O pesadelo continua: com Lula reeleito, país terá mais erosão institucional, fiscal e moral.
Rodrigo Constantino.
O resultado da eleição de 2026 foi a confirmação de que o
sistema consegue se perpetuar. Lula saiu do primeiro turno atrás de Flávio
Bolsonaro e, no segundo, “virou” com margem estreita depois que seu ex-advogado
no Supremo, Cristiano Zanin, prorrogou a votação no país inteiro por liminar
monocrática. Como registrei no X ao longo do dia, algo estranho estava no ar
desde cedo: ônibus adesivados por sindicalistas ligados ao PT, artistas com
vídeos prontos, a máquina pronta para agir. Não se trata de teoria da
conspiração. Trata-se de padrão. Há muito em jogo para essa quadrilha
simplesmente aceitar uma derrota nas urnas. A Bahia, como em outras ocasiões,
pesou de forma desproporcional.
O Datafolha, que historicamente superestimou o petista, desta
vez “errou” para baixo. Lula, que teve péssimo desempenho nos debates da Band e
da Globo, virou dez milhões de votos! Não
há romance nisso. Há realismo. A eleição terminou. A batalha pela sobrevivência
institucional e econômica do país continua. O tom é sombrio porque a situação é
sombria. O que resta é reduzir danos agora e preparar, com frieza, o
impeachment que o próprio Centrão acabará por enxergar como necessário. Os
isentões que se recusaram a votar em Flávio por picuinhas ambientais, culturais
ou por achar que o “miliciano” era pior que o PT agora colhem o que plantaram.
O resultado matemático está aí: Lula permanece. Os escândalos do INSS e do Banco
Master também. As estatais continuam com seus rombos. O aparelhamento das
instituições será total. Venezuela vem aí...O país terá mais tempo de erosão
institucional, fiscal e moral.
A partir de agora, o
espaço para ilusão acabou. Não há mais “virada de urna” pela frente nem
narrativa de que o mercado ou o Congresso vão “domesticar” o governo. Olhar
para o norte na esperança de um milagre vindo do Trump é bobagem também. O que
resta é mitigar os estragos onde ainda é possível – estados, municípios, bancadas
no Congresso, controle de orçamento, fiscalização de estatais e fundos – e
organizar, com método e persistência, o caminho para o impeachment de Lula. Não
é vingança. É defesa do que ainda resta de República. O Centrão, como sempre,
será decisivo. Não por convicção, mas por interesse. Na época de Dilma, a crise
fiscal, a inflação e a recessão fizeram o bloco perceber que a galinha dos ovos
de ouro estava morrendo.
Emendas, cargos, fundos e a própria arrecadação começaram a
secar. O impeachment não foi um ato de pureza moral; foi o momento em que o
custo de sustentar o governo superou o benefício do loteamento. O mesmo cálculo
voltará a se impor. Quatro anos adicionais de PT, com o mesmo estilo de gestão
fiscal expansionista, uso da máquina e captura de instituições, produzem o
mesmo efeito: a fonte de recursos que alimenta o Centrão vai secar.
Quando a conta chegar
– e ela chega –, o medo de ficar sem a galinha fala mais alto do que qualquer
acordo de gabinete. Enquanto isso, o trabalho imediato é de contenção do
estrago. O Congresso que se elegeu tem força para frear o pior, se quiser. O
Senado, que já discute impeachments no Supremo, terá de ampliar o olhar para o
Executivo. Os governadores de oposição terão de resistir à pressão por pactos
que entreguem o controle de políticas locais. E a sociedade, que viu a margem
estreita e as irregularidades do processo, precisa manter pressão constante.
O lulismo não se
dissolve sozinho. Ele se desgasta quando o custo político e econômico se torna
insuportável para quem o sustenta. Lula está indo para seu quarto mandato, o
que só ditadores tiveram. Somando com a Dilma, o PT estará no poder por mais do
que uma geração inteira. Muita gente não viveu outra coisa, à exceção do breve
intervalo de Jair Bolsonaro, impedido de governar pelo ativismo judicial e a
pandemia.
Rodrigo
Constantino.


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