quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

INTERIORIZAÇÃO DA INDÚSTRIA INOVADORA EM MATO GROSSO .

 Ernani Lucio P. de Souza.


 Interiorização me faz lembrar de um grande programa da UFMT chamado Unestado - A Universidade nas Cidades, nos idos de 1990 a 1992, encabeçado pelo ex-reitor Ausgusto Frederico Muller Junior e coordenado pelo professor Ap. Abílio Camilo Fernandes Neto.

Foi uma das minhas primeiras experiências com a docência, em vista de que o programa levava para os municípios de Mato Grosso cursos, palestras, eventos culturais e articulação política institucional em prol da implantação de cursos superiores nos municípios do Estado.

Foi uma ação exógena da UFMT, isto é, ações extra-muros da instituição à época indo em busca dos municípios, aliás, movimento de alto impacto educacional e cultural.

Contrariamente, ao tema em epígrafe, o fenômeno da industrialização em Mato Grosso tem se destacado por caracterizar um fenômeno endógeno, quer dizer, em razão da elevada disponibilidade de matéria-prima, mão-de-obra local e inter-regional e relativa infraesturutras básica, logística, econômica, social, ambiental e tecnológica, o capital produtivo tem se instalado no interior do Estado em grande monta.

Esse fato tem sido contrário, também, ao  do que ocorreu em São Paulo, pois, lá, ocorreu o acontecimento da desconcentração industrial, isto é, com a concentração industrial na cidade de São Paulo, acompanhada dos problemas de urbanização elevados, as indústrias ali instaladas migraram para o interior do próprio Estado, conforme, explicam CANO (1985), CARVALHO (1994), COSTA (1994) e PACHECO (1993).

Importa ressalvar que essa industrialização transformadora em Mato Grosso há de ser equilibrada e sistêmica junto aos setores primário e terciário, pois, a maturidade e estabilidade do setor primário, em grande valia e destaque, com capacidade de processo de produção altamente tecnificada (inovação) tem proporcionado aumento de produtividade por ha (hectare) de boi, grãos, oleaginosas, etc., atendendo eficientemente a demanda doméstica e global. 

Nessa esteira revolucionária do processo de industrialização em Mato Grosso, relevante atentar para uma política industrial que primeiramente reconheça quais têm sido os obstáculos para o crescimento e fortalecimento de sua implantação continuada e efetiva.

Assim, um dos problemas presentes tem sido a qualificação da mão-de-obra, condição que várias instituições de ensino e aprendizagem vêm atuando na resolução desse problema, no entanto, é certo que qualificação aumenta a produtividade do trabalho, porém, a produtividade total dos fatores depende do trabalho qualificado e humanizado junto ao uso da melhor tecnologia disponível possível.

Inarredável, deixar claro para empresários e trabalhadores que tecnologia, além de melhorar processos de produção, novos produtos e serviços, é uma grande aliada do aumento de renda, devido ao aumento da produtividade no médio e longo prazos, o que beneficia os setores produtivos de maneira dinâmica e sistêmica.

Em recomendação, oportuno o momento para se construir uma política industrial conectada com uma política tecnológica que envolvam indústrias, governos e instituições científicas e tecnológicas em busca de uma industrialização moderna e inovadora em Mato Grosso que proporcione um equilíbrio dinâmico entre os municípios.



 Ernani Lúcio Pinto de Souza é economista do EIT/UFMT  

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