Banco Master declarou pagamentos milionários a escritórios
de políticos e ex-ministros, diz jornal -
Hermano Freitas
Dados da Receita Federal indicam que o Banco Master declarou
pagamentos milionários a escritórios de advocacia e empresas ligadas a figuras
políticas. A informação foi revelada nesta quarta-feira (8) pelo jornal Folha
de S.Paulo, com base em documentos enviados pelo Fisco à CPI do Crime
Organizado.
A lista abrange diversos espectros políticos, incluindo
nomes como Michel Temer (MDB), Antonio Rueda (União), ACM Neto (União) e os
ex-ministros Guido Mantega (PT), Fabio Wajngarten (sem partido), Henrique
Meirelles e o ex-ministro do STF, Ricardo Lewandowski.
Segundo o jornal, o banco controlado por Daniel Vorcaro
declarou o pagamento de R$ 10 milhões ao escritório de Michel Temer em 2025. O
ex-presidente, contudo, afirmou à Folha ter recebido R$ 7,5 milhões (em duas
parcelas de R$ 5 milhões e R$ 2,5 milhões) por serviços de mediação.
Já Henrique Meirelles teria recebido R$ 18,5 milhões entre
2024 e 2025. O ex-ministro confirmou a prestação de consultoria macroeconômica,
mas ressaltou que rescindiu o contrato em julho de 2025 por baixa demanda.
Outros repasses citados incluíram ainda:
Guido Mantega (Pollaris Consultoria): R$ 14 milhões. Ele não
foi encontrado para comentar.
Antônio Rueda (União Brasil): R$ 6,4 milhões via dois
escritórios. Rueda questionou a legalidade do vazamento dos dados e defendeu o
caráter técnico dos serviços.
ACM Neto (A&M Consultoria): R$ 5,45 milhões entre 2023 e
2025. A empresa confirmou o serviço, mas não validou os valores.
Jaques Wagner
Documentos indicam que o senador Jaques Wagner (PT-BA) teria
recebido R$ 289 mil como pessoa física. À Folha de S. Paulo o parlamentar negou
pagamentos diretos do banco, sustentando que o valor refere-se a rendimentos de
aplicações financeiras. Adicionalmente, o Master teria pago R$ 12 milhões à BN
Financeira, de Bonnie Bonilha, nora do senador. A empresa afirmou que os serviços
— que incluem prospecção e convênios de crédito — foram "regulares,
contabilizados e declarados".
Núcleo do governo anterior
O ex-ministro da Comunicação de Jair Bolsonaro Fabio
Wajngarten teria recebido R$ 3,8 milhões, segundo documentos. Ele afirmou ter
sido contratado para a equipe de defesa de Vorcaro em 2025 e destacou que o
contrato possui cláusulas de confidencialidade.
Repasses a empresas de Ratinho no Paraná
Duas empresas do Grupo Massa, do apresentador Ratinho, pai
do governador do Paraná, Ratinho Junior, também teria recebido repasses. Ao
todo, as empresas Massa Intermediação e Gralha Azul Empreendimentos e
Participações somariam pelo menos R$ 24 milhões em transações entre 2022 e
2025.
De acordo com nota enviada pelo Grupo Massa à Tribuna do
Paraná, "o governador Ratinho Jr não faz parte do quadro societário das
empresas Massa Intermediação e Gralha Azul." A Massa Intermediação e
Assessoria Empresarial presta consultoria em gestão empresarial. A Gralha Azul
é de intermediação e agenciamento de serviços e negócios em geral.
Também procurada pela Tribuna do Paraná, a defesa de Daniel
Vorcaro disse que não vai se manifestar sobre o tema. Ele foi preso pela
segunda vez na Compliance Zero, e foi transferido para a Superintendência da PF
em Brasília, onde tem recebido, com frequência quase diária, a visita de
advogados para desenhar as linhas da delação premiada que deve fazer.
Hermano Freitas


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