O Brasil continua do lado errado da história.
No
mês de março, o Escudo das Américas — um encontro liderado pelos Estados Unidos
— teve como foco o combate ao crime organizado nas Américas e a adoção de uma
doutrina que equipara cartéis de drogas a grupos narcoterroristas e defende
ação militar para desmantelar essas organizações.
Os participantes acordaram o
compartilhamento de inteligência, o intercâmbio de dados de segurança, as
extradições rápidas e ações operacionais conjuntas entre os países da coalizão.
O acordo prevê o fortalecimento do alinhamento com Washington para frear a
crescente influência econômica e política da China e da Rússia na América
Latina. A cúpula contou com a presença de chefes de Estado da Argentina, El
Salvador, Equador, Paraguai, República Dominicana, Costa Rica, Panamá, Guiana,
Bolívia, Honduras, Chile e Trinidad e Tobago.
O Brasil ficou de fora e foi
acompanhado pela Colômbia, Cuba, Nicarágua, Venezuela e México. Como se nota, a
Casa Branca optou por criar um "clube" exclusivo de governos
ideologicamente alinhados com a posição americana de combate aos
narcotraficantes. Sabe-se agora que a dinâmica de segurança na América Latina
sofreu desdobramentos operacionais alinhados aos compromissos firmados no
encontro. Aumentaram as operações do Exército dos EUA e das forças locais
contra narcoterroristas, e o cerco econômico e marítimo contra países que
ficaram fora do grupo foi reforçado.
O cenário geopolítico agora mostra, de um
lado, as nações do Escudo das Américas; do outro, o eixo formado por Brasil,
México, Colômbia e as ditaduras de Cuba, Venezuela e Nicarágua. O Brasil,
infelizmente, renova seu passaporte para o lado errado da história.
Vicente Lino.


Nenhum comentário:
Postar um comentário