segunda-feira, 16 de março de 2026

 O sepultamento da dignidade no Congresso.


Já falamos por aqui, mas vale repetir. A política brasileira se encaminha para um cenário que, se confirmado, será um dos episódios mais sombrios da nossa história institucional. A proposta de "trocar" a memória e as punições do 8 de janeiro pelo apagamento das investigações envolvendo o Banco Master é um escárnio e a prova definitiva de que, para o "sistema", as instituições não passam de fichas em um tabuleiro de cassino.

 Não se pode chamar esse absurdo de acordo político, mas de um cadáver insepulto da moralidade pública. É como se dissessem; vocês não investigam a roubalheira de 47 bilhões do Banco Master, não indiciam políticos e nem mexem com ministros envolvidos no escândalo. Em troca, nós derrubamos o veto de Lula a dosimetria das penas das pessoas que, injustamente estão presas por conta de um golpe de estado que nunca houve.

 Fingem desconhecer as ilegalidades do processo, as penas desproporcionais e ignoram que idosos de mais de 60, 70 anos de idade foram injustamente condenadas por pessoas diretamente envolvidas nos crimes agora investigados. De um lado, utilizam o peso do Estado para punir inocentes e, de outro, usam o silêncio e a caneta para blindar o poder financeiro e as sombras que pairam sobre o Banco Master.

 Essa simetria do absurdo sugere que a democracia é apenas um biombo para proteger interesses do capital que financia o silêncio. Gente séria não negocia a aplicação da lei nem faz "limpeza de histórico" em troca de pacificação política. Suas excelências querem uma anistia de conveniência que insulta cada brasileiro que ainda acredita na justiça. Políticos exibem abjeta cegueira deliberada sobre o sistema financeiro e suas criminosas conexões.

 Esse acordo vai sepultar a pouca dignidade que ainda resta no Congresso.

 Vicente Lino.


 

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