Brasil; um país espera por mudanças que nunca chegam.
Política e Economia
A ONG anticorrupção Transparência Internacional criticou duramente, na quinta-feira passada, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, por não fazer absolutamente nada a respeito do escandaloso contrato de R$ 129 milhões assinado entre o Banco Master, de Daniel Vorcaro, e o escritório Barci de Moraes, da esposa do ministro do STF Alexandre de Moraes. “A inação da PGR se torna mais grave a cada nova revelação”, afirmou a entidade em sua conta em português no X, depois de dizer que “o grau de informalidade com que se tramitou um contrato de R$ 129 milhões é estarrecedor e só aumenta as suspeitas – que já eram mais que suficientes para a abertura de uma investigação própria”.
O comentário foi feito na esteira de novas revelações a
respeito das negociações para a assinatura do contrato. Segundo o jornal O
Estado de S.Paulo, Vorcaro e a advogada Viviane Barci de Moraes conversavam
diretamente pelo WhatsApp, e fora ela quem enviou ao banqueiro a minuta do
documento, em janeiro de 2024. As conversas estão em um dos celulares de
Vorcaro apreendidos pela Polícia Federal. O valor seria pago em parcelas
mensais de R$ 3,6 milhões, e outras mensagens indicam que Vorcaro dava
prioridade total a essa despesa, mesmo quando o Banco Master já começava a
afundar devido à insustentabilidade de suas estratégias agressivas de captação
de investidores. O contrato original, no entanto, não foi inteiramente quitado,
e os investigadores já encontraram a minuta de um outro contrato, no valor de
R$ 50 milhões – o que faltaria para ser pago na negociação de 2024 –, entre uma
empresa de Vorcaro e o escritório Barci de Moraes, mas que não chegou a ser
assinado.
Ao mirar apenas o vazamento e ignorar o conteúdo das
negociações entre Vorcaro e a esposa de Moraes, Gonet se comporta como se a
missão da PGR fosse garantir a paz das autoridades, e não a defesa do interesse
público
Nem mesmo o mais empedernido libertário haveria de defender
que se trata apenas de uma negociação entre dois entes privados, nos quais um
deles, detentor de uma fonte inesgotável de dinheiro, resolveu pagar muito mais
que o habitual por esse tipo de serviço sabe-se lá por que motivos, e que por
isso o Estado não deveria se intrometer. Estamos falando de alguém apontado
como o chefe de um esquema de fraude financeira bilionária, que ofereceu
valores muito superiores aos cobrados pelas melhores bancas de advocacia do
país a um escritório cujo maior trunfo não é a expertise de seus membros, mas
um sobrenome – o mesmo de um integrante do principal tribunal do país. E já se
sabe que, no mínimo, Vorcaro conseguiu acesso privilegiado a Moraes, a ponto de
trocar mensagens com o ministro perguntando-lhe sobre investigações, com
direito a um “conseguiu bloquear?”, horas antes de ser preso pela primeira vez.
Para qualquer pessoa que não tenha o desconfiômetro
totalmente quebrado, essas circunstâncias mereceriam ao menos uma investigação.
Por que Vorcaro pagou todo esse dinheiro ao escritório Barci de Moraes se
poderia ter contratado bancas muito mais experientes e renomadas a um valor
menor? Ele estaria tentando comprar influência ou proteção para não ter de
responder pelos crimes financeiros de que é acusado? E, se a resposta for
“sim”, o que Vorcaro de fato recebeu em troca, ainda que hoje esteja preso
(embora não falte quem trabalhe para anular toda a Operação Compliance Zero,
mais cedo ou mais tarde)? São perguntas que, em uma sociedade normal, que não
abafa seus escândalos, já teriam colocado o poder público para trabalhar em
busca das respostas. Mas não no Brasil, onde o procurador-geral Paulo Gonet
arquivou um pedido de investigação em dezembro do ano passado, afirmando que
não via “qualquer ilicitude”.
O mesmo Paulo Gonet, recorde-se, que também participou de
uma degustação muito exclusiva de um uísque caríssimo, bancada por Daniel Vorcaro
em Londres. O mesmo Gonet que ofereceu denúncia contra o perito Eduardo
Tagliaferro por ter divulgado os descalabros cometidos dentro do “Ministério da
Verdade” instalado no TSE presidido por Moraes. O mesmo Gonet que denunciou a
família Mantovani pelo entrevero do aeroporto de Roma, sem o menor elemento
factual que justificasse as acusações. O mesmo Gonet que denunciou no atacado
centenas de brasileiros pelos atos de 8 de janeiro de 2023, sem a necessária
individualização de conduta.
Pelo andar da carruagem, o único que deve terminar pagando o
pato será o perito criminal da Polícia Federal apontado como o autor dos
vazamentos pelos quais o Brasil soube não apenas do megacontrato entre Vorcaro
e Viviane Barci, mas também dos negócios envolvendo o resort Tayayá, implicando
o ministro Dias Toffoli. Mesmo considerando que de fato tenha havido o crime de
violação de sigilo funcional, previsto no Código Penal (e até isso é
controverso, pois também se pode argumentar que ele agiu como o chamado
whistleblower), isso não torna falsas as informações divulgadas, nem reduz a
gravidade do escândalo. Ao mirar apenas o vazamento e ignorar seu conteúdo,
Gonet se comporta como se a missão da PGR fosse garantir a paz das autoridades,
e não a defesa do interesse público. A continuar nesse ritmo, será preciso
questionar quando a omissão do procurador-geral se tornará prevaricação.
Gazeta do Povo.
Em editorial, a Gazeta do Povo informa que, no início do mês,
o PT realizou o seu 8.º Congresso Nacional. Nada mudou: o documento, que
deveria ser um plano de futuro, revela-se, na verdade, uma repetição exaustiva
de mantras e distorções que podem custar caro ao Brasil.
De um lado, o partido repete a narrativa da "herança
maldita" para justificar qualquer falha; de outro, tenta se apropriar de
sucessos que não lhe pertencem. O partido falta com a verdade ao afirmar que
trouxe a inflação para a meta, ignorando que o mérito cabe à política técnica
do Banco Central. Além disso, há a desfaçatez de afirmar que as contas públicas
melhoraram quando, na realidade, a dívida pública explodiu, crescendo quase dez
pontos percentuais em relação ao PIB.
O partido, alinhado ao STF, ainda utiliza o termo
"democratização" quando, no dicionário petista, democratizar
significa aparelhar ou controlar. Quando falam em democratizar a comunicação, o
que se lê é censura; quando falam em democratizar o campo, lê-se violação do
direito de propriedade.
Um modelo que prioriza o gigantismo estatal e o
intervencionismo econômico é um convite à catástrofe. Esse roteiro, que gera um
alívio artificial de curto prazo, planta estagnação e recessão no futuro. O
editorial da Gazeta do Povo conclui que o PT não tem nada de novo a oferecer: o
congresso do PT foi apenas mais uma peça publicitária de um partido que olha
para o espelho do passado.
Se o Brasil continuar trilhando esse caminho de irresponsabilidade
fiscal e avanço do Estado sobre as liberdades individuais, o preço será uma
democracia enfraquecida e uma economia condenada à mediocridade.
Vicente Lino.
Atravessamos um longo tempo em um sistema irresponsavelmente construído para se fechar em um ciclo de permanente alimentação mútua. Esse arranjo se apresenta como democracia e, a partir daí, domina as instituições e o orçamento, direcionando recursos para apadrinhados e partidos políticos.
Depois, o sistema financia as campanhas para comprar o apoio político. Tudo com o dinheiro dos nossos impostos, claro. A dominação das instituições e do Judiciário é o ápice do processo. Neste cenário, os operadores do Direito e os membros das altas cortes passam a partilhar dos mesmos princípios.
Como consequência, o próprio arcabouço jurídico começa a ser interpretado para blindar o projeto de poder, e o ativismo judicial passa a suprir a falta de maioria no voto popular. O Congresso debate, vota em plenário, aprova a lei, e o STF posteriormente a declara inconstitucional.
Embora autoridades dos três Poderes da República falem em democracia diuturnamente, a percepção que se tem é de que há uma simbiose entre partidos de esquerda e o topo do Poder Judiciário. É essa imoralidade que fundamenta o ceticismo da sociedade civil em relação à própria higidez do regime democrático.
Faz muito tempo que o cidadão comum, o pagador de impostos, passou a figurar apenas como o mantenedor financeiro dessa antiga estrutura. Nada muda. Há tempos o Estado deixou de servir à sociedade para servir à própria casta que o comanda, transformando a democracia em uma fachada onde o poder muda de mãos, mas o projeto de controle permanece inalterado.
Depois da Copa, virão as eleições. Mais uma representação teatral de péssimo gosto, com atores canastrões e péssima direção. Sem reação, nada vai mudar.
Em outubro, as lonas do circo estarão instaladas e novamente seremos os palhaços.
Vicente Lino.
No início do mês de junho, parlamentares brasileiros receberam em um jantar o novo embaixador de Cuba no Brasil, Victor Manuel. No menu, foi servido baião de dois, preparado pelo deputado comunista Orlando Silva. Além do prato, o diplomata foi presenteado com uma cachaça brasileira. O encontro reuniu Talíria Petrone (PSOL), Jandira Feghali (PCdoB), Márcio Jerry (PCdoB), Lídice da Mata (PSB), Pedro Campos (PSB), Benedita da Silva (PT), Arlindo Chinaglia (PT), Ana Pimentel (PT) e Luizianne Lins (PT)
Enquanto comiam, devem ter se lembrado de que o povo cubano enfrenta uma crise humanitária profunda, marcada por escassez generalizada, colapso energético e repressão política. E que os cubanos enfrentam cortes de energia que chegam a 20 horas por dia, paralisando a vida doméstica e deixando milhões no escuro. No jantar, talvez tenha se falado sobre a fome e o racionamento em Cuba, dada a falta de produtos básicos como arroz, feijão e ovos — cenário em que apenas 15% da população consegue fazer três refeições diárias.
Os comunistas brasileiros e o embaixador cubano talvez tenham tratado, também, da falta de insumos médicos básicos e medicamentos nas farmácias e hospitais da ilha, o que obriga a população a recorrer a mercados clandestinos ou ajuda externa. Vale lembrar aos comunistas daqui que, por lá, a população tem ido às ruas gritando por "liberdade" e "comida". Os manifestantes são presos e enfrentam forte repressão, com o governo convocando apoiadores para confrontar os opositores. Mais de 400 mil pessoas deixaram a ilha nos últimos anos, resultando em uma das maiores crises migratórias da história do país.
Um destes cubanos, no entanto, foi visto em Brasília comendo baião de dois e tomando cachaça com deputados brasileiros.
Vicente Lino.
Reportagem da Gazeta do Povo dá conta de que o governo de Donald Trump colocou o Brasil na lista dos principais países de origem das substâncias utilizadas na produção de drogas. Atualmente, figuramos ao lado de nações como China, Venezuela, Coreia do Norte, Colômbia, Índia, México, Bolívia, Afeganistão e Tailândia.
Os dados são alarmantes: o PCC já atua em 22 estados brasileiros e em 16 países. Além disso, um relatório do Departamento de Defesa dos EUA destacou o Brasil como o segundo maior consumidor de cocaína do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos. Esse cenário reflete uma deterioração severa da imagem internacional e da segurança interna.
O Estado brasileiro está sob suspeita por ter se transformado em um fornecedor essencial de insumos químicos, o que sinaliza um alinhamento perigoso com países de democracias fragilizadas ou controladas por cartéis. Estar nessa lista facilita a imposição de sanções econômicas e dificulta acordos de livre comércio. Afinal, onde o tráfico se consolida como pilar econômico, o investimento estrangeiro legítimo foge, temendo a instabilidade jurídica e a violência. Aparentemente, o STF e os parlamentares governistas não se mobilizam contra essa realidade.
Prova disso é que a investigação que mirava as conexões entre o crime, o sistema financeiro e o Judiciário foi esvaziada ou rejeitada por manobras políticas. A mensagem enviada à sociedade é de total impunidade, especialmente após o relatório que pedia o indiciamento de altas autoridades ser ignorado. Portanto, é correto afirmar que o governo e os tribunais superiores têm se tornado obstáculos à investigação do crime organizado.
Deveriam saber que caminhar ao lado de nações
dominadas por cartéis e conviver com o avanço de facções globais é, em última
análise, um convite ao abismo.
Vicente Lino.