MEIs inadimplentes têm razão. Não há motivo algum para pagar os tributos em dia. Basta esperar um momento de fragilidade política do incumbente para ser contemplado com as benesses que sempre surgem às vésperas da eleição.

E que benesses. Além do perdão da dívida tributária, o governo se ofereceu para comprar dívidas bancárias por meio do Desenrola, anunciou a ampliação do teto de faturamento anual para enquadramento no programa dos atuais R$ 81 mil para R$ 140 mil e, de quebra, informou que vai dar R$ 5 mil a todos os MEIs, a fundo perdido, a título de ajuda para investir. Tudo isso deve custar R$ 16,7 bilhões nos próximos quatro anos. Os MEIs, ademais, não precisarão mais emitir notas fiscais, um incentivo adicional a quem omite receitas e declara um faturamento inferior ao real.

Tudo isso se soma a outras iniciativas anunciadas, como a criação de uma versão do programa Pé-de-Meia para pagar bolsas a estudantes universitários, que deve custar R$ 4,6 bilhões anuais. Nas últimas semanas, Lula também reajustou o piso do Bolsa Família em 15%, ampliou a clientela e o universo de dívidas alcançadas pelas renegociações do Desenrola, zerou os tributos sobre a gasolina e aumentou o subsídio do diesel.

Parte dessas medidas ainda terá de ser aprovada pelo Congresso, mas é improvável que haja muita resistência a elas. O Gastômetro do Estadão estima que a gastança eleitoral de Lula já chegou a R$ 354 bilhões. Para o petista, nada disso importa – afinal, responsabilidade fiscal nunca foi seu forte. Com Lula reeleito ou não, a sociedade que arque com esse custo.


O Estado de S. Paulo.




 Não é só o Bolsa Família que mantém a força de Lula no   Nordeste.



Frequentemente tentamos entender o que explica a preferência do eleitorado nordestino por Lula e pelo PT. Em artigo publicado na Gazeta do Povo, o jornalista Fabio Calsavara aponta uma correlação clara entre menor desenvolvimento socioeconômico e maior votação no candidato petista. As estatísticas indicam que, quanto mais baixo o IDH da região, mais esmagadoras são as votações no PT.

 Há exemplos claros: os municípios de Serrano do Maranhão (MA) e Melgaço, no Pará, onde até 87% dos eleitores escolheram Lula no primeiro turno, são regiões com baixo IDH. Na outra ponta, em cidades como Nova Pádua, no Rio Grande do Sul, e Balneário Camboriú (SC), onde o IDH é alto, 87% dos eleitores preferiram Flávio Bolsonaro e apenas 7% votaram em Lula.

 Os dados apontam que o Bolsa Família conquistou também a preferência dos pobres urbanos que vivem em grandes cidades mais desenvolvidas. Outro cientista político, Márcio Coimbra, afirma que a relação do Nordeste com o lulismo transcendeu a gratidão pelo Bolsa Família e se transformou em um alinhamento afetivo e cultural profundo. 

Segundo ele, para grande parte do eleitorado nordestino, votar na esquerda tornou-se um símbolo de dignidade, cidadania e pertencimento político. Percebe-se, também, outro ponto crucial nessa dinâmica: o discurso hostil da direita. Classificar o voto nordestino como "atraso" ou "dependência" funciona como um verdadeiro repelente eleitoral, gerando uma reação de defesa coletiva na região que empurra os votos de volta para o Talem disso, na maioria dos municípios mais pobres, o poder público é o principal motor da economia.

 Por isso mesmo, falar em "enxugamento do Estado" soa como uma ameaça ao emprego e à subsistência de muita gente. Ou a direita readequa seu discurso e oferece soluções condizentes com a realidade de cada região, ou o Nordeste continuará sendo a principal fortaleza do lulismo no Brasil.

   Vicente Lino.


quarta-feira, 14 de outubro de 2026

 O STF Rasga a Constituição para Blindar   Seus Ministros



O Brasil que presta já suspeitava, mas o noticiário recente acaba de nos horrorizar com a informação de que o Supremo Tribunal Federal (STF) não quer aceitar o impeachment de Alexandre de Moraes e já está articulando estratégias para conter o Senado. 

A "tigrada" entendeu o recado das urnas: os senadores eleitos pelo PL e pela oposição devem a seus eleitores a abertura do processo contra o ministro. A lei, o bom senso, os princípios e a honra determinam que Moraes seja investigado e responsabilizado pelos inúmeros abusos cometidos. O mecanismo para blindá-lo nasce do próprio medo dos ministros de que outros, na sequência, também se tornem alvo de investigações, abrindo as portas para novos processos. 

A vinda a público dos autos sigilosos revelaria o aval de magistrados a medidas arbitrárias, o que poderia sujeitá-los a acusações semelhantes por crimes de responsabilidade. A articulação para manter a impunidade é intensa. No ano passado, o ministro Gilmar Mendes concedeu liminar proibindo o afastamento temporário de ministros e elevando o quórum para o início do processo.

 Na mesma linha de blindagem, o deputado Paulinho da Força defendeu que a prerrogativa de propor o impeachment de ministros passe a ser exclusiva do Procurador-Geral da República. A ação impetrada por Gilmar Mendes visa ainda blindar decisões judiciais, impedindo que sejam enquadradas como crime de responsabilidade. 

Responsabilizar membros da alta cúpula do Judiciário tornou-se uma tarefa quase impossível. Desde o julgamento do processo de Fernando Collor, o STF consolidou a prerrogativa de supervisionar o procedimento sob o pretexto de assegurar o devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa. Na prática, essa prerrogativa confere à própria Corte instrumentos para desacelerar, embaraçar ou inviabilizar a tramitação de pedidos que a desfavoreçam. Com seus próprios membros no banco dos réus, a tendência é que essa interferência corporativista seja ainda mais truculenta. 

Soma-se a esse cenário a ameaça velada de novos inquéritos, decisões contrárias aos interesses da oposição e eventuais entraves a uma futura gestão conservadora — ações que teriam o poder de paralisar o governo e inviabilizar a aprovação de reformas econômicas essenciais. Mesmo agindo à margem da Constituição, a Suprema Corte deixa claro que não aceita ser incomodada.

 Conclusão: A atuação do STF no cenário atual revela um espetáculo grotesco de autofagia institucional e desrespeito flagrante ao texto constitucional. Ao ser flagrada transgredindo os próprios limites que a Carta Magna lhe impõe, a Corte prefere rasgar a separação dos poderes a submeter-se ao sistema de freios e contrapesos. A tentativa ostensiva de reescrever regras de impeachment, inventar blindagens descabidas e coagir o Poder Legislativo expõe uma oligarquia togada acuada pelo pavor da transparência, disposta a sacrificar a segurança jurídica do país para assegurar a sua própria impunidade. Um tribunal encarregado de guardar a Constituição não pode se transformar em um baluarte de blindagem corporativa e abusos autocráticos.


  Vicente Lino.