A MÁQUINA DE CORRUPÇÃO E PODER.
Do Planalto ao STF, o rastro do Banco Master e a democracia
encenada.
O professor Olavo de Carvalho morreu repetindo que o PT não
era apenas um partido. Era um projeto de poder que queria possuir o Estado por
dentro. O Caso Banco Master sugere algo ainda mais corrosivo: não estamos
falando só de corrupção episódica, mas de uma rede que opera como método, com
proteção, contratos e portas giratórias.
Trinta anos de hegemonia cultural criaram uma casta
convencida de que não deve explicações. E é por isso que este caso é tão
devastador. Porque ele não aparece como “desvio”. Ele aparece como normalidade.
Segundo reportagens, Lula recebeu Daniel Vorcaro no Planalto fora da agenda
enquanto o banco já era alvo de apurações. Também segundo reportagens, Guido
Mantega recebeu cifras milionárias para atuar junto ao banco. Jaques Wagner teria
participado de articulações que aproximaram figuras-chave do Master. E há
relatos de pagamentos ao escritório ligado à família de Ricardo Lewandowski já
durante sua passagem pelo Ministério da Justiça.
Isso não é coincidência.
Andrew Lobaczewski chamava de patocracia: quando a patologia
vira norma, o crime vira procedimento e a denúncia é rotulada como “golpe”. O
roteiro é sempre o mesmo. Mensalão vira “narrativa”. Petrolão vira “lawfare”.
Agora, o Caso Master tende a virar “perseguição política”, com o fraudador
rebatizado de vítima e o sistema exigindo silêncio como prova de civilidade.
A hipocrisia fica escancarada no contraste. A esquerda
brasileira passou duas décadas pregando indignação moral contra “banqueiros” e
“rentismo”. Quando o escândalo aponta para um banco, um dono de banco e
contratos bilionários, o que surge é silêncio sepulcral. O moralismo some
quando o cheque é do lado certo.
E aí entra a parte mais indecente: os números. Reportagens
apontam contrato de R$ 129 milhões ligado ao escritório da esposa de Alexandre
de Moraes, com previsão de atuação junto a Banco Central, Receita, Congresso e
Judiciário. Em português claro, isso descreve uma lógica de influência
institucional com recibo.
Somado a isso, o caso se mistura com o debate sobre o rombo
e o efeito dominó da liquidação do banco, com cifras gigantescas em jogo e
disputa institucional envolvendo órgãos de controle.
Alguém vai tentar salvar a narrativa com a velha falsa
equivalência: “mas o cunhado de Vorcaro doou para Bolsonaro”. Sim, redes de
poder podem ser transversais. Mas o ponto decisivo é outro: quem governa hoje é
quem tem a caneta, o acesso, a proteção e a capacidade de converter
instituições em escudo. “Todo mundo é igual” é a última trincheira de quem não
tem defesa.
O Brasil não tem apenas um problema de corrupção. Tem um
problema de ocupação. E quando você começa a ver contratos, valores, encontros
e blindagens se repetindo, a conclusão fica difícil de evitar: não é o Estado
fiscalizando a rede. É a rede operando dentro do Estado. E o símbolo final
dessa captura é simples, brutal e brasileiro: a toga.
O cidadão ainda acredita que existe “independência” porque a
liturgia continua: toga, plenário, jargão, votos longos, ar solene. Mas
liturgia não é freio. É figurino. Se a rede paga, a rede manda. Se a rede
protege, a lei vira enfeite. Não é o Estado fiscalizando o poder. É o poder
usando o Estado como escudo. Isso não é democracia em risco. É democracia
encenada.
O Caramelo.
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