domingo, 24 de maio de 2026

 Como viver e reagir num país dominado pelo crime.

 Luís Ernesto Lacombe.




  

Somos um país dominado pelo crime. Para onde quer que se olhe, lá estão os bandidos agindo impunemente. Quando o jornal O Globo publica editorial defendendo a censura na rede social, e lamentando que ela não seja mais ampla, que ainda seja necessária decisão judicial para retirada de alguns tipos de publicações, o crime está no comando.

Quando há um monte de gente enrolada com o Banco Master – Lula, Jaques Wagner, Guido Mantega, Ricardo Lewandowski, Silvio Costa Filho, Aécio Neves, Ciro Nogueira, Antônio Rueda, Alexandre de Moraes, Dias Toffoli, Gilmar Mendes, Kassio Nunes, Paulo Gonet, Andrei Rodrigues, Hugo Motta, Davi Alcolumbre – e só se fala de Flávio Bolsonaro, é a bandidagem no controle. Quando vazam seletivamente informações sobre o caso, e há “jornalistas” prontos a manobrar com isso, estamos quase perdidos.

Quando Davi Alcolumbre barra a instalação da CPI do Banco Master, e Daniel Vorcaro vai e volta em sua delação, de olho numa anulação das ações sobre o caso, é mais uma articulação do crime. São os marginais esparramados em tudo, também nos movimentos para impedir a abertura de processos de impeachment de ministros do Supremo.

Quando surge mais uma denúncia contra Ciro Nogueira, com a indicação de repasses milionários para uma empresa em nome de parentes dele, e há pouca esperança de que haja investigação correta sobre isso, é o crime que está ditando as regras. A parte boa da Polícia Federal se esforça, apresenta as informações sobre aportes suspeitos descobertos pela Operação Sem Refino, mas nada parece dar em algum lugar decente.

Quando a influenciadora e advogada Deolane Bezerra é presa por envolvimento em lavagem de dinheiro para o PCC, e seus seguidores choram, parecemos mesmo um caso perdido. Quando gente como Raphael Souza Oliveira, dono da Choquei, e MC Ryan, Poze do Rodo e Oruam, também suspeita de ligações com facções e, como Deolane, apoiadora de Lula, faz o que faz, o país inteiro é prisioneiro.

Quando há milhares de perseguidos e presos políticos, todos abandonados à própria sorte, sim, estamos em pedaços. Quando as ilegalidades contra eles são aceitas, assim como as artimanhas para tirar Lula da cadeia, o abismo parece inevitável... E quando passa a ocupar o Palácio do Planalto esse sujeito condenado em todas as instâncias por corrupção e lavagem de dinheiro – e há um ex-presidente preso injustamente, ilegalmente –, o crime está vencendo.

Quando o déficit fiscal aumenta, a dívida pública dispara, e os juros não têm como cair, quando as estatais dão prejuízo… Quando o gasto com Previdência sobe sem parar, quando a arrecadação federal não para de subir, mas não pelo aumento da atividade econômica... Quando prevalece a ilusão de que o Estado é solução, e não a causa da maior parte dos problemas, os criminosos estão em festa.

Quando o Estado insiste em se meter na relação entre empresas e trabalhadores, forçando uma escala de trabalho que vai provocar quebradeira e mais inflação… Quando não há liberdade econômica, livre mercado e o empreendedor é tratado como marginal, estamos num buraco profundo.

Quando os brasileiros estão endividados e são empurrados pelo governo para novas dívidas… Quando a inflação dos mais pobres é quase o quádruplo da registrada para os mais ricos... E medidas eleitoreiras, populistas vão sendo despejadas em tempestade devastadora, ninguém sabe como escapar.

Quando o brasileiro não se sente seguro nem na rua, nem no trabalho, nem em casa... Quando o medo impera e ministro de Estado e candidato a presidente passeiam tranquilamente por áreas dominadas pelo tráfico de drogas, o país foi entregue ao lado escuro. Quando facções criminosas brasileiras se espalham pelo mundo como multinacionais da bandidagem, o bem já quase não se vê.

Se estão defendendo abertamente criminosos, grupos terroristas, ditadores, o crime está normalizado. E também quando os irmãos Batista dão as cartas sobre negócios, política e até geopolítica... E quando o STF tem ministros como Alexandre de Moraes, Dias Toffoli, Gilmar Mendes, Flávio Dino e Cármen Lúcia... Isso tudo é prova de que estamos encalacrados.

A questão é como reagir. Tirar o PT do poder é fundamental. E tirar o Centrão do controle do Legislativo. E não baixar a cabeça para arbítrios, abusos e ilegalidades praticados por ministros do STF também. Para isso, não podemos barrar o debate, é preciso fazer todas as perguntas necessárias, apontar os crimes, um a um, e cobrar reações legais. É preciso agir, trabalhar sempre em busca da verdade, expor os fatos. Porque estaremos sempre por um triz, se a mentira impera na maior sem-vergonhice.


 Luís Ernesto Lacombe é jornalista há 37 anos. Trabalhou nas principais emissoras de televisão do Brasil. Recebeu o Troféu Imprensa e, por duas vezes, o Prêmio Comunique-se

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