A REPÚBLICA DO RABO PRESO.
luiz Felipe D´Avila.
A eleição de 2026 é um jogo de vida ou morte para a liberdade no Brasil. Se perdemos o jogo, seremos responsáveis pelo sepultamento da democracia no País
A degeneração moral, política e institucional após 20 anos de
governos populistas transformou o Brasil na república do rabo preso. Nesse
conluio de sem-vergonhas e oportunistas, há um escambo permanente de cargos,
verbas, propinas, contratos, troca de favores e perversa cumplicidade em torno
do apoderamento do dinheiro público, do uso do poder para fins privados e para
chantagear aqueles que ameaçam colocar em risco os esquemas do submundo da
política. A roubalheira dos aposentados no Instituto Nacional do Seguro Social
(INSS) e o escândalo do Banco Master ilustram como a camorra do Estado se
mobiliza para sepultá-los. Colocam sigilo em torno dos processos, sabotam a
criação de uma comissão parlamentar de inquérito e recorrem a todos os meios
para sumir com provas comprometedoras e invalidar as investigações.
Como há sempre alguém devendo favor a outrem, escândalos são
abafados e processos são arquivados, mas, quando um sujeito metido à besta
resolve abrir a boca e denunciar os malfeitos dos donos do poder, recorre-se à
intimidação institucional e às decisões arbitrárias que violam os limites
constitucionais e os fundamentos do Estado Democrático de Direito para calar e
punir o incauto.
Esse espírito mafioso da república do rabo preso dinamitou a
existência dos pesos e contrapesos institucionais, o respeito à Constituição e
o senso de dever público que deveria balizar a conduta pessoal e moral daqueles
que exercem cargos públicos.
O governo Lula é uma mistura vil de populismo, imoralidade e
irresponsabilidade fiscal. O presidente será lembrado pela dilapidação
institucional que apostou todas as fichas nas mesadas do Estado para conquistar
votos e camuflar a sua incompetência atroz no combate ao crime organizado; pelo
aumento colossal dos tributos para financiar rombos de estatais; pelo inchaço
da máquina pública; e por gastos sigilosos da Presidência da República com
viagens internacionais e cartão de crédito.
Mas a principal
herança maldita do governo é sentida no bolso do brasileiro. A explosão da
dívida pública produziu a maior taxa de juros real do mundo – que custa quase
R$ 1 trilhão ao ano – e provocou um número recorde de inadimplência de pessoas
e empresas no País.
O mau exemplo da Presidência contaminou as demais
instituições. O Poder Judiciário deixou de ser o esteio da estabilidade
institucional e se tornou o epicentro da insegurança jurídica. O voluntarismo
pessoal e a abominável arbitrariedade de alguns juízes do Supremo Tribunal
Federal (STF) se sobrepõem à lei e à Constituição, como retratam os inquéritos
abertos por tempo indeterminado e a falta de pudor para julgar casos nos quais
o juiz é vítima, investigador e julgador.
A existência de quase 2 mil casos na Suprema Corte e no
Superior Tribunal de Justiça (STJ) conduzidos por parentes de ministros do STF
é escandalosa e imoral. A farra das mordomias e penduricalhos, que permitem que
juízes tenham rendimentos acima do teto constitucional, é um disparate para
aqueles que deveriam zelar pelo cumprimento da lei e da Constituição.
A imoralidade no
Congresso contribuiu para aumentar o rombo fiscal e os gastos permanentes do
Estado. O acúmulo de projetos populistas aprovados pelo Parlamento gerou um
aumento de mais de R$ 30 bilhões das despesas públicas, agravando a debilidade
fiscal e jogando no ralo bilhões de reais com a distribuição de emendas
parlamentares, sem nenhum critério de impacto, resultado e transparência do
emprego dos recursos públicos.
A república do rabo preso se apoderou do Estado e trata-o
como um feudo privado, atropelando os limites do Estado Democrático de Direito
e usando as leis e as instituições como fachada para legitimar o mando pessoal
e suas atitudes arbitrárias. Felizmente, ainda temos um extraordinário pelotão
de cidadãos do bem que resistem ao avanço da república do rabo preso.
São políticos e juízes sérios, funcionários públicos
exemplares, empresários, trabalhadores e cidadãos com espírito público que não
se curvam aos sem-vergonhas e continuam empreendendo, trabalhando, julgando,
governando e promovendo boas políticas públicas. É animador ver o heroísmo
cotidiano desses brasileiros que, com seu exemplo de conduta, escolhas, ação e
caráter, têm coragem para defender o que é certo, justo e verdadeiro no Brasil
da sem-vergonhice.
Os brasileiros do bem não podem ficar sentados na
arquibancada assistindo ao jogo das eleições de outubro próximo. A nossa missão
é ajudar a criar o dream team da política para vencer o time do rabo preso. Não
existe barreira para ingressar na política. Pode ser jovem ou velho, rico ou
pobre, homem ou mulher; o único pré-requisito é ter uma boa história de vida,
que retrate o caráter, os valores, a coragem e a coerência entre os discursos e
os feitos da pessoa. Esse é o melhor escudo contra o aliciamento dos sem-vergonhas.
A eleição de 2026 é um
jogo de vida ou morte para a liberdade no Brasil. Os aspirantes a Mussolini e
Maduro já estão no aquecimento, prontos para entrar em campo. Se perdemos o
jogo, seremos responsáveis pelo sepultamento da democracia no País.
Luiz Fellipe D´Avila.


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