quinta-feira, 7 de maio de 2026

 Os Elefantes Azuis que Flávio Dino não Viu.

 Vicente Lino





Dia desses, o Ministro Flávio Dino afirmou que "elefantes azuis" passeiam pela Esplanada dos Ministérios e ninguém vê. Os elefantes azuis seriam escândalos e irregularidades no rumoroso caso do Banco Master que, de tão grandes e bizarros, seriam impossíveis de não notar. 

O que causa estranheza não é a existência dos paquidermes coloridos, mas a seletividade da visão ministerial. Enquanto Dino busca elefantes no horizonte alheio, uma manada inteira parece ter escolhido justamente o seu entorno imediato para pastar. Um deles é o Elefante Contratual: um exemplar robusto de R$ 129 milhões, que foi avistado operando a assinatura de um contrato com o Banco Master. 

Depois de desfilar pela Esplanada, o bicho puxou uma cadeira e sentou-se confortavelmente ao lado do ministro. Outro foi o Elefante Azul Imobiliário, avaliado em R$ 35 milhões. O paquiderme foi visto participando ativamente da venda do Resort Tayayá; depois, com passos calmos e pesados, também buscou o mesmo ambiente frequentado por Flávio Dino, sem ser incomodado. 

Também foi avistado o Elefante Azul Familiar, cujo escritório do filho assinou contrato de R$ 18 milhões com o mesmo Banco Master e, depois, foi também se alojar nos arredores da influência ministerial. O que não se sabe é como pode um servidor do Estado, tão treinado em identificar "coisas absurdas" à distância, não enxergar o que ocorre sob o próprio teto.

Também não sabemos o que torna invisíveis os elefantes azuis que, de tão grandes e próximos, já começam a ocupar todo o espaço da sala. 

Ao gritar "elefante azul", a voz do ministro Flávio Dino pode acabar assustando os que estão bem ao seu lado.

Vicente Lino.



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