O Caso Banco Master: Transparência ou Negociata?
O Brasil exige saber o que o Banco Central tenta esconder sob o carimbo de "sigiloso" no nebuloso caso do Banco Master. É, no mínimo, estranho que o órgão guardião da nossa moeda sinta a necessidade de ocultar conversas e encontros mantidos com o ministro Alexandre de Moraes para tratar da liquidação de uma instituição financeira. Quando critérios técnicos são substituídos por decisões de gabinete, a democracia entra em coma.
O caso Master deixou de ser uma questão de balanço contábil
ou saúde financeira para se transformar em um escândalo de interferência
política e judicial. A autonomia do Banco Central, conquistada a duras penas,
corre o risco de ser descartada em favor de negociações onde a técnica é o que
menos importa.
O Conflito de Interesses e o Sigilo
Resta a pergunta que o sigilo imposto pelo ministro Dias
Toffoli tenta abafar: como garantir a isenção do STF quando o banco em questão
mantém contratos com o escritório de advocacia da esposa de um ministro da
Corte? Este cenário configura um conflito de interesses em sua forma mais nua e
crua. Quando um magistrado oferece orientações ou tenta mediar o destino de uma
instituição que alimenta a receita de sua própria casa, não estamos diante de
justiça, mas de uma possível advocacia administrativa praticada do alto da
toga. Utilizar o peso do tribunal para intimidar a fiscalização técnica do
Banco Central é um golpe contra as instituições.
Não podemos aceitar que o sigilo seja utilizado para proteger
castas, privando a sociedade do direito de saber o que foi discutido entre o BC
e o Ministro. Sem transparência e sem a devida punição dos responsáveis, o
sistema financeiro torna-se uma "roleta russa" onde apenas o cidadão
comum perde. É hora de quebrar o sigilo e restaurar a independência de quem
deveria fiscalizar, e não negociar.
Vicente Lino.
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