O Papel do Judiciário e o resgate da democracia.
Vicente Lino.
O
ministro Kassio Nunes Marques ampliou o prazo para a Procuradoria-Geral da
República se manifestar sobre o processo de revisão criminal do ex-presidente
Jair Bolsonaro. Como se sabe, grandes juristas, ministros e ex-ministros do
STF, além de críticos dos processos, frequentemente apontam nulidades ou
excessos que justificariam a revisão da condenação.
Apontam que houve
relativização de garantias fundamentais em nome da celeridade ou da gravidade
dos fatos investigados. Questionam a competência do Supremo Tribunal Federal (STF),
argumentando o direito de o réu ser julgado pelo órgão previamente determinado
por lei. Apontam, ainda, que o acesso amplo às provas e aos autos não foi
garantido na velocidade necessária para o exercício pleno do contraditório.
O
STF precisa saber que o direito penal não pode operar de forma isolada do
contexto da nação; que quase metade dos eleitores enxerga as condenações como
medidas de natureza política e que a manutenção dessas decisões só aumenta o
sentimento de perseguição, gerando ainda mais polarização. Ao contrário, a
revisão da sentença é apresentada como um "voto de confiança" na
reconciliação nacional, diminuindo as tensões entre grupos políticos opostos e
integrando todas as forças vivas da sociedade no debate democrático. O STF
precisa entender que o reconhecimento e a reparação de erros pelo próprio Poder
Judiciário não o enfraquecem; pelo contrário, demonstram a maturidade e a
autocrítica de uma instituição que coloca a justiça acima do orgulho
institucional.
Se a decisão perpetuar o arbítrio, o Poder Judiciário
consolidará sua autocracia, assumindo a responsabilidade histórica de ter
asfixiado a segurança jurídica e a própria essência da Constituição que deveria
guardar e respeitar.
Vicente Lino.


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