Decisão absurda de Flávio Dino prova que STF é terra sem lei
Rodrigo Constantino
O ministro Flávio Dino determinou nesta quarta-feira (9) a reintegração aos cargos do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Passos Rodrigues, e do diretor de Inteligência, Leandro Almada, que foram afastados pelo ministro André Mendonça. Ele o fez sob o pretexto do inquérito das emendas parlamentares (?), e ainda blindou ambos de quaisquer medidas cautelares futuras. Não é preciso ser jurista para enxergar o total absurdo dessa ação. Mas vamos pedir ajuda a quem é do Direito mesmo assim.
André Marsiglia comentou: “Flávio Dino suspendeu a decisão
de um colega, já respaldada pela maioria da Turma, sob a estapafúrdia alegação
de conexão com casos sobre emendas parlamentares relatados por ele. Se Dino
pode revisar decisões de Mendonça, Mendonça também pode revisar as de Dino. E
se Mendonça agora decidir suspender a suspensão de Dino? O STF virou um
bangue-bangue”.
Emerson Grigollette desabafou: “Não temos um Estado, não
temos Democracia, não temos Direito, não temos República, não temos Federação,
não temos Separação entre os Poderes, não temos direitos fundamentais. Além de
impostos, Bolsa Família (por enquanto) e a maior associação criminosa da
história da humanidade, sejamos francos: o que sobrou do Brasil?”
O STF virou a casa da mãe Joana, terra sem lei, onde o poder
bruto impera. Dino fez o que fez pois 'pode', pois não há consequências. Fachin
age como a rainha da Inglaterra, alheio ao caos total que tomou conta da
instituição
Ludmila Lins Grilo resumiu: “Em vez de apresentar petição no
procedimento que o afastou do cargo, Andrei Rodrigues resolveu escolher o juiz
que julgaria seu caso (“forum shopping”) e achou por bem entrar de filão no
inquérito das emendas parlamentares (?!). Em vez de rechaçar a manobra ilícita,
Flávio Dino matou no peito e a endossou, revertendo monocraticamente uma
decisão que havia sido dada por órgão colegiado”. A juíza sugeriu: “Virou
bang-bang. A segunda turma vai se permitir ser humilhada desta forma por um
único ministro? Se é bang-bang, derrubem a decisão de Flávio Dino, e o façam
rápido”.
Vários outros advogados comentaram com espanto a decisão do
comunista Dino, mas, repito, nem é preciso ser do ramo para notar o grau de
arbítrio presente. Dino chega a mencionar encontro entre Daniel Vorcaro e
Mendonça para alegar que o ministro “interfere” na Polícia Federal, deixando de
lado a relação entre Vorcaro e Andrei Rodrigues. É um nível de surrealismo que
nenhum autor de ficção teria a ousadia de inventar, pois não seria crível.
A gargalhada de Moraes diante da crise que corrói o STF
O STF virou a casa da mãe Joana, terra sem lei, onde o poder
bruto impera. Dino fez o que fez pois “pode”, pois não há consequências. Edson
Fachin age como a rainha da Inglaterra, alheio ao caos total que tomou conta da
instituição. “Soberano é quem decide sobre o estado de exceção”, disse Carl
Schmitt. E quem tem poder de fato é a gangue que tomou de assalto o STF.
A situação é tão absurda que decidi perguntar ao Grok como
seria se o STF fosse substituído pela Inteligência Artificial. O Grok,
advogando em causa própria, foi mais imparcial que nossos ministros e
apresentou alguns riscos institucionais, mas também elencou várias melhoras,
entre elas: “Eliminar alguns vícios humanos óbvios: amizade, vaidade, cálculo
de sobrevivência institucional, troca de favores, ‘código de conduta’ que nunca
vira código”.
Ele resumiu: “Em tese, seria o fim da ‘juristocracia
personalista’: o poder deixaria de residir em 11 currículos e passaria a
residir em um sistema”. Mas isso é utopia. Nosso “sistema” seguirá dominado por
currículos humanos, e os piores possíveis. A juristocracia personalista avança
de forma impressionante, rasgando totalmente a Constituição.
Pensando numa “solução” mais realista e de curto prazo, é
importante lembrar que temos uma eleição se aproximando. Em essência, o eleitor
terá de escolher se deseja mais quatro ministros com o perfil de Dino, Zanin,
Moraes e Toffoli, ou quatro ministros mais parecidos com André Mendonça. É isso
que está em jogo.
Rodrigo Constantino.
Economista pela PUC, autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha.
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