O ministro Luiz Fux reviu seu voto e se manifestou a favor da absolvição de sete réus.
É um
sinal de que o rigor do Estado não pode atropelar o devido processo legal, como
tanto se viu naquele julgamento. A frase do ministro afirmando que houve
injustiças que o tempo e a consciência já não o permitem sustentar deveria
ecoar nos corredores da Corte. Pena que a maioria do plenário ainda não pense
assim.
Se o
entendimento de Luiz Fux prevalecesse, o Brasil daria um passo decisivo rumo à
pacificação nacional: pessoas seriam punidas por dano ao patrimônio, e jamais
por um golpe de Estado que nunca houve. Seriam, também, corrigidos os erros de
julgamentos em massa que ignoram a individualidade de conduta exigida pela
legislação.
Infelizmente,
a posição de Luiz Fux permanece isolada ao lado de poucos pares. Enquanto a
maioria do STF mantiver o tom de punição acima da técnica jurídica estrita, haverá
injustiça. O Direito exige que os outros ministros tenham coragem de olhar para
trás e reconhecer que o desejo de punir não pode ser maior que o dever de fazer
justiça. A consciência de um magistrado é o último baluarte contra o
arbítrio; resta saber quando ela despertará nos demais ministros que se recusam
a ouvir suas consciências.
Vicente Lino.


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