segunda-feira, 14 de setembro de 2026

 O começo da virada no STF – ou o fim da   nação.

 Rodrigo Constantino.




O Supremo Tribunal Federal (STF) deixou de ser corte constitucional para se transformar em bunker de poder. O que se julga nesta terça-feira (15) não é um detalhe processual: é se um ministro que acumula inquéritos eternos, bloqueia redes, manda prender e soltar à vontade, e agora aparece nas mensagens de um banqueiro picareta pedindo proteção, ainda pode se esconder atrás da toga.

As evidências contra Alexandre de Moraes no caso Vorcaro não são fofoca. São dezenas de mensagens, encontros, contratos de dezenas de milhões com o escritório da família e o pedido explícito de “desarmar” investigações. Quem trata isso como normal já desistiu da República.

Vorcaro não era um empresário qualquer. Era o tipo que se compara aos irmãos Batista, usa a proximidade com o governo Lula como “marketing” e, mesmo assim, morria de medo de Moraes. Pagava fortunas e ainda perguntava se deveria fugir do país. A pergunta que o Brasil precisa fazer é simples: quem era o funcionário de quem? O banqueiro do ministro ou o ministro do banqueiro? Quando o capo da operação veste toga, o Estado de Direito vira encenação.

Moraes não é um juiz rigoroso. É o 'operador totalitário' que transformou o inquérito das fake news em instrumento permanente de perseguição política, cassou mandatos, censurou e ainda pretendia investigar o colega que ousou mexer no vespeiro

A reação da corte é previsível e patética. Em vez de abrir a investigação com a urgência que o caso exige, parte dos ministros prepara a chicana de sempre: preliminares, nulidades, falta de acesso a este ou aquele arquivo, qualquer pretexto para proteger o colega. Os advogados de Moraes e de Lula já ensaiam o mesmo teatro que salvou tanta gente na Lava Jato 2.0. Se Cármen Lúcia votar contra a apuração, será massacrada até pela imprensa que normalmente a protege – Globo, Folha e Estadão, pela primeira vez alinhados na mesma direção que esta Gazeta já adota faz tempo. Isso diz tudo sobre a gravidade do material.

Tratar com naturalidade um ministro do Supremo agindo para ajudar Lula e um banqueiro investigado por fraude é o retrato de uma elite que se considera acima da lei. Moraes não é um juiz rigoroso. É o “operador totalitário” que transformou o inquérito das fake news em instrumento permanente de perseguição política, cassou mandatos, censurou e ainda pretendia investigar o colega que ousou mexer no vespeiro. Quando o poder se torna pessoal, a Constituição vira papel rasgado.

Nikolas Ferreira tem feito o trabalho que muitos políticos de paletó recusam: ir à terra de Davi Alcolumbre e gritar “Fora Moraes”. Enquanto isso, a direita continua fragmentada. Diante da gravidade do quadro – STF capturado, PGR omisso, governo usando a máquina –, a recusa de Caiado e Zema em ceder espaço a Flávio Bolsonaro no primeiro turno é luxo que o país não pode mais pagar. Ou se fecha o cerco agora ou se entrega o segundo turno ao mesmo sistema que produziu esta anomalia.

O slogan que deveria ecoar não é retórica de redes. É programa mínimo de saneamento: Fora Moraes, Fora Toffoli, Fora Zanin, Fora Dino, Fora Gilmar, Fora Lula, Fora Gonet, Fora Alcolumbre. E isso só para começar. Sem limpeza nestes nomes, qualquer eleição vira formalidade. O gângster que chegou a ministro supremo e acumulou poder tirânico não vai se aposentar voluntariamente. Só sai se a pressão for maior que o corporativismo da corte.

Amanhã o voto correto caberia numa frase: as evidências são sólidas, Moraes já deveria estar em prisão preventiva, portanto a investigação começa para ontem. Qualquer outra decisão confirma o que o brasileiro honesto já sabe. Não estamos diante de um tribunal. Estamos diante de um sindicato de togas que protege os seus e persegue os outros. Quem ainda duvida, que leia as mensagens. Elas não mentem.

Amanhã poderá ser o começo da virada. Ou o fim terrível de tudo, pois se Moraes sequer passar a investigado no caso Master, talvez seja melhor fechar logo o STF e entregar as chaves da nação ao seu grupo.

Rodrigo Constantino.




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