O fim do Brasil: crônica de uma eleição envenenada.
Paulo Briguet.
“Neste quarto mandato, a gente vai poder dizer: ‘O Brasil acabou’.”
(Luiz Inácio Lula da Silva)
E não é que o Lula
estava certo? O Brasil acabou. Repetiu-se aqui a mesma artimanha que ocorreu
nas eleições venezuelanas de 2015. Naquela ocasião, o Conselho Nacional
Eleitoral (CNE), órgão sob forte influência do governo socialista de Nicolás
Maduro, determinou de última hora a prorrogação do funcionamento das mesas de
votação por mais uma hora — estendendo o fechamento das 18h para as 19h locais.
Neste domingo, até as 16h52, tudo parecia definido. Ninguém,
em sã consciência, colocava em dúvida a vitória de Flávio Bolsonaro nas
eleições presidenciais. Era líquido e certo. Todas as pesquisas apontavam um só
resultado. As agências internacionais e os modelos matemáticos também eram
unânimes.
Eu sabia. Você sabia. Nós sabíamos. Os eleitores dos dois
lados sabiam. Flávio sabia. Até o Lula sabia.
Mas então apareceu um personagem.
Cristiano Zanin, o advogado pessoal que Lula transformou em
ministro da Suprema Corte, decidiu prorrogar as eleições até às 19 horas em
todo o território brasileiro. A decisão monocrática de Zanin envenenou uma
eleição que a todos parecia decidida.
A interferência de Zanin é um escândalo histórico,
possivelmente a maior irresponsabilidade já cometida por uma autoridade
eleitoral no Brasil.
Ademais, é preciso
dizer com todas as letras: o sistema eleitoral não permite uma auditoria do
resultado. Estamos diante da tirania dos elétrons. As eleições brasileiras são
algo como um jogo de futebol para cegos: sabemos que existe uma bola, mas não
sabemos onde ela está, e o juiz muda as regras do jogo em cima da hora.
Foi declarado vencedor
das eleições o candidato que, no pleito anterior, já se beneficiara de um golpe
cuidadosamente montado para tirá-lo da cadeia e colocá-lo na cadeira
presidencial. O mesmo candidato que, utilizando a máquina do Estado, criou mais
um rombo de R$ 400 bilhões no orçamento federal, o que aumentará a catastrófica
dívida pública do país. O nome disso, todos sabem, é compra de votos.
No debate da última
sexta-feira, o Brasil inteiro viu que Lula não possui hoje a menor condição
cognitiva para continuar no cargo. Um cadáver político foi reeleito; sua
permanência no cargo máximo da República significará o esfacelamento geral do
país.
Há 12 anos, Olavo de Carvalho descrevia o quadro que estamos
vivendo hoje com uma espantosa clarividência:
“O que se observa no Brasil é o fenômeno da decomposição:
financeira, administrativa, moral, cultural. O Brasil é um país que está se
desfazendo diante de nós. A corrupção galopante que ninguém consegue deter, a
magnífica compra de consciências com a qual se transforma o Supremo Tribunal
Federal num escritório do Partido, são apenas sintomas da decomposição moral.
(...) Eles continuarão parasitando as fraquezas do sistema e roubando como doidos.
”
Diante desse quadro, o que posso dizer aos meus sete leitores
é muito simples: em breve, a população brasileira vai descobrir que as únicas
formas de garantir alguma esperança para os nossos filhos são a oposição
sistemática, por meio dos nossos representantes eleitos, e a desobediência
civil pacífica, por meio da sociedade.
O Brasil terá dias
muito difíceis pela frente. Portanto, resta-nos voltar nossas faces para Deus e
para os nossos intercessores no Céu.
Ó Virgem dolorosíssima, as vossas lágrimas derrubaram o
império infernal.
São Frei Galvão, rogai por nós. São José de Anchieta, rogai
por nós. Nossa Senhora Aparecida, padroeira e rainha do Brasil, rogai por nós.
Paulo Briguet


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