A impunidade se consolida por falta de transparência nas instituições
Reportagem
da Gazeta do Povo dá conta de que o ministro Toffoli mandou lacrar cinco
telefones apreendidos pela PF no caso do Banco Master, de Daniel Vorcaro. De
novo, o ministro nos faz duvidar da higidez das instituições brasileiras e do
rito processual que deveria garantir a justiça. Quando ele ordena a retirada de
cinco celulares com potencial de implicar autoridades, mais uma vez envia um
sinal de instabilidade para toda a estrutura democrática.
A
preservação da cadeia de custódia é o que garante que um crime seja punido de
forma legítima. Quando essa cadeia é rompida por quem deveria protegê-la, o
próprio conceito de Estado de Direito é colocado em dúvida. Toffoli precisa
saber que a confiança da sociedade no Judiciário está na percepção de que a
justiça é cega e aplicada a todos; quando suas decisões interrompem o fluxo
natural das investigações, ele joga por terra o resto da credibilidade no STF.
A
situação se agrava porque os outros ministros continuam calados, e esse
silêncio diante dos fatos pode ser interpretado como conivência. Não contamos
com a imprensa, nem com as associações de classe, que não pautam a gravidade de
mais este escândalo. Por isso mesmo, provas somem ou são isoladas do processo
investigativo por ordem superior.
O
Brasil decente não quer um estado de exceção judicial, onde o devido processo
legal serve apenas para garantir a soltura ou a proteção de "criminosos de
estimação". Toffoli desconstrói o trabalho policial e aumenta o
distanciamento entre o que a sociedade merece e o que recebe do STF. A
impunidade, enfim, consolida-se pela falta de transparência na justiça e pela
ausência de coragem nas instituições.
Vicente Lino.
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