sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

O Caso Banco Master: Transparência ou Negociata? 



O Brasil exige saber o que o Banco Central tenta esconder sob o carimbo de "sigiloso" no nebuloso caso do Banco Master. É, no mínimo, estranho que o órgão guardião da nossa moeda sinta a necessidade de ocultar conversas e encontros mantidos com o ministro Alexandre de Moraes para tratar da liquidação de uma instituição financeira. Quando critérios técnicos são substituídos por decisões de gabinete, a democracia entra em coma.

O caso Master deixou de ser uma questão de balanço contábil ou saúde financeira para se transformar em um escândalo de interferência política e judicial. A autonomia do Banco Central, conquistada a duras penas, corre o risco de ser descartada em favor de negociações onde a técnica é o que menos importa.

O Conflito de Interesses e o Sigilo

Resta a pergunta que o sigilo imposto pelo ministro Dias Toffoli tenta abafar: como garantir a isenção do STF quando o banco em questão mantém contratos com o escritório de advocacia da esposa de um ministro da Corte? Este cenário configura um conflito de interesses em sua forma mais nua e crua. Quando um magistrado oferece orientações ou tenta mediar o destino de uma instituição que alimenta a receita de sua própria casa, não estamos diante de justiça, mas de uma possível advocacia administrativa praticada do alto da toga. Utilizar o peso do tribunal para intimidar a fiscalização técnica do Banco Central é um golpe contra as instituições.

Não podemos aceitar que o sigilo seja utilizado para proteger castas, privando a sociedade do direito de saber o que foi discutido entre o BC e o Ministro. Sem transparência e sem a devida punição dos responsáveis, o sistema financeiro torna-se uma "roleta russa" onde apenas o cidadão comum perde. É hora de quebrar o sigilo e restaurar a independência de quem deveria fiscalizar, e não negociar.

Vicente Lino.


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