Depois da farsa de Fauci, está na hora de colocar a CPI da
Covid no banco dos réus
Flavio Morgenstern
Mentiras do imunologista que falava “representando a
ciência” foram usadas no Brasil para perseguir direitistas.
O imunologista Anthony Fauci, responsável pelas medidas
tirânicas que criaram o primeiro ensaio de uma ditadura global no planeta em
2020, testemunhou diante do Congresso americano nessa semana. O homem que
sempre dizia que falava “representando a ciência”, e que qualquer crítica às
suas ilações pessoais era “anticientífica” e “desinformação” (dois termos que
ficaram na moda naqueles anos de imbecilidade coletiva global), preconizando um
totalitarismo de escala planetária com imposições arbitrárias como uso de
máscaras, distanciamento social, vacinação experimental forçada e lockdowns,
respondeu a mais de cem perguntas repetindo as palavras:
“Por orientação de meus advogados, recuso-me respeitosamente
a responder, com base nos direitos que me são assegurados pela Quinta Emenda à
Constituição.”
A Quinta Emenda da sucinta e poderosa Constituição americana
garante que ninguém é obrigado a produzir provas contra si mesmo em um
processo, ainda mais penal. Fauci, que comentava sobre testemunhar ao Congresso
quase em tom de ameaça, de repente preferiu “não produzir provas contra si
mesmo”.
Um dos últimos atos de Joe Biden na presidência foi dar um “perdão
futuro” para Fauci não ser julgado pelos seus – e que delícia poder dizer isso
– crimes. Fauci foi invocado por 11 em cada 10 jornalistas brasileiros, 12 em
cada 2 juízes brasileiros para exigir ordens despóticas durante a pandemia da
COVID-19. Mas, pela zona direta de responsabilidade, o tanto de gente que pode
ter morrido sob influência de suas decisões pessoais é comparável às vítimas de
Adolf Hitler, que são mais indiretas.
Fauci mentiu sobre as origens do vírus, que o mundo inteiro
já presumia que só podia ter sido criado em laboratório (por quem? Com qual
objetivo? Quem vai ser punido?), dizendo que tais desconfianças eram “teorias
da conspiração” (um termo inventado pela própria CIA para acobertar suas
falcatruas, diz-se).
Basta lembrar da reportagem da revista Super, outrora
respeitada, que estampava: “Sim, o coronavírus veio da natureza – e não de um
laboratório”. Melhor ainda é o subtítulo: “Os boatos de que o vírus foi
manipulado pela China não passam de uma mentira. E a ciência prova”.
Oh, doce ciência, sempre invocada por jornalistas que
dificilmente sabem o que é uma estocasticidade ou uma triboluminescência para
defender políticas ditatoriais!
Mas se fosse só a imbecilidade das reportagens. Agências de
autodeclarado “fact-checking” (como a verborragia ditatorial tem termos chics,
não?) saíram censurando o planeta Terra inteiro com base na mesma
“inteligência” super “científica” da reportagem vergonhosa supracitada. Contas
que levaram anos de trabalho para serem construídas eram canceladas por algum
jornalista “científico” que chutou tudo C no vestibular de química em segundos.
Citar nomes de remédios e substâncias gerava mais punição do
que pornografia infantil e tráfico internacional de órgãos e cocaína. Pais
perderam guarda dos filhos (até hoje!!!) por se recusarem a permitir que seus
filhos fossem cobaias de um cientista maluco, obsessivo em ver sua foto no New
York Times e se achando por que uma Kardashian ligou cientificamente para ele.
Canais com décadas de existência, como da Jovem Pan, saíram do ar por dias por
conta de um comentário sobre um estudo envolvendo iv***t***. Assunto sobre o
qual Fauci, obviamente, mentiu e invocou o som do silêncio para o mundo
interpretar.
Claro, quase todos os canais que foram desmonetizados – algo
como proibir de se trabalhar – foram de direita, por algum mistério que apenas
o alinhamento planetário científico é capaz de explicar.
Mas enquanto os EUA discutem abertamente a punição penal às
Big Pharmas e aos políticos e burocratas não eleitos que inventaram o primeiro
ensaio de ditadura mundial desde Gênese 1,1, no Brasil tudo vai na contramão.
Até hoje utilizam termos como “anticientífico” para discordar das loucuras de
Fauci.
Hoje sabemos que a vacinação não cumpria nenhuma de suas
promessas – e sim, trouxe riscos e mortes. Que as máscaras eram não apenas
inócuas, como muitas vezes poderiam agravar problemas.
O diário de Fauci assemelha-se ao de Alfred Rosenberg quando
descobrimos qual foi o pensamento “científico” para impor cientificamente o distanciamento
social, também conhecido como o momento em que A Ciência Se Fez Carne: “me
ocorreu” (sic).
Quantos foram punidos por isso no Brasil?
Basta se lembrar de um dos capítulos mais autoritários da
história brasileira, aquele da CPI da Covid, encabeçada por nomes como Omar
Aziz (nunca é recomendável pesquisar no Google por seu nome ao lado de “CPI da
Pedofilia”), Randolfe Rodrigues, Renan Calheiros, Eduardo Braga, Humberto Costa
(este parece ter um problema com a palavra “sanguessugas”, segundo o Google),
Marcos Rogério, Otto Alencar, Tasso Jereissati, Alessandro Vieira, Angelo
Coronel (que foi aprender na Rússia a censurar “fake news”), Jader Barbalho,
Rogério Carvalho, Soraya Thronicke, Simone Tebet, Leila Barros, Eliziane Gama,
Mara Gabrilli, Kátia Abreu e outros. Sempre havia um ou, no máximo, dois nomes
a fazer contrapartida, como Flávio Bolsonaro, Eduardo Girão, Marcos do Val,
Luiz Carlos Heinze ou Jorginho Mello.
CPIs no Brasil costumam sempre terminar em pizza (você já
fez a pesquisa sobre a CPI da Pedofilia acima?), mas elas podem permitir que
políticos façam buscas e apreensões e quebras de sigilo. E foi o que a CPI fez
– não contra corruptos, não contra alguém de sobrenome Odebrecht ou algum
mensaleiro ou petroleiro, não contra algum ladrão de estatal ou fundo de
pensão. Nada disso.
Foi um festival de buscas e apreensões e quebras de sigilo
contra cidadãos que nem sequer foram ouvidos ou convocados pela CPI
Começou com a quebra de sigilo mais tirânica da história
brasileira, proposta por Alessandro Vieira (que, repentinamente, parece ter se
tornado herói da direita para alguns) contra Filipe Martins. Exigiram-se todas
as suas conversas privadas e particulares em todas as suas redes sociais, todos
os seus e-mails (com ordem para não trocar a ordem das pastas), todas as suas
fotos privadas, cópia integral do iCloud, cópia de todos os apps e documentos
em todos os meios eletrônicos, histórico de buscas no Google, histórico de
geolocalizações, históricos médicos, bancários… enfim, sua vida inteira.
Alessandro Vieira argumentou que precisava de tudo isso para
saber o que Filipe havia conversado em uma reunião com a Pfizer. Mas nem se deu
ao trabalho de convidá-lo, ou mesmo convocá-lo, para explicar.
Logo depois, o mesmo modelo de quebra de sigilo foi aplicado
a todos os sites de direita possíveis. Terça Livre, Brasil Paralelo, Senso
Incomum, Conexão Política e vários outros. Pessoas como Flávio Gordon e
Bernardo Küster também foram alvo. Até a Jovem Pan foi parar no bolo – Renan
Calheiros, num lapso, disse que foi culpa do seu assessor, que fez “copia e
cola”. Merval Pereira, na época, disse que ir contra os “bolsonaristas” era
ótimo, mas que incluir a Jovem Pan poderia afetar a liberdade de expressão (e
os outros “investigados” não?).
Os pedidos de quebra de sigilo eram tão mal formulados,
realmente no copia e cola, que falavam de empresas (CNPJs) em vários estados do
Brasil, com o mesmo texto, citando reportagens verdadeiras (uma delas citando o
FDA, a “Anvisa” americana, além de artigos de opinião), dizendo que “a pessoa
trabalha no mesmo andar do presidente Bolsonaro”, copiando e colando o pedido
feito por Alessandro Vieira contra Filipe Martins.
Pior: uma CPI não pode investigar nenhum fato além do seu
escopo. No caso, a falta de suprimentos de oxigênio no Amazonas. Por que
supostas “fake news” (que hoje sabemos serem todas verdadeiras) foram punidas
com a mesma tirania? Todos os ministros do STF, com as únicas exceções de André
Mendonça e Kássio Nunes Marques, votaram pela manutenção da quebra de sigilo.
Para saber “se” algum crime foi cometido. Tente a mesma medida contra um
terrorista para ver se consegue.
O relatório da CPI foi recusado quando os senadores tentaram
apresentá-lo em Haia. Os senadores ao menos aproveitaram a viagem com dinheiro
público. O que seria do país sem Renan Calheiros, Humberto Costa, Jader
Barbalho e outros elogiados pela Globo News para “salvar a democracia” e
trazerem “ciência” ao debate via tirania, não?
Se a farsa de Fauci está no banco dos réus, está na hora de
também colocar no banco dos réus cada uma das autoridades, em todos os poderes,
que transformaram o Brasil numa ditadura despótica e estúpida e, como já
sabíamos, anticientífica.
Flavio Morgenstern é escritor, jornalista e roteirista. É
formado em Literatura Alemã e estuda as relações entre linguagem e poder, além
da decadência da modernidade, especialmente desde a Primeira Guerra Mundial.