Trechos extraidor do livro: "Como as democracias morrem"
O novo padrão de declínio democrático
"A democracia já não termina com um baque — um golpe militar ou uma revolução —, mas com um sussurro: o enfraquecimento lento e constante de instituições críticas, como o Judiciário e a imprensa, e a erosão gradual de normas políticas de longa data."
O dilema da entrada de autocratas ao poder
"O dilema mortal da democracia é que os próprios mecanismos de liberdade podem ser usados para destruí-la. Autocratas em potencial costumam usar as eleições, a Constituição e o Estado de Direito para chegar ao poder — e depois usam essas mesmas ferramentas para desmantelar o sistema por dentro."
Os guardiões da democracia
"Os partidos políticos são os guardiões da democracia. Quando líderes partidários ignoram os sinais de alerta e fecham os olhos para demagogos extremistas — por conveniência eleitoral ou cálculo político —, eles abrem a porta para a erosão democrática."
As duas regras não escritas da estabilidade democrática
"Para que uma Constituição funcione, ela precisa ser sustentada por duas normas informais essenciais: a tolerância mútua — o reconhecimento de que os rivais políticos são concorrentes legítimos, não inimigos mortais — e a parcimônia institucional (institutional forbearance), que é o autocontrole dos líderes em não usar a letra fria da lei até os seus limites extremos para esmagar a oposição."
O uso da lei contra a democracia
"Muitos esforços governamentais para subverter a democracia são 'legais' no sentido de que são aprovados pela Assembleia ou declarados constitucionais pela Suprema Corte. Podem até ser apresentados como melhorias na eficiência da justiça ou no combate à corrupção, mas seu efeito real é aparelhar as instituições e neutralizar a oposição."
Os Quatro Sinais de Alerta de um Autocrata (Crivo de Linz) Os autores resumem a identificação de um líder autoritário potencial através de quatro comportamentos fundamentais:
Rejeição (ou compromisso fraco) com as regras do jogo democrático: questionar a legitimidade de eleições ou tentar burlar a Constituição
egação da legitimidade dos adversários políticos: tratar oponentes como criminosos, subversivos ou ameaças existenciais.
Tolerância ou encorajamento à violência: aplaudir ou recusar-se a condenar atos de violência política cometidos por apoiadores
.Disposição para restringir liberdades civis de oponentes ou da imprensa: apoiar leis que limitem o protesto, a crítica jornalística ou o direito de organização da oposição.

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