Congresso reabre aumentando privilégios.
Não
é raro ouvir que o Brasil economiza quando o Congresso está em recesso.
Afinal,
manter o Legislativo brasileiro é uma conta pesadíssima, especialmente quando
comparada a outros países, tanto em termos absolutos quanto em proporção à
economia.
O custo do Congresso Nacional chega a R$ 28 bilhões por ano — cerca
de R$ 41 milhões por dia para manter 594 parlamentares. O setor consome 0,15%
do PIB, enquanto na Argentina esse índice é de 0,08% e, nos Estados Unidos e
Reino Unido, de apenas 0,02%.
Após o descanso das férias, a expectativa era que
os parlamentares se dedicassem a pautas urgentes, como a derrubada do
vergonhoso veto presidencial ao projeto de dosimetria, ou o empenho na
aprovação da anistia ampla e geral — uma medida humanitária para brasileiros,
idosos e doentes que permanecem presos sem condenação, em claro desrespeito ao
devido processo legal.
Temas como custo de vida, segurança, saúde e reforma
administrativa foram, mais uma vez, deixados para depois. Em vez disso, 'suas
excelências' tiveram uma ideia melhor — para eles, naturalmente. Com a
velocidade da luz, a Câmara aprovou duas propostas que reajustam os salários
básicos dos servidores da Casa e do Senado, além de reformular gratificações.
Não
satisfeitos, criaram um novo 'penduricalho': uma licença compensatória que
concede folgas por dias trabalhados, com a possibilidade de conversão em
indenização em dinheiro. Na prática, isso permite que os rendimentos de altos
funcionários cheguem a R$ 77 mil, extrapolando o teto constitucional de R$ 46
mil, já que essas verbas não entram no cálculo do limite.
O impacto
orçamentário apenas para 2026 é estimado em R$ 790 milhões. E ainda pagamos a
dinheirama do Fundão Eleitoral, que chegará a R$ 6,2 bilhões. Nosso Legislativo
funciona como uma ilha de prosperidade cercada por um país em crise.
Não se
envergonham em oferecer um banquete particular pago com o sacrifício do Brasil
que trabalha.
Vicente Lino.


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