O TSE retoma
o jogo sujo contra Deltan Dallagnol.
Gazeta do Povo
TSE
suspendeu campanha de Deltan Dallagnol com base em alegações sem fundamento que
remetem a 2023.
A
perseguição do petismo a todos os agentes da lei que conduziram a Operação Lava
Jato e botaram peixes graúdos do partido na cadeia – inclusive o presidente
Lula, antes que ele tivesse suas condenações revogadas pelo STF e voltasse a
ser um ficha-limpa – não terminará até que ex-juízes e ex-procuradores tenham
suas carreiras inviabilizadas e sejam definitivamente transformados nos vilões
da história. Deltan Dallagnol, que coordenou a força-tarefa da Lava Jato no
Ministério Público Federal, voltou a ser alvo da ofensiva petista quando se
candidatou ao Senado Federal; seus adversários querem tirá-lo da disputa, custe
o que custar. E estão conseguindo a ajuda do mesmo Tribunal Superior Eleitoral
que, teratologicamente, tomou de Dallagnol o mandato de deputado federal
conquistado em 2022.
No sábado,
dia 19, o ministro Floriano de Azevedo Marques concedeu liminar suspendendo a
campanha de Dallagnol, a pedido do PT. Ele não pode usar fundos públicos, nem
veicular propaganda no rádio e na televisão, e está impedido de participar de
debates – restrições quase idênticas às impostas no fim de agosto por Dias
Toffoli ao candidato Renan Santos, que disputa a Presidência da República. Os
petistas estavam indignados com a decisão do Tribunal Regional Eleitoral do
Paraná, que atestou a elegibilidade de Dallagnol no início de setembro. Para
derrubar a decisão da Justiça Eleitoral paranaense, Azevedo Marques ressuscitou
um dos maiores absurdos já cometidos pelo TSE, a unanimidade em torno da “bola
de cristal” de Benedito Gonçalves – aquele, dos tapinhas amigáveis dados por
Lula, do “missão dada é missão cumprida”, e que prometeu estar “sempre à
disposição” de Daniel Vorcaro.
A
perseguição a Dallagnol no TSE é um lembrete importantíssimo do enorme mal
causado ao país por uma Justiça aparelhada e que julga com critérios políticos
Em 2022, o
ex-procurador foi o candidato a deputado federal mais votado do Paraná. Sua
candidatura foi contestada pelos “suspeitos de sempre”, mas o TRE-PR reconheceu
por unanimidade que não havia irregularidade alguma; afinal, a Lei da Ficha
Limpa considera inelegíveis aqueles que tenham pedido exoneração do Ministério
Público enquanto respondem a processo administrativo disciplinar, mas este não
era o caso de Dallagnol quando de sua saída do MPF, em 2021. No TSE, tudo
mudou. Para contornar a verdade dos fatos, Gonçalves recorreu à futurologia: as
reclamações que de fato havia contra Dallagnol poderiam se tornar PADs; assim,
o pedido de exoneração seria uma ação deliberada para burlar a Lei da Ficha
Limpa, e só isso já bastava para cassar o registro de candidatura. Um absurdo
evidente, que nem o TSE nem o Supremo Tribunal Federal corrigiram
posteriormente.
Pois o
ministro Azevedo Marques – indicado por Lula, e muito próximo de Alexandre de
Moraes, alvo frequente das críticas de Dallagnol – resolveu ignorar o absurdo
da decisão de 2023 (que poderia e deveria ser revista) e o fato de que ela só
produzia efeitos para aquele pleito específico, como demonstraram os pareceres
de eminentes eleitoralistas. Como se não bastasse, ainda afirmou não haver
“fatos supervenientes” que permitissem atestar a eligibilidade do
ex-procurador. Mentira completa: Dallagnol apresentou, no recente julgamento no
TRE, farta documentação atestando que o convite do Podemos para entrar na
carreira política veio antes do pedido de exoneração; além disso, nenhuma das
reclamações, pedidos de providências ou sindicâncias existentes contra
Dallagnol quando de sua saída do MPF se converteu em PAD, mesmo quando os alvos
incluíam procuradores que permaneceram no órgão – ou seja, a futurologia de
Gonçalves estava furada.
Apenas muita
ignorância ou muito comprometimento político-partidário explicam que alguém não
considere esses elementos mais que suficientes para atestar o erro de 2023 e a
regularidade da atual candidatura de Dallagnol. No entanto, a ignorância e o
comprometimento parecem ser mercadoria abundante também no plenário do TSE, que
formou maioria na tarde desta segunda-feira para manter a suspensão da campanha
do ex-procurador, graças aos votos dos ministros Estela Aranha, Ricardo Villas
Bôas Cueva e Dias Toffoli, um dos maiores protagonistas do desmonte da Lava
Jato no STF.
Mesmo com a
campanha suspensa, Dallagnol segue candidato e aparecerá na urna. Ainda assim,
o TSE acaba de nos dar uma triste prévia do que pode ocorrer quando a corte for
provocada a julgar, mais uma vez, a elegibilidade do agora candidato ao Senado.
Um tribunal que deixasse de lado as conveniências políticas e agisse guiado
pelo que diz a lei e pelo autêntico senso de justiça não permitiria outro
desfecho que não fosse o reconhecimento da elegibilidade de Dallagnol,
permitindo que seja única e exclusivamente o eleitor paranaense a decidir se
ele merece ou não um mandato. No entanto, é preciso admitir que perspectivas
atuais não são animadoras.
A
perseguição a Dallagnol no TSE é um lembrete importantíssimo do enorme mal
causado ao país por uma Justiça aparelhada e que julga com critérios políticos.
Em outubro, o brasileiro elegerá não apenas a pessoa que escolhe os membros dos
tribunais superiores – Supremo, STJ e TSE –, mas também as pessoas que têm o
dever constitucional de ser o contrapeso quando esses magistrados abusam de seu
poder. O Senado tem se omitido vergonhosamente nessa tarefa, pois os
parlamentares de coragem ainda são minoria; assim, eles são incapazes, por
exemplo, de impedir que um pusilânime como Davi Alcolumbre ocupe a presidência
da casa e segure todos os pedidos de impeachment. Não desperdicemos nosso voto
com covardes.
Gazeta do
Povo