terça-feira, 8 de setembro de 2026

 

André Mendonça, o homem que disseNÃO

 Paulo Briguet



O poder tirânico não deixará de fazer o mal enquanto ninguém o impedir. Só parará de cometer atrocidades quando alguém disser NÃO.

Quando Jesus chegou à terra dos gerasenos — uma região predominantemente pagã —, veio ter com Ele um homem dominado por um espírito imundo, que morava nos sepulcros. O Filho de Deus lhe pergunta:

— Qual é o teu nome?

— Meu nome é Legião, somos muitos.

Essa passagem nos mostra que um ditador — mesmo que exerça o seu domínio sobre a alma de uma única pessoa — nunca age sozinho: ele necessita de uma rede de apoiadores, cúmplices, comparsas. Todo tirano depende de uma cadeia de comando formada por indivíduos que obedeçam às suas ordens.

Neste fim de semana, assisti a um filme perturbador, indicado pelo meu amigo e leitor Douglas Correia: “Speak No Evil” (Não Fale o Mal), que mostra as ações de um casal de psicopatas contra uma família dinamarquesa. O diálogo que mais me deixou estarrecido se deu quando uma das vítimas pergunta ao agressor:

— Por que vocês estão fazendo isso conosco?

— Porque vocês deixaram.

Essa resposta nos ensina que o psicopata, uma vez imbuído de poder e meios de ação, não deixará de fazer o mal enquanto ninguém o impedir. Ele só vai parar de cometer atrocidades quando alguém disser NÃO.

Alexandre de Moraes é uma prova viva das duas teses que acabei de expor. Há sete anos e meio, desde a abertura do Inquérito do Fim do Mundo, esse ditador inspirado pelas profundezas comete o mal em série, tendo destruído a vida de milhares de pessoas e sepultado o império da lei no país. As ações desse personagem maligno resultaram na completa inversão ontológica da realidade no Brasil, como bem apontou o ministro André Mendonça na decisão que determinou o afastamento do chefe da Stasi de Lula, Andrei Rodrigues:

“Diante do quadro ora apresentado, que mais se assemelha ao cenário concebido por George Orwell em sua célebre distopia, intitulada “1984”, verifica-se, a mais não poder, que [a] a produção dos ‘relatórios de inteligência’ em questão, [b] o fato de sobre eles ter sido dada ciência prévia ao Ministro Alexandre de Moraes e [c] a posterior divulgação desses “documentos”, revelam fatos de extrema gravidade, com repercussões não apenas no plano institucional, mas também quanto à segurança e integridade pessoal de integrante deste Supremo”.

André Mendonça teve a coragem de dizer NÃO ao ditador — e de punir um de seus principais cúmplices. Esse NÃO deve agora ecoar por todo o Brasil diante das decisões ilegais do atual regime. Brasileiros, é hora de dizer NÃO aos assassinos da liberdade e da lei em nosso país. Só assim venceremos essa legião do mal absoluto que se instalou no poder em 2002.

 “A superlativa gravidade e ilicitude na produção dos ‘relatórios de inteligência’ publicizados pelo Ministro Alexandre de Moraes impõe a adoção de providências imediatas para evitar que as prerrogativas da magistratura, da advocacia pública e da própria atividade policial continuem sendo vilipendiadas.”

 

(André Mendonça, 8 de setembro de 2026)

  Paulo Briguet



 Falta pouco. É preciso coragem e   perseverança.


O jornalista Fernão Lara Mesquita produziu mais um brilhante texto, no qual afirma que Alexandre de Moraes não sente remorso ou culpa após prejudicar alguém, além de apresentar comportamento impulsivo ou irresponsável. Ao analisar os milhões nas contas do ministro ele lembra que as instituições estão funcionando apenas para os bandidos.

 É chegado o momento de voltar à ordem natural das coisas, onde as narrativas é que têm de decorrer dos fatos. Segundo ele, Lula é falso e Alexandre de Moraes é a falsificação ao quadrado. Os inquéritos dele são falsos; as provas que ele fabrica são falsas; os processos que ele arma são falsos; os vereditos que ele dita são falsos; a quadrilha que ele chefia é falsa. O Brasil real não acredita nele. A Polícia Federal de verdade não acredita nele. A imprensa de esquerda do mundo civilizado não acredita nele. O resto do mundo não acredita nele.

 Há que se tratar Alexandre de Moraes como aquilo que ele é: negar a trama golpista e denunciar o golpe que está havendo agora; reinstalar o eleitor como única fonte de legitimidade para restabelecer o Estado de Direito e prender os bandidos. Tem de começar agora, em todos os palácios e nos baixos de todas as tetas.

 Enquanto a realidade for regida pela ficção, nós continuaremos nessa loucura em que nada faz sentido. O eleitor deve manter a pressão máxima e eleger um Senado capaz de desinfetar a caixa-preta que a imprensa vier a abrir.

Depois punir rigorosamente os culpados; ou continuaremos a chafurdar na lama em que nos meteram.

Vicente Lino.



segunda-feira, 7 de setembro de 2026

 Corte de exceção:  A Troca de Favores   Sequestra a Democracia.



O pedido de Alexandre de Moraes para investigar André Mendonça expõe uma disputa interna no Supremo Tribunal Federal e comprova a deterioração institucional de uma corte que, há muito, parece funcionar sob a lógica da autoproteção e do cálculo político. Ao receber a solicitação sem impor contrapesos imediatos, Edson Fachin deixa a impressão de que investigações de alto impacto se transformam em moeda de troca ou salvaguardas corporativistas.

 É fácil perceber que essa reação orquestrada visa blindar figuras-chave do poder e conter apurações que ameaçam a estabilidade da cúpula política e judiciária. O que testemunhamos, mais uma vez, é o desgaste acelerado da credibilidade do Judiciário e a consolidação de uma descrença profunda de que ainda possa haver qualquer desfecho imparcial, sério ou honrado. O resultado desta manobra inaceitável é a erosão da confiança nas instituições democráticas. 

Sem margem para reação, o cidadão assiste ao aparelhamento do Estado em benefício daqueles que sequestraram o regime democrático em favor de interesses próprios. Este triste episódio remete ao lamentável histórico da Operação Lava Jato: o presidente e os demais implicados foram soltos, as confissões documentadas foram ignoradas e todo o processo acabou anulado. Hoje, os envolvidos desfrutam do dinheiro devolvido e se regozijam com o perdão de multas bilionárias.

 Exige-se, portanto, uma postura firme e imediata. É indispensável que a imprensa cumpra seu papel fiscalizador, que as entidades de classe rompam o silêncio e que a classe política, ao lado de toda a sociedade, reaja com indignação e altivez. 

Se não houver uma mobilização irrestrita e corajosa de todos nós, jamais sairemos desse abismo.

  Vicente Lino.



 

domingo, 6 de setembro de 2026

 A cronologia do absurdo.

João Luiz Mauad



Exposto em conversas indefensáveis com o hoje presidiário Daniel Vorcaro, o ministro Alexandre de Moraes sacou do coldre o inquérito das fake news e apontou-o para a cabeça do seu colega de Corte, André Mendonça, mergulhando o Supremo numa crise nunca vista. Ministros do STF se disseram perplexos. Democratas se abanaram. O presidente Lula apressou-se em afetar indignação.

Ninguém duvida de que a crise é abissal. Mas tanta surpresa não se justifica. Alexandre de Moraes não acordou um dia transformado em Alexandre de Moraes. Tampouco virou sozinho o que é.

Nessa transmutação, o inquérito das fake news é apontado como a origem da audácia aparentemente sem limites de Moraes. Menos lembrado é o episódio que o gerou. No dia 8 de fevereiro de 2019, a imprensa publicou que a Receita Federal fazia análises preliminares sobre a variação no patrimônio do ministro Gilmar Mendes e de sua então mulher, Guiomar Mendes. No dia 25, revelou-se que também a então mulher do ministro Dias Toffoli, Roberta Rangel, constava da lista de 133 contribuintes selecionados pela peneira da Equipe Especial de Programação de Combate a Fraudes Tributárias. As informações, protegidas por sigilo fiscal, foram vazadas irregularmente. Os ministros se enfureceram e, no dia 26 de fevereiro, a Receita informou não ter encontrado indícios que justificassem investigações contra Gilmar, Guiomar Mendes e Roberta Rangel.

Essa foi a gênese do inquérito das fake news — nascido no dia 14 de março daquele ano. Embora o STF estivesse sob ataque — bolsonaristas pediam seu fechamento, e ministros eram ameaçados —, a cronologia e o objeto que Moraes conferiu à investigação revelam que ele surgiu menos da proclamada defesa da democracia que de um impulso de autopreservação: resguardar ministros e familiares dos efeitos da divulgação ilegal de informações patrimoniais que atingiam um ministro e as mulheres de dois integrantes da Corte — ambas advogadas, como Viviane Barci de Moraes, a mulher de Moraes. A própria portaria inaugural do inquérito definia como objeto “notícias fraudulentas (fake news), denunciações caluniosas, ameaças e infrações (...) que atingem a honorabilidade e a segurança do Supremo Tribunal Federal, de seus membros e familiares”.

Cinco dias depois, Moraes decidiu ampliar-lhe o escopo. No novo rol de crimes a ser investigados pelo doravante imortal 4.781, Moraes incluiu o vazamento de informações e documentos sigilosos destinado a atribuir ou insinuar a prática de ilícitos por integrantes do STF — fundamentos que agora invocou na destemperada tentativa, contida por Edson Fachin, de vingar-se do colega Mendonça.

A partir daí, a história é conhecida: à sombra do inquérito das fake news, Moraes censurou uma reportagem da revista Crusoé que mencionava Toffoli; suspendeu apurações da Receita sobre 133 dos 134 contribuintes selecionados e ordenou o afastamento de dois auditores; determinou que o Fisco rastreasse acessos aos dados de ministros e de cerca de cem parentes; e quebrou o sigilo da fonte de um jornalista que publicara reportagens sobre familiares do colega Flávio Dino.

O poder de Moraes cresceu num ambiente em que cada heterodoxia sua recebia guarida de parte da sociedade não apenas em nome da excepcionalidade do combate ao golpismo, mas, da parte do STF, em nome do corporativismo também. O STF Futebol Clube nunca falhou com Moraes porque Moraes nunca falhou com ele.

Diz-se que o poder absoluto corrompe absolutamente. Antes disso, porém, o poder excessivo costuma produzir algo mais banal — a perda de medida. O “posso porque preciso” de Moraes transformou-se pouco a pouco em “posso porque posso”.

Moraes não nasceu ontem, o Brasil o viu crescer. A prosperarem os acordos que se avistam, ele se tornará presidente da Corte no ano que vem e, nessa condição, o rosto da Justiça brasileira.

Essa aberração, os ministros ainda podem poupar ao país.

João Luiz Mauad



 Há um golpe em curso no Brasil.

 Augusto de Franco.





Escritor denuncia articulação política para proteger Lula e blindar Alexandre de Moraes

O escritor Augusto de Franco, disparou um alerta severo sobre uma suposta ameaça à democracia brasileira, intitulado “Há um golpe em curso no Brasil”. O artigo, que ganhou destaque ao ser compartilhado pelo ex-deputado Roberto Freire, sustenta a existência de uma articulação política orquestrada para favorecer a reeleição do presidente Lula e obstruir investigações cruciais que poderiam atingir integrantes do governo atual e do Supremo Tribunal Federal (STF).

A análise de Franco ganha um peso especial devido à sua trajetória. Nascido em 1950, ele integrou a direção nacional do PT entre 1982 e 1993, período no qual ocupou funções relevantes na estrutura partidária, sendo uma testemunha viva dos bastidores da máquina petista. Franco concentra suas críticas diretamente no embate envolvendo os ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes, questionando a atuação de setores do STF e alegando que há uma tentativa clara de retirar relatorias de Mendonça relacionadas a investigações consideradas politicamente sensíveis.

O autor vai além da disputa pessoal entre os dois magistrados, insistindo que esses episódios devem ser analisados com base nos fatos e acusações envolvendo Moraes e seu círculo próximo. Franco também aponta as recentes revelações sobre o empresário Daniel Vorcaro, questionando a postura das autoridades diante dessas informações e demandando que investigações relativas a Moraes, à Procuradoria-Geral da República (PGR) e à Polícia Federal avancem com total independência.

Na visão do escritor, este cenário tende a se agravar drasticamente com a aproximação das eleições presidenciais em 2026. Ele sustenta que investigações capazes de tocar figuras próximas ao governo deveriam ser preservadas de qualquer interferência política para garantir o devido processo legal, algo que, segundo Franco, tem sido sistematicamente atacado pela base governista e pelo próprio PT. O ex-petista conclui defendendo uma reação imediata da sociedade brasileira contra os riscos impostos à democracia pelas manobras do sistema político vigente.

Publicado pelo Portal VV8TV

Augusto de Franco.



sexta-feira, 4 de setembro de 2026

 O Caso Banco Master e o Risco da Impunidade Institucional.

Vicente Lino.





Como se sabe, a impunidade acompanha a alta cúpula dos Poderes desde sempre. Por isso mesmo, é preciso muita cautela antes de afirmar que, desta vez, os culpados serão punidos. 

As gravações no celular de Daniel Vorcaro, investigado por fraudes financeiras, são evidências muito fortes de seu envolvimento com o ministro Alexandre de Moraes, o procurador-geral Paulo Gonet e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Se a trinca será punida, é outra história.
 
O contraste é perturbador. Enquanto assistíamos ao endurecimento de cautelares, prisões preventivas, privações sem o devido processo legal e punições sem as garantias fundamentais, os bastidores do poder revelavam as tenebrosas transações agora descobertas. 

Um dos magistrados mais poderosos da Corte celebrou contratos milionários com o Banco Master e editou seus termos contratuais. Esse comportamento evidencia um ambiente de tolerância e privilégio inacessível ao cidadão comum. Por enquanto, nenhuma providência foi tomada.

 Temos, de um lado, pessoas submetidas ao rigor do Estado, sem acesso aos autos e enfrentando o peso de decisões monocráticas e irreversíveis. Do outro, um investigado que se sente à vontade para solicitar intervenções junto à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República, além de consultar prazos para uma eventual fuga do país. 

O Brasil que presta quer saber se haverá, finalmente, uma resposta à altura, ou se vai assistir a mais uma "operação abafa". Historicamente, quando a tigrada é flagrada cometendo crimes, o sistema se fecha em autoproteção, arrastando prazos e alegando nulidades.
 
Se a justiça não prevalecer agora, restará a falência moral do nosso sistema: o rigor da lei que esmaga os vulneráveis enquanto concede salvo-conduto aos poderosos — como, aliás, sempre foi.

   Vicente Lino.




 

 

  O Resgate da República Não Pode Esperar

   Vicente Lino


É absolutamente inacreditável o tenebroso espetáculo no Brasil de hoje. Depois das revelações da Polícia Federal o Congresso se reuniu para votar a taxa das blusinhas e o fim da escala 6x1.

 É também estarrecedor que, diante de um emaranhado de conversas, pedidos de blindagem e contratos milionários que chocam a ética pública, a sociedade ainda esteja especulando nos bastidores para saber quem, na mais alta corte do país, é a favor ou contra essa verdadeira monstruosidade institucional. 

O que foi divulgado deveria obrigar que a imparcialidade e a honra fossem exigidas e providências imediatas fossem coercitivamente tomadas. Diante do desmoronamento do pudor e dos princípios, o Congresso debate projetos pontuais e eleitoreiros como se a casa da democracia não estivesse vendo o país se afundar sob a magnitude deste escândalo. Ignorar a gravidade dos fatos não é apenas covardia; é cumplicidade com a degradação das instituições.

 Apesar de tudo, ainda há luz no meio deste caos. Abre-se a oportunidade histórica de finalmente sanear a República, expurgando-a de seus corrompedores e punindo severamente quem usou o poder estatal para promover abusos, perseguições e blindagens espúrias. Não podemos aceitar o abafamento nem a normalização do inaceitável.

 O Senado Federal tem o dever cívico de votar o impeachment e o afastamento definitivo de quem manchou o decoro e a dignidade do cargo.  É preciso ir além das palavras e exigir a rigorosa punição e a total reparação pelos males já praticados por essa trinca fisiológica e sombria citada nas conversas. 

Ou o Congresso assume seu papel histórico agora, ou perderá a sua última gota de legitimidade perante o povo brasileiro. O Brasil decente exige limpeza institucional, punição aos responsáveis e o resgate urgente da moralidade! 

  Vicente Lino.