Uma casta intocável esmaga a maioria do povo brasileiro.
O professor e cientista político Adriano Gianturco produziu
um excelente texto para a Gazeta do Povo, demonstrando a existência de uma
casta de brasileiros apartada do sofrimento da maioria do povo. O texto não é
apenas um desabafo; é o diagnóstico de uma patologia institucional grave.
Quando um sistema se divide entre uma casta intocável e uma massa tutelada, o
modelo deixa de ser uma democracia.
O maior perigo de um sistema onde a lei é aplicada de forma
assimétrica é a destruição da confiança nas instituições. Por aqui, crimes
bárbaros contra crianças recebem leniência estatal, enquanto opiniões ou
críticas políticas são alvo de repressão implacável. A mensagem enviada é que o
Estado não existe para proteger o cidadão, mas para proteger a si mesmo.
A questão não para aí, pois o uso de foro privilegiado, jatinhos
da FAB e auxílios nababescos cria um abismo moral. Um cenário onde o juiz ganha
R$ 500 mil e o cidadão médio recebe R$ 3,7 mil não é apenas desigual; é
insustentável. A história mostra que sistemas que ignoram o sofrimento da
"terceira classe", enquanto a elite banqueteia no convés superior,
tendem a rupturas violentas.
O governo finge não ver que 30% da população vive sob o crime
organizado, enquanto o Estado se preocupa em patrulhar janelas de cidadãos
comuns. O Estado pune o cidadão "fácil de encontrar" para mascarar
sua incapacidade de enfrentar o crime real. Assim, uma minoria sobrevive da
exploração de uma maioria desarmada, censurada e empobrecida para manter o luxo
de uma burocracia encastelada.
Mantidas essas inaceitáveis condições, o destino do Brasil
não será o desenvolvimento, mas a perpetuação de um regime de castas onde o
"direito" é um privilégio de poucos e o "dever" é o fardo
esmagador da maioria de sua gente.


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