Ações pró-aborto do governo Lula vão de sugestão a gestantes a lobby internacional
Angélica Favretto
Lula em discurso na Assembleia Geral da ONU, em 2023. Nesse
ano, o Itamaraty, sob seu comando, assumiu uma postura pró-aborto inédita.
(Foto: Ricardo Stuckert/Presidência da República)
Não é preciso vasculhar muito no histórico de ações dos governos de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em seus três mandatos, para ter provas de que há uma fixação pela questão pró-aborto. Em geral, com o discurso do cuidado com a mulher e de defesa dos “direitos reprodutivos”, às vezes de forma discreta e, em outros momentos, abertamente, as gestões de Lula buscam avançar com essa agenda.
O caso mais recente é o da Caderneta da Gestante que, em sua
nova versão, traz informações sobre o aborto a mulheres que estão em pré-natal.
Em um capítulo inteiro, intitulado “Condições específicas na gestação”, o
documento apresenta questões sobre gestação não desejada, gestação não
planejada e formas de violência, apresentando a mulheres que desejam manter a
gestação informações sobre como abortar.
O defensor público federal e colunista da Gazeta do Povo,
Danilo de Almeida Martins, que é atuante no movimento pró-vida e membro da
Associação de Juristas Católicos de Brasília, lembra que desde o início deste
governo o PT tem articulado ações para que a agenda pró-aborto avance, mesmo
que não diretamente, mas pelas mãos de outros partidos, como o PSOL.
“Foi o caso de fevereiro de 2024, quando o Ministério da
Saúde publicou uma portaria que autorizava o abortamento em qualquer idade
gestacional. Como houve uma intensa repercussão, a ministra Nísia Trindade
anulou a portaria dois dias depois. Só que em abril o PSOL ingressou com a ADPF
1141, cujo intento é justamente liberar o abortamento em qualquer fase da
gestação”, diz ele e conclui: “Ou é muita coincidência, ou eles agem juntos”.
Durante a campanha eleitoral de 2022, Lula tentou convencer
o eleitor de que seria favorável à vida e contrário ao aborto. Nesse contexto,
o TSE chegou a proibir manifestações que relacionassem o petista à pauta
abortista, como a realizada pela coligação do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Mas logo nas primeiras semanas da nova gestão, em 2023, quatro
situações confirmaram o histórico abortista dos governos Lula e do PT,
colocando por terra a “conversa de bom moço” que ele tentou emplacar para
voltar à Presidência. Duas escolhas para comandarem importantes ministérios
reforçaram isso.
Aparecida Gonçalves, escolhida na ocasião como ministra das
Mulheres, disse que o aborto era questão de saúde pública, e que mesmo que o
governo enfrentasse dificuldades junto ao Congresso, avançaria em tudo o que
fosse possível nessa área. Dias antes, Nísia Trindade, que havia sido designada
para a pasta da Saúde, disse algo semelhante, ao sinalizar que lutaria pelos
“direitos reprodutivos da mulher”, um claro eufemismo para o aborto.
Aliás, a chegada de Nísia Trindade ao Ministério da Saúde
foi marcada pela revogação de uma série de portarias pró-vida, com o pretexto
que elas ofendiam “a ciência, os direitos humanos, os direitos sexuais e
reprodutivos” e que transformariam “várias posições do Ministério da Saúde em
uma agenda conservadora e negacionista”. Entre essas portarias estava a de nº
2.282, de 27 de agosto de 2020, que facilitava a identificação do estuprador.
Com a revogação, tornou-se mais difícil investigar o autor do estupro, abrindo
margem para o aborto em casos de falsas alegações de violência sexual.
No dia seguinte à revogação da portaria nº 2.282/2020, o
governo Lula tomou outra decisão perigosa: a saída do acordo internacional do
Consenso de Genebra, em defesa da vida, da saúde das mulheres, do
fortalecimento da família e da soberania de cada nação na política global. A
justificativa foi a mesma de tantas outras, se apoiando no “direito reprodutivo
da mulher”. Em nota conjunta dos ministérios dos Direitos Humanos e da
Cidadania (MDHC), das Mulheres, da Saúde e das Relações Exteriores, o governo
argumentou que o acordo continha “entendimento limitativo dos direitos sexuais
e reprodutivos e do conceito de família e pode comprometer a plena
implementação da legislação nacional sobre a matéria, incluindo os princípios
do SUS".
Ainda em 2023, no mês de setembro, novamente com a pauta do
aborto em evidência, por conta do julgamento pelo Supremo Tribunal Federal
(STF) da ADPF 442, que pode descriminalizar o aborto até a 12ª semana de
gestação, Lula silenciou. O motivo? O alto custo político sobre uma manifestação
favorável ou contrária à legalização, além de um possível confronto com
ministros do STF.
Em 2024, notas técnicas, resoluções e lobby internacional
pró-aborto
Se em 20 anos desde seu primeiro mandato o percurso de Lula
na busca pela legalização do aborto não se alterou, não seria um novo ano que
faria isso. Já no início de 2024, uma nova orientação do Ministério da Saúde
excluiu o limite temporal para o procedimento, que anteriormente era de 21
semanas e 6 dias (depois disso, o bebê é capaz de sobreviver fora do útero),
possibilitando o aborto, nos casos não punidos pela legislação brasileira, até
os nove meses de gestação. Após duras críticas, no entanto, a nota foi suspensa
sob o argumento de “não ter passado por todas as instâncias necessárias na pasta”.
Meses mais tarde, diante da proposta do PL 1904/2024, na
Câmara dos Deputados, que equipara o aborto após 22 semanas de gestação ao
homicídio, Lula chamou o projeto de “insanidade”.
No mesmo ano, no encontro da Cúpula do G20, no Rio de
Janeiro, a ministra da Mulher, Aparecida Gonçalves, foi questionada em
entrevista sobre como o grupo “G20 Mulheres” abordou questões relacionadas aos
“direitos reprodutivos e sexuais” ao que respondeu que tudo foi trabalhado
“dentro da perspectiva do consenso”, mas não conseguiu avançar na pauta
abortista.
Em outro contexto do cenário internacional, o Itamaraty
surpreendeu diplomatas durante reuniões da Organização das Nações Unidas (ONU),
em 2024, ao instigar a inclusão de um parágrafo com teor abortista, em uma
resolução sobre família proposta pelo grupo G77 + China. Ao falar sobre
questões relacionadas a meninas e mulheres, esse trecho usava a expressão
“saúde reprodutiva para todas”, linguagem utilizada em documentos oficiais para
defender o aborto.
O avanço da agenda pró-aborto em 2025
Em março de 2025, o governo lançou o Programa Nacional das
Salas Lilás, destinado ao acolhimento de mulheres vítimas de violência. Por
meio dele, mulheres e meninas que sofreram violência têm espaços reservados em
delegacias e defensorias para atendimento. O texto da portaria, no entanto,
assim como no caso da nova versão da Caderneta da Gestante, é cheio de falhas e
brechas para o possível aborto.
E, sutilmente, em agosto de 2025, com um novo decreto
(12.574/2025) que estabeleceu a Política Nacional Integrada da Primeira
Infância (PNIPI), e com a promessa de garantir proteção, desenvolvimento e
direitos às crianças, o governo Lula revogou o decreto (10.770/2021) do ex-presidente
Jair Bolsonaro (PL) que protegia os direitos das crianças, desde a gestação. Na
ocasião, o especialista em direito das crianças, Gabriel Carvalho de Jesus
disse que esse era um “movimento sutil, porém gravíssimo, de instrumentalização
jurídica para o avanço de uma agenda abortista no Brasil”, apontando para a
falta de referências à proteção da vida humana desde a concepção.
Coerência no voto em 2026
Zezé Luz, missionária católica, orientadora familiar e
fundadora da Rede Colaborativa Brasil, reforça que, neste ano de eleições, a
população e as famílias devem ter coerência em seu voto, apostando em deputados
e senadores pró-vida, que poderiam brecar iniciativas abortistas do Executivo.
“Precisamos ter iniciativas parlamentares com responsabilidade
e com visão real de cuidado com as mulheres. A vida passa pelo ventre materno,
mas também pela responsabilidade dos homens, para que não as abandonem, nem a
seus filhos.”
Para a missionária, é primordial que haja um chamado ao
poder público e aos legisladores para que o combate ao aborto seja tratado com
seriedade. “Já há quase 20 anos está tramitando o PL 478/2007, o Estatuto do
Nascituro, que é uma proteção à mulher e ao bebê ainda no ventre. Além disso,
por que não há investimento em creches, maternidades e acompanhamento às
mulheres, mas sim em métodos de aborto?”, finaliza.
Angélica Favretto.













