sexta-feira, 13 de março de 2026

 Denunciado, Dino ordena busca e apreensão contra jornalista.





Alexandre de Moraes, aquele cuja família tem um contrato com Daniel Vorcaro do Banco Master que lhes garante 3 milhões e 600 mil reais POR MÊS, e cuja esposa acaba de ser denunciada como tendo falseado uma “prova” dos serviços prestados ao estelionatário preso, ordenou busca e apreensão de celulares, computadores, tablets, documentos e outros dispositivos eletrônicos do jornalista Luís Pablo, responsável pelo site Blog do Luís Pablo, com sede em São Luís, após reportagens sobre o uso irregular do carro funcional do ministro Flávio Dino no Maranhão.

A medida foi solicitada pela Polícia Federal dentro de investigação sobre suposto “crime de perseguição”, “indícios de monitoramento do veículo de Dino” e “exposição de informações sensíveis relacionadas à segurança do ministro”.

No mundo real o que houve foram reportagens de novembro de 2025 que detalharam o uso de um veículo blindado do Tribunal de Justiça do Maranhão, o estado mais pobre do Brasil, por familiares do ministro, contra o que manda a lei.

Os itens que podem ser apreendidos incluem:

Computadores e notebooks usados para publicações;

Celulares e tablets do jornalista;

Documentos físicos e digitais relacionados às matérias;

Arquivos em serviços de armazenamento em nuvem;

Publicações em redes sociais e blogs.

Ao jornal O Globo que, após revelar o contrato milionário da família do ministro, teve seus jornalistas veladamente ameaçados, Moraes, interrogado, respondeu que “a inviolabilidade domiciliar é uma garantia constitucional, mas pode ser afastada quando há indícios de crime”.

O jornalista Luís Pablo, como de hábito na “democracia lulista”, não teve acesso aos autos para entender os fundamentos da acusação que lhe imputam, mas reafirmou o compromisso com o jornalismo responsável e a apuração de fatos de interesse público, respeitando os princípios que garant(iam) a liberdade de imprensa e o direito à informação.

A Ordem dos Advogados do Brasil no Maranhão (OAB-MA) comentou o fato com a meia-sola de sempre, dizendo que buscas e apreensões devem ser “executadas com cautela”, respeitando a preservação do sigilo de fonte e o livre exercício do jornalismo.

Como não aconteceu nada nem com Moraes, nem com Tóffoli, depois dos flagrantes em que foram pegos e das respostas esfarrapadas que deram, e a imprensa continua hesitando em tratá-los como o que suas contas bancárias provam que são, eles houveram por bem avançar pelas bordas sobre os jornalistas, para decidir quando poderão “quebrar os dentes” aos do centro.

Fernão Lara Mesquita.



 Demorou, mas o Conselho de Ética do Senado acordou.





Demorou muito, mas finalmente o Partido Novo decidiu protocolar uma representação contra Davi Alcolumbre no Conselho de Ética. A demora em confrontar o presidente do Senado permitiu que um vácuo de fiscalização se instalasse no Brasil. A covardia, que estendeu um tapete vermelho para o avanço de medidas ilegais de ministros do STF, pode ser estancada com o afastamento de Davi Alcolumbre.

 Além de barrar a fiscalização de outros Poderes, ele soterrou pautas essenciais para o país, como a prisão em segunda instância, o fim do foro privilegiado e a Lei de Abuso de Autoridade. Mais: ele afirmou que não pautaria um pedido de impeachment contra ministros do STF nem que recebesse as 81 assinaturas dos senadores. Por isso mesmo, cerca de 60 pedidos de impeachment foram arquivados sumariamente — um deles com mais de 3 milhões de assinaturas populares.

 Vale lembrar que as investigações que apuram o escândalo dos aposentados envolvem estruturas políticas em seu estado, o Amapá. São suspeitas que reforçam a tese de que o controle da pauta do Senado pode estar sendo usado como moeda de troca para proteção política. O Brasil não pode mais ficar refém de um único homem. É urgente a alteração do Regimento Interno do Senado para que decisões que impactam a vida de milhões de brasileiros sejam colegiadas ou tenham prazos para ocorrer.

 Não é razoável que o funcionamento de um país inteiro e a harmonia entre os Poderes dependam de uma única pessoa. Faltam a Davi Alcolumbre os requisitos essenciais para a Presidência do Senado: a coragem de decidir e a honradez para nos representar.

Vicente Lino.



 Gilmar Mendes e a seletividade   da  barbárie.





Os vazamentos das conversas nos celulares do dono do Banco Master revelaram uma proximidade suspeita entre o banqueiro e altas autoridades. Curiosamente, o que choca o ministro Gilmar Mendes não é o conteúdo das mensagens, e sim o vazamento de conversas entre Daniel Vorcaro e sua namorada.

Para Gilmar, isso é "barbárie institucional". Enquanto sua excelência se preocupa com a intimidade do banqueiro, o país descobre um submundo de violência e corrupção.  Ele finge ignorar que a extração de dados revelou diálogos que a Polícia Federal descreve como típicos de uma verdadeira organização criminosa. Nas mensagens, Vorcaro manifestou a intenção de agredir o jornalista Lauro Jardim, afirmando textualmente: "Quero mandar dar um pau nele. Quebrar todos os dentes. Num assalto". Em outro momento, ordenou "moer" uma ex-empregada. 

Vazamentos mostraram que uma quadrilha de hackers era usada para acessar ilegalmente bases de dados do Ministério Público, da Polícia Federal e até do FBI. Gilmar acha que isso não configura barbárie institucional e ainda ignora as trocas de mensagens entre Vorcaro e seu cunhado, Fabiano Zettel, que indicam o pagamento de propinas a diretores do Banco Central e registros sugerindo viagens à Disney para funcionários do BC em troca de "orientações" privilegiadas. Os vazamentos que Gilmar Mendes deveria condenar  mostram que a rede de contatos de Vorcaro incluía três ministros do STF e seus parentes.

 Ele também não condena as trocas de mensagens de Vorcaro com Alexandre de Moraes no dia da primeira prisão do banqueiro, além de diálogos com Dias Toffoli que levaram a PF a pedir a suspeição do ministro. Para Gilmar Mendes, nada disso abala as instituições. 

Convenientemente, a única barbárie que ele enxerga é a que atinge a intimidade de quem é investigado.

   Vicente Lino.



quarta-feira, 11 de março de 2026

 

Por Fernão Lara Mesquta.

Em 25 de abril de 2024, os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, do STF, e o delegado Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal, participaram de uma degustação exclusiva do whisky escocês Macallan no George Club, um clube privado alugado para eventos de elite na região de Mayfair — uma das áreas mais caras e sofisticadas de Londres —, organizada durante o 1º Fórum Jurídico – Brasil de Ideias, realizado de 24 a 26 de abril e patrocinado pelo Banco Master, controlado pelo empresário Daniel Vorcaro, que hoje está preso por liderar um esquema bilionário de fraudes, mas, na ocasião, estava brindando com três das mais poderosas autoridades do país, entre outras.

Ao lado de Moraes, Vorcaro e Andrei, estavam também o ministro do STJ Benedito Gonçalves, o advogado de Vorcaro Ciro Soares, o presidente da Câmara Hugo Motta, o procurador-geral da República Paulo Gonet e o então ministro da Justiça Ricardo Lewandowski, entre cerca de 40 autoridades e convidados que degustaram o Macallan e fumaram charutos oferecidos gratuitamente durante as duas horas de evento.

Segundo apurou o Peder360 com base em documentos enviados à CPMI do INSS, a degustação no George Club custou US$ 640.831,88 (cerca de R$ 3,2 milhões na cotação de abril de 2024), valor que cobriu o whisky premium, serviços gastronômicos e entretenimento, pago integralmente por Vorcaro, que se gabou à ex-namorada Martha Graeff: “Todos os ministros do Brasil, do STF, STJ etc. E euzinho discursando”; ao fim, cada participante recebeu uma garrafa de edição especial do Macallan como presente — preços do tradicional e renomado single malt variam de R$ 1 mil (12 anos de envelhecimento) a mais de US$ 100 mil (72 anos, “Genesis Decanter”).

Reunião que destituiu Toffoli

Esse encontro em Londres foi mencionado em sessão fechada do STF em 12 de fevereiro de 2026, que afastou Dias Toffoli da relatoria do inquérito do Banco Master, com base em relatório de 200 páginas da PF citando sua proximidade com Vorcaro.

Na reunião, vazada por alguém cuja identidade não se sabe até hoje, embora haja algumas suspeitas, Moraes defendeu os integrantes do STF Futebol Clube: “Nesse encontro em Londres, vários estávamos lá. Eu estava lá. Andrei Rodrigues estava lá. Depois fomos todos juntos a um pub, tomamos Macallan [o whisky escocês]”, referindo-se ao George Club.

O ministro André Mendonça, que assumiu a relatoria do caso no Supremo, não participou do evento em Londres.

No dia seguinte, 26 de abril, as mesmas autoridades bancadas por Vorcaro foram ao exclusivo Annabel’s, outro clube privado de Mayfair, para um happy hour e jantar, integrando o pacote total de eventos em Londres — que incluiu hospedagem no hotel de luxo The Peninsula e apresentações de artistas como DJ Hugel, Keinemusik, cantor Seal, banda do Annabel’s e Nikita Kuzmin, no museu Wallace Collection e outros locais —, custando US$ 6.035.922,37 no conjunto.

Os pagamentos de Vorcaro

Em abril de 2024, mês da degustação, a mulher de Alexandre de Moraes, a advogada Viviane Barci de Moraes, já prestava serviço ao Banco Master, considerando que os atendimentos previstos no contrato de R$ 129 milhões tiveram início em fevereiro de 2024, cerca de 2 meses antes da viagem a Londres, conforme ela mesmo declarou – interrompido pela liquidação do banco pelo BC, o contrato vigorou por 22 meses e rendeu cerca de R$ 80 milhões aos Moraes.

O escritório da família de Ricardo Lewandowski também trabalhou para o banqueiro, recebendo R$ 250 mil por mês de agosto de 2023 a setembro de 2025 – ou seja, enquanto degustava um Mcallan em Londres, Lewandowski era ministro da Justiça de Lula e seu escritório tinha como cliente o banco de Daniel Vorcaro, com quem se regozijou naquela noite.

Dias Toffoli é outro que tinha negócios com Daniel Vorcaro na ocasião.

Um fundo ligado ao cunhado do banqueiro, o pastor Fabiano Zettel, repassou R$ 35 milhões à empresa do ministro em sociedade com seus irmão, a Maridt, para adquirir a participação deles no resort de luxo Tayayá, em Ribeirão Claro (PR), conforme extratos bancários e mensagens apreendidas pela PF no celular de Vorcaro.

Depois do evento de Londres, Vorcaro cobrou duas vezes seu cunhado desse pagamento. Primeiro em maio: “Você não resolveu o aporte do fundo Tayayá? Estou em situação ruim”.

Depois, em agosto, novamente: “Aquele negócio do Tayayá não foi feito? […] Cara, me deu um puta problema. Onde tá a grana?” —, e Zettel confirmou: “Pagamos 20 milhões lá atrás. Agora mais 15 milhões”.

O Poder360 questionou a Polícia Federal sobre quem custeou a viagem de seu diretor-geral, mas não obteve resposta.


Quem mais estava lá?

Outros nomes que participaram do evento, mas não necessariamente estiveram na degustação ou outros jantares:

  • Alexandre Cordeiro (presidente do Cade);
  • André Ramos Tavares (ministro do TSE);
  • Antonio Saldanha Palheiro (ministro do STJ);
  • Ciro Nogueira (senador pelo Piauí e presidente do PP);
  • Daiane Nogueira de Lira (conselheira do CNJ);
  • Davi Alcolumbre (senador pelo União Brasil do Amapá);
  • Gilmar Mendes (ministro do STF);
  • Jorge Messias (ministro da Advocacia Geral da União);
  • José Levi Mello do Amaral Jr (conselheiro do Cade);
  • Luis Felipe Salomão (ministro do STJ);
  • Mauro Campbell Marques (ministro do STJ);
  • Michel Temer (ex-presidente da República);
  • Raul Araújo (ministro do STJ e do TSE); Victor Fernandes (conselheiro do Cade).
   Fernão Lara Mesquita.




  A crise entre os ministros do STF.




É triste o espetáculo na nossa mais alta Corte de justiça. André Mendonça reafirmou o papel do Judiciário como guardião da ordem e da probidade ao decretar a prisão de Daniel Vorcaro, Gilmar Mendes lançou uma sombra de corporativismo sobre a justiça ao decretar a suspensão da quebra de sigilo da Maridt Participações, empresa ligada à família do ministro Dias Toffoli, reativando um processo arquivado há anos. 

 Essa "manobra interna" sinaliza para a sociedade que, no STF, as conexões do investigado podem valer mais do que o rito processual. Quando a cúpula do Judiciário se fecha para proteger os seus, o conceito de "igualdade perante a lei" torna-se uma peça de ficção. A coisa não para por aí porque, do outro lado da Praça dos Três Poderes, a Procuradoria-Geral da República parece sofrer de uma miopia conveniente.

 O Procurador, Pauo Gonet alegou falta de "perigo iminente" para se opor às medidas contra o grupo Daniel Vorcaro — envolvido em suspeitas graves de corrupção.

 Na cabeça dele não havia pressa nenhuma. André Mendonça, em postura exemplar lamentou a inércia do Procurador e agiu afastando servidores e suspendendo empresas operadas para o pagamento de propina. Foi a demonstração de que ainda há, no Supremo, quem trate o crime de colarinho branco com o rigor que a gravidade exige.

 Essa disparidade de comportamentos entre Mendonça, de um lado, e o bloco Gilmar-Toffoli-Gonet, do outro, nos faz indagar como pode o cidadão confiar no sistema quando as regras mudam conforme o réu.  Enquanto Mendonça tenta manter o barco no prumo, as manobras de bastidores ameaçam afundar a última reserva de esperança do brasileiro na justiça.

  Vicente Lino



 

 

terça-feira, 10 de março de 2026

 Com ele flagrante não cola. Moraes   vai continuar quebrando dentes

Fernão Lara Mesquita




 O presidente do STF, Edson Fachin, acaba de nomear o delegado Fábio Shor, como assessor de Alexandre de Moraes na corte suprema de Justiça do Brasil lulista.

Logo, você que acreditou que, com o flagrante de roubalheira no STF, o Brasil endireitava, tire o seu cavalinho da chuva.

A escolha do personagem e o momento selecionado para elevá-lo ao Olimpo não poderiam ser mais carregados de presságios.

Fábio Schor é aquele distinto cavalheiro da PolÍcia Federal que melhor traduz a nobreza de alma de Alexandre de Moraes.

Foi ele que, em missão especial de intimidação da filha menor de idade do jornalista Oswaldo Eustáquio, asilado pela Espanha esquerdista como perseguido político, que fazia uma vaquinha na internet para sustentar a família que Moraes queria na miséria, passava a mão na genitália da menina enquanto ameaçava, aos gritos, ela e sua mãe.

Ele atuou em todos os processos mais dramaticamente patéticos relacionados ao 8/1, tais como o das jóias sauditas, arquivado até pelo obediente Paulo Gonet na semana passada e o da “Abin paralela”…

Foi ele também que colheu os depoimentos feitos, refeitos e tresfeitos até a 11a versão que finalmente satisfez o seu chefe, do tenente coronel Mauro Cid.

É ele, finalmente, quem assina o indiciamento de Jair Bolsonaro e outras 36 pessoas que levou o ministro assalariado de Daniel Vorcaro a condenar o ex-presidente a 27 anos e 3 meses de prisão.

Agora, premiado com cargo no gabinete de Moraes, vai assessorar o ministro em ações criminais a serem julgadas pelo probo magistrado na Suprema Corte.

Fica, portanto, mais uma vez demonstrado, que como cada um dos 10 sabe tudo que os outros 9 fizeram, eles vão até o fim final, agarradinhos uns nos outros.

De modo que jornalistas e André Mendonça que se cuidem. Eles pretendem quebrar muitos dentes e outros ossos maiores daqui em diante.

  Fernão Lara Mesquita



Há pouca esperança de mudança no cenário político..



 

 Mais uma manifestação pelo Brasil afora confirma a insatisfação popular com a Justiça e o governo. Tem sido assim, embora não ocorra nenhuma mudança real no cenário político. Talvez a questão central seja o comportamento de nossos congressistas: afinal, são eles que detêm o poder democrático para propor leis capazes de melhorar o país. Ocorre que propor mudanças requer coragem, desprendimento e a defesa de valores inegociáveis.

 Ao examinarmos o Congresso, é fácil fazer uma leitura realista das ações de nossos representantes: o Estado tornou-se um sistema fechado em si mesmo, onde ninguém tem incentivo individual para mudar o comportamento. O custo da mudança pode ser alto. O parlamentar corre o risco de perder o cargo, ser processado ou ficar sem verba. 

Frequentemente, esse custo é percebido como maior do que o benefício de manter o sistema como está. A barreira já começa na entrada da vida parlamentar: para eleger alguém "puro", é necessário vencer o coeficiente eleitoral, o que exige fundo partidário e tempo de TV — recursos controlados justamente pelos caciques que o sistema protege. 

Além disso, no Congresso, o parlamentar que de fato age a favor da população não recebe relatorias importantes, suas emendas não são liberadas e ele é excluído das decisões de cúpula. O sistema o torna irrelevante por asfixia política. Não há como esperar soluções mágicas vindas de Brasília, pois o sistema é profissional na blindagem e na perpetuação deste modelo. 

Os competentes, corretos e, principalmente, incorruptíveis, são hoje insuficientes para mudar o desolado sistema político que impede o desenvolvimento institucional do país.

      Vicente Lino.