Como viver e reagir num país dominado pelo crime.
Luís
Ernesto Lacombe.
Somos um país dominado pelo crime. Para onde quer que se
olhe, lá estão os bandidos agindo impunemente. Quando o jornal O Globo publica
editorial defendendo a censura na rede social, e lamentando que ela não seja
mais ampla, que ainda seja necessária decisão judicial para retirada de alguns
tipos de publicações, o crime está no comando.
Quando há um monte de gente enrolada com o Banco Master –
Lula, Jaques Wagner, Guido Mantega, Ricardo Lewandowski, Silvio Costa Filho,
Aécio Neves, Ciro Nogueira, Antônio Rueda, Alexandre de Moraes, Dias Toffoli,
Gilmar Mendes, Kassio Nunes, Paulo Gonet, Andrei Rodrigues, Hugo Motta, Davi
Alcolumbre – e só se fala de Flávio Bolsonaro, é a bandidagem no controle.
Quando vazam seletivamente informações sobre o caso, e há “jornalistas” prontos
a manobrar com isso, estamos quase perdidos.
Quando Davi Alcolumbre barra a instalação da CPI do Banco
Master, e Daniel Vorcaro vai e volta em sua delação, de olho numa anulação das
ações sobre o caso, é mais uma articulação do crime. São os marginais esparramados
em tudo, também nos movimentos para impedir a abertura de processos de
impeachment de ministros do Supremo.
Quando surge mais uma denúncia contra Ciro Nogueira, com a
indicação de repasses milionários para uma empresa em nome de parentes dele, e
há pouca esperança de que haja investigação correta sobre isso, é o crime que
está ditando as regras. A parte boa da Polícia Federal se esforça, apresenta as
informações sobre aportes suspeitos descobertos pela Operação Sem Refino, mas
nada parece dar em algum lugar decente.
Quando a influenciadora e advogada Deolane Bezerra é presa
por envolvimento em lavagem de dinheiro para o PCC, e seus seguidores choram,
parecemos mesmo um caso perdido. Quando gente como Raphael Souza Oliveira, dono
da Choquei, e MC Ryan, Poze do Rodo e Oruam, também suspeita de ligações com
facções e, como Deolane, apoiadora de Lula, faz o que faz, o país inteiro é
prisioneiro.
Quando há milhares de perseguidos e presos políticos, todos
abandonados à própria sorte, sim, estamos em pedaços. Quando as ilegalidades
contra eles são aceitas, assim como as artimanhas para tirar Lula da cadeia, o
abismo parece inevitável... E quando passa a ocupar o Palácio do Planalto esse
sujeito condenado em todas as instâncias por corrupção e lavagem de dinheiro –
e há um ex-presidente preso injustamente, ilegalmente –, o crime está vencendo.
Quando o déficit fiscal aumenta, a dívida pública dispara, e
os juros não têm como cair, quando as estatais dão prejuízo… Quando o gasto com
Previdência sobe sem parar, quando a arrecadação federal não para de subir, mas
não pelo aumento da atividade econômica... Quando prevalece a ilusão de que o
Estado é solução, e não a causa da maior parte dos problemas, os criminosos
estão em festa.
Quando o Estado insiste em se meter na relação entre
empresas e trabalhadores, forçando uma escala de trabalho que vai provocar
quebradeira e mais inflação… Quando não há liberdade econômica, livre mercado e
o empreendedor é tratado como marginal, estamos num buraco profundo.
Quando os brasileiros estão endividados e são empurrados
pelo governo para novas dívidas… Quando a inflação dos mais pobres é quase o
quádruplo da registrada para os mais ricos... E medidas eleitoreiras,
populistas vão sendo despejadas em tempestade devastadora, ninguém sabe como
escapar.
Quando o brasileiro não se sente seguro nem na rua, nem no
trabalho, nem em casa... Quando o medo impera e ministro de Estado e candidato
a presidente passeiam tranquilamente por áreas dominadas pelo tráfico de
drogas, o país foi entregue ao lado escuro. Quando facções criminosas
brasileiras se espalham pelo mundo como multinacionais da bandidagem, o bem já
quase não se vê.
Se estão defendendo abertamente criminosos, grupos
terroristas, ditadores, o crime está normalizado. E também quando os irmãos
Batista dão as cartas sobre negócios, política e até geopolítica... E quando o
STF tem ministros como Alexandre de Moraes, Dias Toffoli, Gilmar Mendes, Flávio
Dino e Cármen Lúcia... Isso tudo é prova de que estamos encalacrados.
A questão é como reagir. Tirar o PT do poder é fundamental.
E tirar o Centrão do controle do Legislativo. E não baixar a cabeça para
arbítrios, abusos e ilegalidades praticados por ministros do STF também. Para
isso, não podemos barrar o debate, é preciso fazer todas as perguntas
necessárias, apontar os crimes, um a um, e cobrar reações legais. É preciso
agir, trabalhar sempre em busca da verdade, expor os fatos. Porque estaremos
sempre por um triz, se a mentira impera na maior sem-vergonhice.
Luís Ernesto Lacombe é jornalista há 37 anos. Trabalhou nas
principais emissoras de televisão do Brasil. Recebeu o Troféu Imprensa e, por
duas vezes, o Prêmio Comunique-se
