segunda-feira, 26 de outubro de 2026

 O pesadelo continua: com Lula reeleito, país terá mais erosão institucional, fiscal e moral.

Rodrigo Constantino.



O resultado da eleição de 2026 foi a confirmação de que o sistema consegue se perpetuar. Lula saiu do primeiro turno atrás de Flávio Bolsonaro e, no segundo, “virou” com margem estreita depois que seu ex-advogado no Supremo, Cristiano Zanin, prorrogou a votação no país inteiro por liminar monocrática. Como registrei no X ao longo do dia, algo estranho estava no ar desde cedo: ônibus adesivados por sindicalistas ligados ao PT, artistas com vídeos prontos, a máquina pronta para agir. Não se trata de teoria da conspiração. Trata-se de padrão. Há muito em jogo para essa quadrilha simplesmente aceitar uma derrota nas urnas. A Bahia, como em outras ocasiões, pesou de forma desproporcional.

O Datafolha, que historicamente superestimou o petista, desta vez “errou” para baixo. Lula, que teve péssimo desempenho nos debates da Band e da Globo, virou dez milhões de votos!  Não há romance nisso. Há realismo. A eleição terminou. A batalha pela sobrevivência institucional e econômica do país continua. O tom é sombrio porque a situação é sombria. O que resta é reduzir danos agora e preparar, com frieza, o impeachment que o próprio Centrão acabará por enxergar como necessário. Os isentões que se recusaram a votar em Flávio por picuinhas ambientais, culturais ou por achar que o “miliciano” era pior que o PT agora colhem o que plantaram. O resultado matemático está aí: Lula permanece. Os escândalos do INSS e do Banco Master também. As estatais continuam com seus rombos. O aparelhamento das instituições será total. Venezuela vem aí...O país terá mais tempo de erosão institucional, fiscal e moral.

 A partir de agora, o espaço para ilusão acabou. Não há mais “virada de urna” pela frente nem narrativa de que o mercado ou o Congresso vão “domesticar” o governo. Olhar para o norte na esperança de um milagre vindo do Trump é bobagem também. O que resta é mitigar os estragos onde ainda é possível – estados, municípios, bancadas no Congresso, controle de orçamento, fiscalização de estatais e fundos – e organizar, com método e persistência, o caminho para o impeachment de Lula. Não é vingança. É defesa do que ainda resta de República. O Centrão, como sempre, será decisivo. Não por convicção, mas por interesse. Na época de Dilma, a crise fiscal, a inflação e a recessão fizeram o bloco perceber que a galinha dos ovos de ouro estava morrendo.

Emendas, cargos, fundos e a própria arrecadação começaram a secar. O impeachment não foi um ato de pureza moral; foi o momento em que o custo de sustentar o governo superou o benefício do loteamento. O mesmo cálculo voltará a se impor. Quatro anos adicionais de PT, com o mesmo estilo de gestão fiscal expansionista, uso da máquina e captura de instituições, produzem o mesmo efeito: a fonte de recursos que alimenta o Centrão vai secar.

 Quando a conta chegar – e ela chega –, o medo de ficar sem a galinha fala mais alto do que qualquer acordo de gabinete. Enquanto isso, o trabalho imediato é de contenção do estrago. O Congresso que se elegeu tem força para frear o pior, se quiser. O Senado, que já discute impeachments no Supremo, terá de ampliar o olhar para o Executivo. Os governadores de oposição terão de resistir à pressão por pactos que entreguem o controle de políticas locais. E a sociedade, que viu a margem estreita e as irregularidades do processo, precisa manter pressão constante.

 O lulismo não se dissolve sozinho. Ele se desgasta quando o custo político e econômico se torna insuportável para quem o sustenta. Lula está indo para seu quarto mandato, o que só ditadores tiveram. Somando com a Dilma, o PT estará no poder por mais do que uma geração inteira. Muita gente não viveu outra coisa, à exceção do breve intervalo de Jair Bolsonaro, impedido de governar pelo ativismo judicial e a pandemia.

 

 Rodrigo Constantino.




 O Supremo avançou sobre as prerrogativas do TSE e   aprofundou a crise.


 

Cristiano Zanin sabe que normatizar os procedimentos e fiscalizar a legalidade das campanhas são prerrogativas do TSE para assegurar a equidade do processo, a transparência na contagem dos votos e a soberania da vontade popular. Não há confiança quando o Supremo, no lugar de se abster, ultrapassa suas competências e interfere no equilíbrio entre os Poderes, atuando como um ator político em vez de um árbitro neutro. Sabemos que a anulação das condenações de Lula pelo Supremo, seu retorno à vida pública e sua eleição à Presidência contaram com a participação decisiva de ministros do STF, e isso gera desconfiança, principalmente sobre o seu ex-advogado. 

Os laços anteriores entre magistrados e partes interessadas em causas de enorme peso nacional fragilizam a justiça, aprofundam a polarização e comprometem a segurança jurídica necessária para a saúde das instituições. Cristiano Zanin sabe que o cumprimento das competências do Tribunal Superior Eleitoral é suficiente para assegurar a transparência, a equidade e a integridade de todo o processo.

 A legislação brasileira confere ao TSE um conjunto completo de atribuições normativas, administrativas e jurisdicionais que, quando aplicadas dentro dos limites legais, garantem a lisura das eleições sem a necessidade de intervenções extraordinárias. O fortalecimento institucional do TSE passa pelo respeito e pelo exercício autônomo e técnico dessas prerrogativas. Infelizmente, a Suprema Corte não se absteve e avançou sobre o rito eleitoral, afetou a neutralidade do pleito e minou a confiança no voto popular. 

A verdadeira saúde democrática exige que cada tribunal atue estritamente no seu quadrado constitucional, mas pedir isto ao Supremo Tribunal Federal de hoje é perda de tempo. Essa contaminação política do Poder Judiciário aprofunda a divisão social e compromete a legitimidade das instituições. 

O resultado das eleições está contaminado.

 Vicente Lino.



 O fim do Brasil: crônica de uma eleição envenenada.

Paulo Briguet.




“Neste quarto mandato, a gente vai poder dizer: ‘O Brasil acabou’.”

(Luiz Inácio Lula da Silva)

 E não é que o Lula estava certo? O Brasil acabou. Repetiu-se aqui a mesma artimanha que ocorreu nas eleições venezuelanas de 2015. Naquela ocasião, o Conselho Nacional Eleitoral (CNE), órgão sob forte influência do governo socialista de Nicolás Maduro, determinou de última hora a prorrogação do funcionamento das mesas de votação por mais uma hora — estendendo o fechamento das 18h para as 19h locais.

Neste domingo, até as 16h52, tudo parecia definido. Ninguém, em sã consciência, colocava em dúvida a vitória de Flávio Bolsonaro nas eleições presidenciais. Era líquido e certo. Todas as pesquisas apontavam um só resultado. As agências internacionais e os modelos matemáticos também eram unânimes.

Eu sabia. Você sabia. Nós sabíamos. Os eleitores dos dois lados sabiam. Flávio sabia. Até o Lula sabia.

Mas então apareceu um personagem.

Cristiano Zanin, o advogado pessoal que Lula transformou em ministro da Suprema Corte, decidiu prorrogar as eleições até às 19 horas em todo o território brasileiro. A decisão monocrática de Zanin envenenou uma eleição que a todos parecia decidida.

A interferência de Zanin é um escândalo histórico, possivelmente a maior irresponsabilidade já cometida por uma autoridade eleitoral no Brasil.

 Ademais, é preciso dizer com todas as letras: o sistema eleitoral não permite uma auditoria do resultado. Estamos diante da tirania dos elétrons. As eleições brasileiras são algo como um jogo de futebol para cegos: sabemos que existe uma bola, mas não sabemos onde ela está, e o juiz muda as regras do jogo em cima da hora.

 Foi declarado vencedor das eleições o candidato que, no pleito anterior, já se beneficiara de um golpe cuidadosamente montado para tirá-lo da cadeia e colocá-lo na cadeira presidencial. O mesmo candidato que, utilizando a máquina do Estado, criou mais um rombo de R$ 400 bilhões no orçamento federal, o que aumentará a catastrófica dívida pública do país. O nome disso, todos sabem, é compra de votos.

 No debate da última sexta-feira, o Brasil inteiro viu que Lula não possui hoje a menor condição cognitiva para continuar no cargo. Um cadáver político foi reeleito; sua permanência no cargo máximo da República significará o esfacelamento geral do país.

Há 12 anos, Olavo de Carvalho descrevia o quadro que estamos vivendo hoje com uma espantosa clarividência:

“O que se observa no Brasil é o fenômeno da decomposição: financeira, administrativa, moral, cultural. O Brasil é um país que está se desfazendo diante de nós. A corrupção galopante que ninguém consegue deter, a magnífica compra de consciências com a qual se transforma o Supremo Tribunal Federal num escritório do Partido, são apenas sintomas da decomposição moral. (...) Eles continuarão parasitando as fraquezas do sistema e roubando como doidos. ”

Diante desse quadro, o que posso dizer aos meus sete leitores é muito simples: em breve, a população brasileira vai descobrir que as únicas formas de garantir alguma esperança para os nossos filhos são a oposição sistemática, por meio dos nossos representantes eleitos, e a desobediência civil pacífica, por meio da sociedade.

 O Brasil terá dias muito difíceis pela frente. Portanto, resta-nos voltar nossas faces para Deus e para os nossos intercessores no Céu.

Ó Virgem dolorosíssima, as vossas lágrimas derrubaram o império infernal.

São Frei Galvão, rogai por nós. São José de Anchieta, rogai por nós. Nossa Senhora Aparecida, padroeira e rainha do Brasil, rogai por nós.


    Paulo Briguet

 

 Escritor, jornalista, palestrante e professor de literatura




sexta-feira, 23 de outubro de 2026

 A Pacificação do País Exige Justiça e Fim da Impunidade.






Muito se fala em pacificar o Brasil, mas é preciso deixar claro: não existe pacificação sem justiça. O que assistimos nos últimos anos foi um sistemático esvaziamento do valor das leis, dos direitos humanos e das garantias da cidadania. A ordem jurídica foi virada do avesso, e órgãos do Judiciário — com destaque para o STF e o TSE — acabaram extrapolando suas atribuições constitucionais, trocando a estabilidade institucional pela insegurança jurídica.

 Para que o país encontre um rumo pacífico e duradouro, o reordenamento do sistema de justiça é inegociável. O Judiciário precisa ser trazido de volta aos trilhos do devido processo legal, do respeito estrito às leis e aos limites da Constituição. Pacificação verdadeira não significa passar uma borracha sobre os erros cometidos. Não se constrói uma nação soberana sobre a impunidade.

 Sem o devido julgamento e a punição exemplar dos culpados, qualquer discurso de pacificação será apenas mais um triste e perigoso arranjo político. E acordos de conveniência não pacificam: eles estimulam novas aventuras autoritárias e abrem portas para novos escândalos de corrupção. É preciso interromper de vez essa sequência macabra de episódios que sangram o país repetidamente. A história recente nos expõe a uma verdadeira sucessão de escândalos: do Mensalão à Lava Jato, passando pelas recentes fraudes no INSS e pelo escândalo do Banco Master. A conta desses esquemas é estarrecedora. Ao somar os rombos e rombos acumulados dessas operações e fraudes, calcula-se que mais de uma centena de bilhões de reais foram desviados dos cofres públicos ou drenados do sistema produtivo ao longo das últimas décadas. 

Quanto custou essa ganância ao cidadão brasileiro? Quantos hospitais de excelência deixaram de ser construídos? Quantas escolas de tempo integral poderiam estar abertas? Quantas obras de infraestrutura, saneamento básico e segurança pública deixaram de sair do papel por conta do dinheiro drenado pelo crime colarinho-branco? Pacificação com impunidade é apenas uma trégua temporária para quem cometeu crimes.

O Brasil só será um país verdadeiramente pacificado, estável e próspero quando as instituições voltarem a servir à lei, quando os dinheiros públicos forem protegidos e quando a impunidade deixar de ser a regra do jogo.

Vicente Lino.


 


quinta-feira, 22 de outubro de 2026

 Dívida externa, mais uma herança maldita de Lula

 Gazeta do Povo

  


Pela primeira vez desde 2007, dívida externa brasileira supera soma das reservas internacionais e dos créditos brasileiros no exterior.

A dívida externa está de volta. Segundo dados do Banco Central obtidos pelo jornal O Estado de S.Paulo, as reservas internacionais brasileiras (incluindo os créditos no exterior) já não são suficientes para cobrir todo o endividamento do Brasil no exterior, ou seja, em termos líquidos, o país deixou de ser credor e voltou a ser devedor – o saldo negativo foi de US$ 5,1 bilhões em junho deste ano, de acordo com o BC. É a primeira vez que isso ocorre desde 2007; além disso, os US$ 407,1 bilhões que governo, bancos e empresas brasileiros devem no exterior correspondem ao maior valor em 40 anos de série histórica. Ainda que a dívida externa corresponda a uma fração muito baixa do PIB, e que as reservas brasileiras sigam elevadas e sejam mais que suficientes para honrar os vencimentos de curto prazo, o fim do status de “credor líquido” acende um alerta e dificulta a posição do Brasil diante de investidores internacionais e agências de classificação de risco.

Lula adora o mantra da “herança maldita” para se referir aos governos que o antecederam, dizendo (de forma mentirosa) que recebeu um país “quebrado” tanto em 2003 quanto em 2023. Mas é o petismo que tem se esmerado em deixar heranças malditas para seus sucessores, e não será diferente com Lula 3, caso seu adversário Flávio Bolsonaro saia vencedor no próximo domingo. É o longo período de governo do PT, com três mandatos de Lula e os seis anos e meio de Dilma Rousseff, o principal responsável pelos problemas e pelo atraso de um país que, embora rico de recursos naturais, continua pobre, com baixa renda por habitante e sem as bases principais para expansão da economia nas próximas décadas a fim de elevar a renda por habitante, reduzir a pobreza e melhorar o padrão médio de bem-estar social da população.

Lula adora o mantra da “herança maldita” para se referir aos governos que o antecederam, mas é o petismo que tem se esmerado em deixar heranças malditas para seus sucessores

Lula termina seu terceiro mandato com déficit primário em todos os quatro anos – e o número real é bem pior que o oficial, tantas as exceções introduzidas por governo, Congresso e STF para efeitos de cumprimento da meta fiscal. A gastança forçou o BC a elevar os juros, que hoje são a última barreira que impede a disparada da inflação – e ainda assim o IPCA ronda o limite máximo de tolerância da meta. A dívida pública saltou dez pontos como proporção do PIB. E, para se reeleger, Lula já comprometeu cerca de R$ 300 bilhões em medidas eleitoreiras.

 

Em meio a tantos indicadores catastróficos, resta o desemprego, cuja taxa tem estado nos níveis mais baixos da série histórica. Ainda assim, há muito a ponderar sobre este número, que sofre a influência das mudanças tecnológicas no sistema produtivo, principalmente daquelas que venham a substituir trabalho humano por máquinas e sistemas inteligentes mais modernos e mais eficientes. Os indicadores de desemprego atuais, embora sejam bons, omitem o fato de a economia brasileira estar superaquecida devido aos estímulos do governo, repetindo a estratégia da “nova matriz econômica” e que já mostrou estar se esgotando. Além disso, permanecem problemas como os baixos salários médios nos empregos de mão de obra não qualificada, e a estagnação no nível de ocupação (o porcentual de pessoas em idade de trabalhar que estão ocupadas), que desde a recuperação pós-pandemia tem ficado na casa dos 57% ou 58%, os mesmos níveis pré-crise de 2015-16. E sempre é preciso recordar que a metodologia de cálculo do desemprego não inclui os brasileiros em idade de trabalhar que, ao passarem muito tempo buscando ocupação formal, desistem de procurar ao não encontraram colocação que lhes satisfaça.

institucional do país, com a retomada da democracia e do respeito às liberdades após anos de juristocracia e perseguição, são ainda mais urgentes na mente de boa parte do eleitorado. Mas isso não tira relevância da forma irresponsável como Lula conduziu a economia brasileira nestes quatro anos. Se não houver uma guinada que crie um clima de otimismo em relação ao mundo do trabalho e dos negócios, outros problemas não serão solucionados, outras necessidades não serão atendidas, e o país será mantido na estagnação da renda por habitante e longe do sonho de ser um país desenvolvido.

Ficou célebre uma expressão cunhada por James Carville, estrategista político da campanha eleitoral norte-americana de 1992, em que Bill Clinton disputou a presidência dos Estados Unidos contra George H. W. Bush. “It’s the economy, stupid!” (“é a economia, estúpido!”) tornou-se um bordão que sobreviveu à disputa na qual Clinton acabou eleito. No Brasil de 2026, diante do avanço das facções criminosas ou do agigantamento do STF, transformado em tribunal político por seus membros, não podemos esquecer do buraco em que Lula colocou o Brasil em termos econômicos, e do qual não sairemos se o petista conquistar seu quarto mandato. O retorno do Brasil à condição de devedor internacional é um forte lembrete de que o slogan de 1992 precisa ser adaptado para os nossos tempos: “é o STF, é a segurança pública, mas é a economia também, estúpido!”


Gazeta do Povo.



 Um teatro de justiça que favorece a impunidade.




A toda hora um depoimento é adiado nesta intrincada e suspeita investigação sobre a roubalheira que levou o Banco Master à lona. O que se vê agora é uma verdadeira sequência de privilégios e favorecimentos sob a forma de sucessivos adiamentos de oitivas e depoimentos. 

A lista não é pequena: o controlador do banco BTG Pactual, André Esteves, teve o depoimento cancelado após alegação de "compromissos profissionais", ficando sem nova data definida. O ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, teve a oitiva cancelada a pedido da defesa. Jaques Wagner, senador pelo PT-BA e investigado na operação, teve o depoimento suspenso sob a alegação de falta de acesso integral aos autos. Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro, teve o depoimento suspenso três vezes, alegando falta de acesso aos autos. E o próprio Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, já acumula sucessivos reagendamentos e adiamentos ao longo de meses.

 Ninguém fala nada, ninguém denuncia ninguém, tem pouca gente presa e altas autoridades usam de benevolência e tolerância processual para postergar depoimentos explosivos. Enquanto a Polícia Federal reclama do estrangulamento de sua agenda e alerta que esse empurrar de barriga inviabiliza o cumprimento dos prazos e atrasa relatórios, o Judiciário aceita passivamente essa tática defensiva. 

A gente sempre soube de que lado está o Judiciário quando investigações sobre poderosos batem à sua porta. É impossível esquecer a existência de duas tramas paralelas quando examinamos as ações da Justiça nos episódios do 8 de Janeiro. Vimos a tigrada acelerar a tramitação e atropelar garantias processuais para condenar e prender inocentes com o claro objetivo de respaldar a eleição de Lula e consolidar seu projeto de poder. Naquele momento, esse mesmo Judiciário afirmava que suas ações eram em defesa da democracia. 

Um dia ainda saberemos em que tipo de democracia essa gente transita.

Vicente Lino.

quarta-feira, 21 de outubro de 2026

 De um lado, o julgmento relâmpago; de outro, a espera sem   fim.




A Polícia Federal (PF) pediu mais tempo para investigar Lulinha e Roberta Luchsinger. Com isso, após o fim do prazo inicial de 60 dias, as investigações sobre tráfico de influência em contratos com o poder público terão que esperar.

O episódio entre Alexandre de Moraes e Roberto Mantovani Filho, no Aeroporto Internacional de Roma, ocorreu em uma sexta-feira. Apenas quatro dias depois, a PF já cumpria mandados de busca e apreensão na casa do empresário, em Santa Bárbara d'Oeste. No entanto, agora a PF quer mais tempo para investigar Lulinha e Roberta Luchsinger.

O ex-deputado federal Daniel Silveira publicou um vídeo com críticas aos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) no dia 16 de fevereiro. No mesmo dia, às 23 horas, a Polícia Federal o prendeu por determinação de Alexandre de Moraes. Mas, para investigar Lulinha e Roberta Luchsinger, a PF volta a pedir mais tempo.

Segundo os comandados de Andrei Rodrigues, “foram determinadas diversas diligências em prol da investigação, as quais ainda pendem de conclusão, notadamente em razão do exíguo lapso temporal transcorrido desde sua determinação”.

No dia 8 de janeiro de 2023, quando um grupo de pessoas invadiu os prédios públicos em Brasília, cerca de 240 pessoas foram presas na mesma tarde. Na manhã do dia 9, aproximadamente 1.900 pessoas foram detidas. Contudo, a PF de Andrei Rodrigues e Fabio Shor acaba de informar que, para investigar Lulinha e Roberta Luchsinger, “mostra-se necessária a dilação do prazo para a conclusão das diligências em curso”.

Para a cassação de Deltan Dallagnol, eleito o deputado federal mais votado da história do Paraná, a leitura do voto do relator, ministro Benedito Gonçalves, durou cerca de 1 hora e 30 minutos, e a votação dos outros seis ministros levou exatamente 1 minuto e 6 segundos.

Mesmo assim, a PF pede mais prazo para investigar Lulinha e Roberta Luchsinger. No futuro, talvez os historiadores consigam explicar por que descemos a tamanha profundidade.


  Vicente Lino.