Vicente Lino
Política e Economia
quarta-feira, 22 de abril de 2026
terça-feira, 21 de abril de 2026
O Supremo se aproxima de um impeachment.
Renan Ramalho.
Maquiavel ensinava que, não sendo possível ao governante ser
amado e temido ao mesmo tempo pelo povo, era preferível que ele fosse obedecido
pelo medo. “Os homens têm menos receio de ofender alguém que se faça amar do
que alguém que se faça temer [...] O temor é mantido por medo ao castigo, e
este medo jamais abandona os indivíduos”, escreveu o pensador florentino no
capítulo XVII de O Príncipe.
Pois parece ser essa a receita que alguns ministros do
Supremo Tribunal Federal (STF) têm adotado, de forma desmesurada, com a queda
vertiginosa da confiança, admiração e respeito dos brasileiros, registrada nas
últimas pesquisas de opinião.
Quando representantes legítimos da população se propõem a
colocar as coisas no lugar e expressam essa insatisfação, catalisando assim a
ojeriza, passam a ser cruelmente perseguidos. O objetivo é que sirvam de
exemplo, para que os incautos não ousem, jamais, atingir a “honorabilidade” dos
doutos magistrados. Foi assim com Daniel Silveira e Jair Bolsonaro, e se repete
agora com Alessandro Vieira e Romeu Zema.
Na semana passada, em reação a um voto de um senador da
República que propunha indiciar três ministros por crimes de responsabilidade
no caso Master, um deles requereu ao chefe do Ministério Público investigação
contra o primeiro por abuso de autoridade.
O voto de Alessandro Vieira era, juridicamente, inofensivo:
não era capaz de abrir um inquérito criminal contra Gilmar Mendes, Alexandre de
Moraes e Dias Toffoli, tampouco de levá-los ao impeachment. Ademais, foi
rejeitado pela maioria, formada às pressas pelo governo, dentro da CPI do Crime
Organizado.
Pelo mero dissabor que causou aos ministros, o senador agora
está em vias de ser condenado criminalmente a penas de prisão pelos mesmos
ministros que incomodou, e ainda a ser banido da vida pública com a inelegibilidade
eleitoral.
Nesta segunda-feira (20), soube-se que o ex-governador de
Minas Gerais poderá sofrer as mesmas consequências porque compartilhou nas
redes sociais um vídeo de humor, em que dois ministros aparecem como fantoches.
A peça satiriza o caso real em que Gilmar Mendes anulou a quebra de sigilo da
empresa de Dias Toffoli, por iniciativa de Vieira naquela mesma CPI, para
rastrear a rede de influência do Banco Master.
Gilmar pediu ao colega Alexandre de Moraes que investigue
Zema no draconiano inquérito das fake news. Por causa de uma piada, o
ex-governador pode ser retirado das eleições deste ano. O mesmo pode ocorrer
com Sergio Moro, o ex-juiz e senador que cometeu a atrocidade de fazer chacota
com o decano do STF numa festa junina.
Por iniciativa dos próprios ministros, todos esses atos de
retaliação são divulgados de forma ostensiva na imprensa e pelos canais
oficiais de comunicação do STF. O objetivo não declarado, mas indisfarçável, é
incutir o temor. O método agora se volta contra os senadores, os únicos com o
poder constitucional de frear a Corte – mas que, ante uma realidade
problemática que nossos constituintes não conseguiram prever, tornaram-se
presas fáceis dos juízes que deveriam vigiar.
O que o Supremo, no entanto, está semeando com esses atos é
algo que não convém a um governante, segundo Maquiavel: o ódio simultâneo de
súditos e poderosos. Foi o sentimento que moveu a horda de mais de mil
revoltados a vandalizar a sede do tribunal em 8 de janeiro de 2023. A dura pena
imposta a eles e a atuação explícita dos ministros contra qualquer anistia que
aliviasse a dor e a ruína financeira de suas famílias só fez ampliar a raiva
geral.
E quando a maioria do povo passa a repudiar um governante de
tal modo, ele fica vulnerável à conspiração. Autoridades menores e aspirantes a
um poder maior passam a querer derrubá-lo para satisfazer a população.
Segundo Maquiavel, as “dificuldades com que os conspiradores
têm de se defrontar são infinitas” – como prova o atual poder de fogo do
Supremo –, mas se o governante não tiver um apoio mínimo entre súditos e
poderosos – que é para onde aponta a curva descendente das pesquisas – ele deve
“recear tudo de todos” (capítulo XIX).
Foi o que, segundo o autor de O Príncipe, levou à queda do
imperador Maximino. Primeiro veio a rebelião do povo, depois a oposição do
Senado de Roma e, por fim, a traição por seu próprio exército. As investigações
mais recentes da Polícia Federal, outrora subserviente ao STF, apontam que esse
terceiro estágio já foi deflagrado.
Se as urnas de outubro entregarem um Senado moldado pela
indignação popular, o Supremo descobrirá que o temor pode ser útil para
silenciar os fracos, mas fatal numa dose que alcance e contamine de ódio seus
representantes.
Renan Ramalho.
domingo, 19 de abril de 2026
Carta de Rui Barbosa aos Ministros do STF
Luciano Trigo (Gazeta do Povo, 14/04/26)
Escrevo com a mão trêmula, não pela idade, mas pela vergonha
que me oprime. Vergonha ao contemplar o estado a que foi reduzida a Casa que
deveria ser o último bastião da Justiça. Vergonha por vós, por mim e por todos
os brasileiros que um dia confiaram no Supremo Tribunal Federal como guardião
da Constituição — não como agente de sua deformação.
O Supremo jamais poderia degenerar em instrumento de poder
bruto. Sua autoridade não decorre da força, do clamor circunstancial ou da
conveniência política, mas da confiança que inspira, da sobriedade de seus atos
e da integridade de seus julgamentos. Quando desabam estes pilares, não é
apenas a Corte que se apequena: é a própria República que se avilta em seus
fundamentos.
O que mais alarma não é apenas o erro, inerente à condição
humana, mas o padrão reiterado de decisões que exalam voluntarismo,
seletividade e desprezo pelos limites institucionais. A toga, outrora símbolo
de imparcialidade, tem sido utilizada como escudo para protagonismos pessoais e
instrumento de interferência abusiva em outros Poderes. E, onde se instala o
arbítrio, o Direito definha: deixa de ser norma e passa a ser pretexto.
A seletividade no exercício do rigor — severidade contra uns,
complacência com outros — agrava esse quadro. Recordo meus combates contra o
autoritarismo e a censura. Hoje observo práticas que, embora revestidas de
formalidade jurídica, reproduzem o mesmo espírito: silenciamento de vozes
dissonantes, restrição de liberdades sob justificativas elásticas e o uso do
aparato estatal para constranger adversários. Ora, mesmo travestidas de defesa
da democracia e do Estado de Direito, a censura e a perseguição continuam sendo
censura e perseguição — e sua existência macula qualquer pretensão de
democracia plena.
É grave a transformação da Corte em instrumento de controle
social. Ao censurar, vigiar e punir com base em critérios amplos e pouco
transparentes, cria-se um ambiente de insegurança jurídica e intimidação. A liberdade
de expressão, pedra angular de qualquer regime democrático, é relativizada por
decisões que carecem de clareza e consistência.
A isso se somaram, recentemente, fortes indícios de relações
impróprias e sinais de enriquecimento incompatível. Mas não há corrupção mais
insidiosa do que aquela que não se manifesta apenas em cifras, mas na distorção
do próprio princípio da igualdade perante a lei. Quando o cidadão percebe que o
tratamento varia conforme o objeto, a confiança da sociedade se dissolve.
Em poucos anos, dilapidou-se um patrimônio construído ao
longo de mais de um século. O Supremo, que deveria ser a consciência jurídica
da Nação, passou a ser visto como arena política na qual decisões refletem
preferências pessoais, e não a estrita aplicação da lei. A invasão de
competências, a reinterpretação casuística de normas e a reação arrogante a
críticas revelam um distanciamento preocupante do papel que vos foi confiado.
Não sois a Constituição; sois seus intérpretes — e, como
tais, estais sujeitos a limites. Nenhuma instituição está acima do juízo da
História. Persistir na expansão desmedida de poder, ignorando críticas
legítimas e os sinais evidentes de desgaste, é escolher um caminho perigoso e
irreversível.
Rogo que reflitais sobre o papel que vos foi confiado. A
autoridade moral não se decreta; conquista-se – mas pode ser perdida com
rapidez. República enfraquece quando seu
mais alto Tribunal deixa de ser garantia e passa a ser motivo de apreensão.
Quando há a percepção de que a Justiça não é cega, mas orientada por
conveniências, instala-se o grave cenário da descrença generalizada.
Voltai à moderação. Voltai à legalidade estrita. Voltai à
consciência de que a Justiça não se impõe pela força, mas se sustenta na
confiança pública. Ou, de tanto ver prosperar a desonra, a censura e a suspeita
de corrupção, o cidadão comum perderá de vez a fé na virtude, na democracia e
na própria ideia de Justiça. Que não seja esse o destino desta nação.
Com a gravidade do momento e a dor de quem dedicou a vida ao
Direito,
Ruy Barbosa”
O PT oferece presentes para ditaduras mundo afora.
sábado, 18 de abril de 2026
O ativismo judicial a favor das drogas.
É lamentável que alguém que deveria ser o guardião da estabilidade institucional use sua influência para testar os limites de uma sociedade já machucada pela violência. Gilmar Mendes ignora que o Legislativo não está anestesiado por acaso, mas sim acuado por um ativismo que ignora a vontade popular.
A atitude do ministro é de uma irresponsabilidade profunda. Ele prefere a vaidade de suas teses acadêmicas à proteção real do cidadão comum. O Brasil não precisa de ministros "simpáticos" a entorpecentes; precisa de magistrados que respeitem a soberania do Parlamento e a segurança de uma nação que não aguenta mais ser refém do crime e do descaso institucional.
A postura de Gilmar Mendes, ao sinalizar uma nova investida pela descriminalização geral das drogas, não é apenas uma escolha jurídica controversa; é um aceno perigoso ao caos social e um desrespeito frontal ao equilíbrio entre os Poderes. Ao aceitar ser rotulado como um "ministro simpático" à causa em podcasts temáticos, o magistrado abandona a necessária imparcialidade para assumir o figurino de um militante político — o que não é nenhuma novidade.
A maconha, romantizada pelo ministro, atua como a porta de entrada para substâncias mais pesadas, conforme fartamente demonstrado pela ciência e pela prática policial. Flexibilizar o porte é ignorar as famílias destruídas, os jovens que perdem o futuro para o vício e o sistema de saúde pública, que já opera no limite.
O Congresso já decidiu que o porte de drogas deve ser criminalizado; não cabe a Gilmar e seus pares, não eleitos, reescreverem o Código Penal.
Vicente Lino
sexta-feira, 17 de abril de 2026
As pesquisas que mostram Flávio Bolsonaro à frente de Lula.
Gustavo Ribeiro
Flávio lançou a pré-candidatura no início de dezembro do ano
passado e desde então vem se aproximando de Lula nos cenários de primeiro
turno. Ele chega a empatar tecnicamente, dependendo do instituto de pesquisa.
Nas simulações de segundo turno, entretanto, é quando o
desempenho do senador se destaca. No embate direto, Lula viu sumir uma certa
tranquilidade que tinha na virada do ano. Isso ao mesmo tempo em que perde
popularidade — na rodada mais recente da Quaest, divulgada nesta semana, o
petista é desaprovado por 52% dos entrevistados.
Três pesquisas divulgadas neste mês colocam Flávio
numericamente à frente de Lula nos cenários de segundo turno: Datafolha,
Meio/Ideia e Genial/Quaest. A diferença entre os dois pré-candidatos nesses
casos fica dentro da margem de erro, o que configura empate técnico. O
levantamento da Futura Inteligência posiciona Flávio com vantagem além da
margem de erro.
Abaixo, os índices que indicam como estão os embates de
segundo turno nas pesquisas para presidente entre o senador e o petista.
Pesquisas eleitorais não são um prognóstico do resultado nas urnas, e sim um
retrato de momento sobre a opinião do eleitorado — no caso, há menos de seis
meses para a realização do primeiro turno, marcado para 4 de outubro.
Lula: 40%
Futura Inteligência - 14 de abril - Flávio Bolsonaro: 48%
Lula: 42,6%
Datafolha - 11 de abril - Flávio Bolsonaro: 46%
Lula: 45%
Meio/Ideia - 8 de abril - Flávio Bolsonaro: 45,8%
Lula: 45,5%
O avanço de Flávio sobre Lula fica mais nítido quando se
compara pesquisas de dezembro de 2025 com levantamentos de abril deste ano. Na
Quaest, por exemplo, Lula caiu de 46% para 40% no período. Por outro lado,
Flávio avançou de 36% para 42%.
Quaest 15/4/2026: A pesquisa Quaest entrevistou 2.004
pessoas entre os dias 9 e 13 de abril. A pesquisa foi contratada pelo Banco
Genial S.A. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para
menos. O nível de confiança é de 95%. Registro no TSE nº BR-09285/2026.
Futura Inteligência 14/4/2026: 2.000 entrevistados pelo
instituto Futura Inteligência entre os dias 7 a 11 de abril de 2026. A pesquisa
para presidente da República foi contratada pelo Futura Pesquisas e Assessorias
Ltda. Nível de confiança: 95%. Margem de erro: 2,2 pontos percentuais. Registro
no TSE nº BR-08282/2026.
Datafolha 11/4/2026: 2.004 entrevistados pelo Datafolha
entre os dias 7 e 9 de abril de 2026. A pesquisa foi contratada pela Folha de
S. Paulo. Nível de confiança: 95%. Margem de erro: 2 pontos percentuais.
Registro no TSE nº BR-03770/2026.
Meio/Ideia 8/4/2026: O Instituto Ideia ouviu 1.500 eleitores
entre 3 e 7 de abril de 2026. A pesquisa foi encomendada pelo Canal Meio S.A. A
margem de erro é de 2,5 pontos percentuais, para mais ou para menos. O nível de
confiança é de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior
Eleitoral sob o protocolo BR-00605/2026.
Quaest 16/12/2025: A pesquisa Genial/Quaest ouviu 2.004
pessoas de 16 anos ou mais, presencialmente, entre os dias 11 e 14 de dezembro.
A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos. O nível de
confiança é de 95%.
Gustavo Ribeiro - Gazeta do Povo.
O Voto de Gilmar Mendes: Pura Contradição
No mês passado, o voto de Gilmar Mendes pela soltura de Vorcaro foi pura contradição. Com seu posicionamento, o Supremo manteve a prisão de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O placar de 4 a 0 parece, à primeira vista, uma vitória da justiça e do rigor técnico; entretanto — e para surpresa de ninguém —, o que encontramos no voto do ministro foi um cenário lamentável de incoerências.
Ele gastou boa parte da argumentação criticando o que chamou de "conceitos elásticos" para manter alguém preso, como o clamor público e a garantia da ordem econômica. Elásticos, talvez, sejam os 129 milhões de reais em contratos com a família Moraes. É fácil perceber que o voto de Gilmar é pautado pela conveniência.
Em um caso de fraude bilionária, com provas robustas, um voto isolado pela soltura deixaria escancarada a proteção ao réu. Assim, Gilmar entregou o resultado que a sociedade exigia, mas fez questão de plantar a semente da nulidade futura ao atacar os métodos da investigação. Ele utiliza o julgamento dos envolvidos no caso do Banco Master para atacar operações passadas, como a Lava Jato, tentando comparar o cenário atual ao que chama de "frenesi midiático".
Questionou até a transferência do réu para um presídio de segurança máxima, mostrando-se mais preocupado com o conforto do investigado do que com a eficácia da lei. Votou com a maioria para não se desgastar. Mantém a cela fechada hoje, mas deixa a chave na fechadura para que a defesa a gire na primeira oportunidade técnica que surgir.
O discurso de Gilmar não convence mais ninguém. No fim das contas, o que o cidadão brasileiro deseja é coerência. Se há crime e há risco, a prisão se impõe por justiça, e não por medo da opinião pública.
Lamentavelmente, o posicionamento do ministro
reflete uma justiça de conveniências, com um voto que tenta, apenas, salvar as
aparências.
Vicente
Lino.











