quarta-feira, 3 de junho de 2026
terça-feira, 2 de junho de 2026
Aberta a 14ª feira internacional de corrupção do Brasil
Bruno Brandão.
“Gilmarpalooza”: o verão do lobby jurídico em Lisboa*
Bruno Brandão -
Flávio escreve a Rubio para tirar argumento de Lula.
Fernão Lara Mesquita
“A imposição de novas tarifas causaria sérios prejuízos ao
povo brasileiro – os mesmos cidadãos que veem os Estados Unidos como um
parceiro e um amigo. Escrevo, portanto, para reiterar, formalmente, o pedido
que lhe fiz pessoalmente: que os Estados Unidos não imponham tarifas ao Brasil.
Como já disse, estou confiante de que serei eleito Presidente do Brasil em
outubro”.
“Caso essa seja a vontade do meu povo, estou preparado para
colocar minha equipe de transição imediatamente à sua disposição, para que
possamos concluir, o mais breve possível, um amplo acordo comercial e de
investimentos benéfico para ambas as nações – um acordo construído sobre
mercados livres, respeito mútuo e a aliança estratégica que nossos dois povos
merecem”.
Fernão Lara Mesquita.
A tirania se instala para que o poder se perpetue.
Talvez a história da tirania aplicada hoje aos brasileiros um
dia venha a ser contada em detalhes, expondo as verdades e os fatos que nunca vão
desaparecer. É exatamente o que aconteceu em regimes autoritários que o Brasil
insiste em copiar mundo afora.
Tudo começa quando um governo é instalado de forma a não
convencer inteiramente metade dos eleitores sobre a lisura do pleito. Uma vez
no poder, o sistema precisa criar uma narrativa de legitimidade, ignorando as
incongruências acumuladas ao longo do processo. Sabe-se, também, que um dos
candidatos foi colocado de volta à disputa sem nunca ter sido efetivamente
inocentado dos crimes pelos quais fora condenado em todas as instâncias.
A partir daí, cria-se um falso pretexto para punir quem contesta
as eleições. Sem o devido processo legal, cidadãos são levados à prisão e
sentenciados a penas flagrantemente desproporcionais.
Para tentar se perpetuar, a gestão impõe uma agenda de gastos
muito acima da arrecadação, utilizando o velho artifício de atrair os votos da
população mais carente — que, infelizmente, é a maioria. O resultado é
inevitável: a dívida pública explode e a inflação sobe, castigando justamente
os mais vulneráveis, que o governo finge proteger.
Como as vozes críticas não se calam, o sistema Lula-STF eleva
o tom da repressão e lubrifica os aparelhos de censura, criando instituições de
controle e punindo indivíduos e plataformas de internet. Contudo, os erros de
gestão e a corrupção generalizada não podem ser escondidos para sempre. Membros
da cúpula do Judiciário começam a ser expostos por associações com criminosos
que, uma vez presos, ameaçam recorrer a delações premiadas.
Diante disso, a sociedade brasileira se vê em uma encruzilhada:
não sabe se a tirania vai aumentar ou se, finalmente, a verdadeira justiça
alcançará os envolvidos. Em outras nações, esse cenário provocaria uma severa
correção de rumos. No Brasil de agora, a probabilidade de que as investigações
sejam sufocadas e os culpados permaneçam impunes é uma velha conhecida do nosso
povo. Afinal, a história, por aqui, teima em se repetir. A impunidade também.
segunda-feira, 1 de junho de 2026
Para o PT, trair PCC e CV é trair à pátria.
Fernão Lara Mesquita.
A decisão de 5a feira passada de Donald Trump de classificar as duas maiores facções criminosas brasileiras como organizações terroristas estrangeiras repõe a América Latina como eixo principal da estratégia de segurança nacional dos Estados Unidos e aparece, não como uma medida isolada, mas como um marco que tem como ponto de partida o reconhecimento do sucesso, tantas vezes festejado por Lula, do Foro de São Paulo na ocupação das Américas pela esquerda, e o papel decisivo que teve nisso o concurso do dinheiro do tráfico de drogas.
E isso fez cair a máscara do PT, que agora acusa Flavio
Bolsonaro de “traição da pátria” por ter instado Trump a dar esse passo. Trair
o PCC e o CV é “trair a pátria” no lexo do PT…
A partir de 6a feira próxima, 5 de junho, PCC e CV, que se
expandiram vertiginosamente nas duas ultimas décadas de corpo mole no combate
ao crime, passam a ser oficialmente incluídos nas listas das FTO’s
(Organizações Terroristas Estrangeiras, na abreviatura em inglês), e também das
SDGT (Terroristas Globais Especialmente Designados), o mesmo enquadramento
aplicado a cartéis mexicanos, gangues centro-americanas e grupos armados
internacionais.
Segundo especialistas brasileiros, o PCC conta hoje com pelo
menos 40 mil membros e atua em. 27 países além do Brasil, estando presentes —
ele e/ou o CV, concentrado no controle das rotas amazônicas da droga — em pelo
menos 12 estados americanos.
Uma pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) com
1.398 empresas dos 32 segmentos industriais estimou perda de receita anual da
ordem de R$ 39 bilhões, ou 0,6% das vendas de fábricas e atividades extrativas,
para o crime organizado.
É um número claramente subestimado.
Nos últimos três meses, o Conselho de Controle de Atividades
Financeiras (Coaf) comunicou R$ 44,1 bilhões em movimentações suspeitas de
facções criminosas só no Rio de Janeiro — é um recurso suficiente para pagar
todo o Programa Bolsa Família nesse período.
Segundo o Departamento de Estado, as redes criminosas “se
estendem muito além das fronteiras do Brasil” e afetam diretamente interesses
de segurança nacional dos EUA, e “o governo Trump continuará a usar todas as
ferramentas disponíveis para proteger nossa nação … e interromper o fluxo de
receita que financia narcoterroristas violentos” por meio do Controle de Ativos
Estrangeiros (OFAC), o mesmo órgão do Tesouro americano que sancionou Alexandre
de Moraes e família.
Com isso, qualquer ativo direta ou indiretamente vinculado a
organizações sob jurisdição americana podem ser bloqueados, e qualquer pessoa
ou empresa, dentro ou fora do território dos EUA, que mantiver relações
financeiras ou materiais com integrantes das facções poderá sofrer sanções,
pagar multas milionárias, responder criminalmente e até ser deportada do
território norte-americano. Vai ser necessária, portanto, ampla revisão nos
manuais de compliance de empresas brasileiras, especialmente as financeiras.
O anúncio ocorreu um dia depois de Flávio Bolsonaro afirmar
que pediu pessoalmente ao Donald Trump a classificação do PCC e do Comando
Vermelho como organizações terroristas, o que provocou as reações adversas
esperadas de Lula, só que com algum disfarce diante do maciço apoio à medida
nas pesquisas eleitorais. O assessor especial de Trump, Jason Miller, ironizou,
a propósito, os queixumes de Lula sobre a atitude de Flavio Bolsonaro, que
qualificou como “traição” ao Brasil.
Fernão Lara Mesquita
Mendonça acelera operações sobre Master e INSS em meio a pressão e risco de revés no STF.
Renan Ramalho
André Mendonça na Segunda Turma do STF, onde recursos contra suas decisões podem ser julgados por Gilmar Mendes, Kassio Nunes Marques, Dias Toffoli e Luiz Fux
O ministro André Mendonça intensificou, nas últimas semanas,
o ritmo das investigações dos dois maiores casos de corrupção em andamento no
país, com desvios bilionários: o escândalo do Banco Master, que envolve fraudes
financeiras e cooptação de agentes públicos e o “roubo dos aposentados”,
esquema de descontos fraudulentos nas aposentadorias do INSS por empresas,
associações e sindicatos.
A aceleração e ampliação recentes das operações ocorre num
momento em que crescem as pressões sutis, dentro e fora do STF, para abafar
parte das investigações, especialmente sobre políticos e autoridades de peso em
Brasília. Enquanto isso, Mendonça e sua equipe têm buscado agir com discrição e
precaução em cada ato.
Desde fevereiro, quando assumiu a relatoria do caso Master
no Supremo Tribunal Federal (STF), Mendonça já autorizou a deflagração de seis
fases da Operação Compliance Zero, com 14 prisões preventivas, 61 ordens de
busca e apreensão, bloqueios de mais de R$ 22 bilhões e diligências em sete
estados e no Distrito Federal.
Só neste mês de maio, foram quatro fases, que tiveram como
alvos o senador do Piauí Ciro Nogueira, presidente do PP, o ex-governador do
Rio de Janeiro Cláudio Castro, do PL, o pai de Daniel Vorcaro e um grupo de
hackers, informantes e capangas, além de um perito da Polícia Federal suspeito
de vazar o contrato de R$ 129 milhões do Master com o escritório de advocacia
da família do ministro Alexandre de Moraes.
No caso do INSS, uma nova fase da Operação Sem Desconto foi
deflagrada no último dia 27, por determinação de André Mendonça, no DF,
Pernambuco, São Paulo e Paraíba, tendo como alvos novas associações suspeitas
de desviar dinheiro dos aposentados. O ministro emitiu 31 ordens de busca e
apreensão, autorizou o bloqueio de bens de ao menos quatro entidades e
monitoramento eletrônico de oito investigados.
Nos dois casos, Mendonça busca se equilibrar para evitar que
as investigações, como tantas outras no passado, sejam anuladas no futuro por
artifícios jurídicos e processuais. Dentro do STF, o ministro busca o apoio de
colegas mais próximos para manter suas medidas, ao mesmo tempo em que ajusta
suas decisões para protegê-las de críticas internas e reparos que podem abrir
brechas para nulidades.
Fora do STF, Mendonça tem estreitado a relação com as
equipes da Polícia Federal que tocam as investigações e mantém vigilância sobre
a corporação.
O primeiro objetivo é evitar vazamentos que possam
comprometer operações futuras ou ser usados para ataques cruzados entre os
vários grupos políticos implicados nos escândalos.
O segundo objetivo é impedir manobras administrativas dentro
da PF – como trocas de delegados, agentes e peritos – manejadas para proteger
certos investigados. Além disso, ele lida com estratégias de múltiplos
advogados para direcionar delações premiadas.
Os primeiros sinais de risco surgiram em março, quando
Gilmar Mendes, decano e ministro mais poderoso do STF, passou a criticar
abertamente os rumos da Compliance Zero. Naquele mês, ele fez duros reparos à decisão
de Mendonça que determinou a volta de Daniel Vorcaro, dono do Master, à prisão
preventiva.
O ministro votou pela manutenção da medida, mas atacou
alguns fundamentos de Mendonça, como o de que ela era necessária para
“pacificação social por meio da criação de um sentimento na sociedade de
resposta célere do sistema de justiça” ou ainda para “credibilidade e a
respeitabilidade das instituições”.
Em seu voto, Gilmar afirmou que esse tipo de justificativa
teria gerado abusos na Lava Jato, marcada, segundo o ministro, por “messianismo
punitivista” e “ancorada em razões políticas e ideológicas”. “É possível
enxergar no caso concreto tristes reminiscências dos métodos e expedientes
lavajatistas que este tribunal tem tido grande trabalho em coibir”, afirmou,
antecipando possíveis nulidades.
Em abril, o decano voltou à carga, desta vez para criticar
duramente, no plenário da Corte, o vazamento de conversas privadas de Daniel
Vorcaro. Ele acusou parlamentares que integravam a CPMI do INSS de repassar o
material à imprensa. Nos bastidores do STF, Mendonça foi criticado por ter
liberado o material para a comissão.
Neste mês de maio, de forma discreta, Mendonça adotou duas
medidas corretivas. Na decisão que prendeu Henrique Vorcaro, retirou
fundamentos alusivos à necessidade de credibilizar o Judiciário. E ao citar
precedentes alinhados à tese de que a medida era necessária, usou votos e
decisões, em outros casos, de Gilmar Mendes, Nunes Marques e Edson Fachin – um
sinal de busca de respaldo deles para sua decisão.
Ainda assim, no julgamento da Segunda Turma do STF para
confirmar ou reverter a prisão do pai de Vorcaro, Gilmar Mendes pediu vista
para elaborar seu voto com mais tempo – um indicativo de que tende a fazer
novos reparos à decisão de Mendonça.
Alarmado com a contaminação do STF no escândalo – em razão
de negócios milionários firmados entre o dono do Master, Daniel Vorcaro, com as
famílias de Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, com quem mantinha relações –,
Gilmar tem buscado se manifestar, principalmente em entrevistas, para afastar o
caso da Corte.
Ele tem repetido, por exemplo, que o esquema não se
concentra na Praça dos Três Poderes, em Brasília, mas na avenida Faria Lima, em
São Paulo – uma tentativa de focar o caso nas fraudes praticadas no mercado
financeiro, e não na corrupção de autoridades que teriam permitido a Vorcaro
catapultar o Master.
Ainda no caso Master, outro risco para as investigações
surgiu nas negociações para a delação premiada de Vorcaro. Ao longo de maio,
diante da resistência da PF em aceitar a proposta do banqueiro – principalmente
por evitar comprometer ministros do STF e políticos de peso do Centrão –,
advogados envolvidos no caso passaram a insinuar na imprensa, de forma anônima,
que uma eventual recusa de Mendonça em homologar um acordo poderia ser
revertida na Segunda Turma, com os votos de Gilmar Mendes e Kassio Nunes
Marques.
Trata-se, no entanto, de uma hipótese especulativa, uma vez
que ainda não há acordo de colaboração. A PF recusou a delação, sob o argumento
de que já tem as provas que considera necessárias.
A decisão levou o advogado de Vorcaro, José Luís de Oliveira
Lima, a deixar a defesa. A negociação, agora, é feita junto à
Procuradoria-Geral da República (PGR), entre a equipe do chefe do órgão, Paulo
Gonet, e a nova defesa de Vorcaro, comandada pelo advogado Sérgio Leonardo. Mas
uma nova proposta de delação também deve ser enviada à Polícia Federal.
Dark Horse e mudança na PF ampliam tensão
Uma nova frente de pressão sobre Mendonça surgiu, na semana
passada, com a revelação das conversas mantidas entre o senador Flávio
Bolsonaro (PL-RJ) e Daniel Vorcaro, ao longo de 2025, para financiar o filme
“Dark Horse”, que conta a história do ex-presidente Jair Bolsonaro. A PF já
apura origem, formas de repasse e destino de ao menos R$ 61 milhões que teriam
sido investidos pelo banqueiro na produção.
Mas os investigadores da PF agora estudam se é o caso de
manter a apuração dentro do inquérito conduzido por Mendonça no caso Master, ou
se a PF deve pedir a abertura de um novo inquérito específico, que
eventualmente possa ser distribuído, por sorteio, para outro ministro.
Na última terça (26), Alexandre de Moraes pediu manifestação
da PGR sobre um pedido do PT para que o próprio ministro investigue o caso,
dentro do inquérito já aberto e conduzido por ele contra o ex-deputado Eduardo
Bolsonaro, referente à pressão feita junto ao governo americano para
sancioná-lo na Lei Magnitsky.
No caso do INSS, um risco para as investigações surgiu neste
mês, quando a Polícia Federal decidiu transferir o caso da Divisão de Repressão
a Crimes Previdenciários para a Coordenação de Inquéritos em Tribunais
Superiores (Cinq). A mudança de departamento, revelada pela CNN Brasil, retirou
da investigação o delegado Guilherme Figueiredo Silva, que coordenava o
inquérito.
Mendonça decidiu abrir uma apuração específica sobre a
troca, que o pegou de surpresa. Ele só soube da substituição por meio do
advogado de um dos investigados durante uma audiência. Partiu da Divisão de
Repressão a Crimes Previdenciários, da qual o inquérito foi retirado, o pedido
a Mendonça para quebras de sigilo de Fábio Luís Lula da Silva, filho mais velho
do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, conhecido como Lulinha.
Em nota, a PF afirmou que a mudança “foi concebida para
assegurar maior eficiência e continuidade às investigações, uma vez que a Cinq
possui estrutura permanente voltada justamente à condução de operações
sensíveis e complexas com tramitação perante o STF”.
Renan Ramalho.













