O OCIDENTE PERDEU A CORAGEM — E MICHAEL DOUGLAS DISSE EM VOZ ALTA
Por Eduardo Brandão.
A crítica feita por Michael Douglas recentemente à equivalência moral entre o Estado de Israel e organizações terroristas é não apenas pertinente, mas necessária. Equiparar quem busca, ainda que sob imperfeições, mitigar danos civis, a quem deliberadamente os utiliza como escudo, não é exercício crítico — é distorção deliberada da realidade. É a transformação da análise em militância cega.
E quando Douglas fala, não há ambiguidade. Há diagnóstico: o
mundo perdeu a bússola moral. E ele acerta ao apontar Israel não como agente de
poder, mas como linha de defesa de valores que o próprio Ocidente já não tem
coragem de sustentar.
O que está em jogo não é território, mas civilização. De um
lado, uma democracia imperfeita, porém estruturada em direitos, instituições e
responsabilidade. Do outro, grupos que fazem do terror uma estratégia e da
população civil um escudo. Igualar esses polos não é análise - é cegueira
deliberada.
A fala de do ator expõe o vício mais corrosivo do debate
atual: a seletividade moral. Muitos que se dizem defensores de direitos humanos
são implacáveis com democracias, mas indulgentes com regimes e grupos violentos
quando isso convém à sua ideologia.
Ele toca no ponto central ao afirmar que democracias não se
defendem com retórica, mas com força. Trata-se de uma constatação histórica,
não de um apelo belicista. A própria sobrevivência das instituições
democráticas ao longo do século XX foi garantida não apenas por discursos, mas
por ações concretas diante de ameaças reais.
No fim, Douglas não fez um discurso. Fez um alerta. O
problema é que, hoje, reconhecer o óbvio virou ato de coragem.
Eduardo Brandão.


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