sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

 A MÁQUINA DE CORRUPÇÃO E PODER.




 

Do Planalto ao STF, o rastro do Banco Master e a democracia encenada.

O professor Olavo de Carvalho morreu repetindo que o PT não era apenas um partido. Era um projeto de poder que queria possuir o Estado por dentro. O Caso Banco Master sugere algo ainda mais corrosivo: não estamos falando só de corrupção episódica, mas de uma rede que opera como método, com proteção, contratos e portas giratórias.

Trinta anos de hegemonia cultural criaram uma casta convencida de que não deve explicações. E é por isso que este caso é tão devastador. Porque ele não aparece como “desvio”. Ele aparece como normalidade. Segundo reportagens, Lula recebeu Daniel Vorcaro no Planalto fora da agenda enquanto o banco já era alvo de apurações. Também segundo reportagens, Guido Mantega recebeu cifras milionárias para atuar junto ao banco. Jaques Wagner teria participado de articulações que aproximaram figuras-chave do Master. E há relatos de pagamentos ao escritório ligado à família de Ricardo Lewandowski já durante sua passagem pelo Ministério da Justiça.

Isso não é coincidência.

Andrew Lobaczewski chamava de patocracia: quando a patologia vira norma, o crime vira procedimento e a denúncia é rotulada como “golpe”. O roteiro é sempre o mesmo. Mensalão vira “narrativa”. Petrolão vira “lawfare”. Agora, o Caso Master tende a virar “perseguição política”, com o fraudador rebatizado de vítima e o sistema exigindo silêncio como prova de civilidade.

A hipocrisia fica escancarada no contraste. A esquerda brasileira passou duas décadas pregando indignação moral contra “banqueiros” e “rentismo”. Quando o escândalo aponta para um banco, um dono de banco e contratos bilionários, o que surge é silêncio sepulcral. O moralismo some quando o cheque é do lado certo.

E aí entra a parte mais indecente: os números. Reportagens apontam contrato de R$ 129 milhões ligado ao escritório da esposa de Alexandre de Moraes, com previsão de atuação junto a Banco Central, Receita, Congresso e Judiciário. Em português claro, isso descreve uma lógica de influência institucional com recibo.

Somado a isso, o caso se mistura com o debate sobre o rombo e o efeito dominó da liquidação do banco, com cifras gigantescas em jogo e disputa institucional envolvendo órgãos de controle.

Alguém vai tentar salvar a narrativa com a velha falsa equivalência: “mas o cunhado de Vorcaro doou para Bolsonaro”. Sim, redes de poder podem ser transversais. Mas o ponto decisivo é outro: quem governa hoje é quem tem a caneta, o acesso, a proteção e a capacidade de converter instituições em escudo. “Todo mundo é igual” é a última trincheira de quem não tem defesa.

O Brasil não tem apenas um problema de corrupção. Tem um problema de ocupação. E quando você começa a ver contratos, valores, encontros e blindagens se repetindo, a conclusão fica difícil de evitar: não é o Estado fiscalizando a rede. É a rede operando dentro do Estado. E o símbolo final dessa captura é simples, brutal e brasileiro: a toga.

O cidadão ainda acredita que existe “independência” porque a liturgia continua: toga, plenário, jargão, votos longos, ar solene. Mas liturgia não é freio. É figurino. Se a rede paga, a rede manda. Se a rede protege, a lei vira enfeite. Não é o Estado fiscalizando o poder. É o poder usando o Estado como escudo. Isso não é democracia em risco. É democracia encenada.

O Caramelo.


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