domingo, 23 de agosto de 2026

 No Brasil, a integridade é quem paga a conta.


Sabemos todos que, no Brasil, a impunidade frequentemente se veste de legalidade. Por isso mesmo, causa estranheza a decisão do Conselho Nacional de Justiça de punir a juíza Gabriela Hardt, conhecida por sua competência na Operação Lava Jato. Ela foi punida por respaldar a criação de um fundo de R$ 2,5 bilhões, devolvidos por criminosos confessos, destinado especificamente para o combate à corrupção. O rigor disciplinar do Estado se voltou contra quem buscou canalizar recursos do crime para o fortalecimento das instituições.

Senhores, a corrupção não é uma abstração jurídica. Cada centavo desviado tem um custo humano devastador: na segurança pública, a roubalheira retira recursos das forças policiais em um país que registra mais de 40 mil homicídios por ano; na saúde, priva a população de leitos e remédios nos hospitais; no saneamento, a roubalheira retira recursos de mais de 32 milhões de brasileiros que não têm acesso à água tratada e de cerca de 90 milhões que vivem sem coleta de esgoto. Roubam na educação e, por isso mesmo, o Brasil ocupou o 65º lugar entre 81 nações.

O CNJ sabe que, no Índice de Percepção da Corrupção, o Brasil caiu para a 104ª posição entre 180 países analisados. Ainda assim, arranjou tempo para punir uma profissional séria, honrada e empenhada no combate ao crime, enquanto se mantém em conveniente silêncio diante das controvérsias de ministros do Supremo, para dizer o mínimo. Quando o sistema pune quem combate a roubalheira e se omite perante os excessos dos poderosos, a mensagem é devastadora: no Brasil, o crime compensa; a integridade é quem paga a conta.


Vicente Lino.



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