quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

 Festas do Master: quem seria o “p… das galáxias” do Judiciário? 

 Mario Sabino






Era inevitável que houvesse sexo entre os ingredientes do escândalo do Master. Haveria um suposto vídeo estrelado por um personagem poderoso

Era inevitável que houvesse sexo entre os ingredientes do escândalo do Banco Master.

É o nosso destino, como diz Paulo Prado, no clássico Retrato do Brasil: ao lado da cobiça, tem-se a luxúria, ingredientes essenciais da tristeza brasileira, resultado psíquico do esgotamento moral e físico causado por ambas.

Para não variar, a expectativa advém do celular (ou nos celulares) de Daniel Vorcaro, dispositivo que se tornou eventual Deus ex-machina.

Escuto já faz algum tempo e leio agora nos jornais que há imagens das festinhas que o banqueiro promovia, misturando autoridades dos três poderes e moças de fino trato — de resto, bem mais fino do que o das autoridades.

A história ganha contorno mais nítido com a representação do Ministério Público junto ao TCU que recomenda a abertura de um processo para identificar quais seriam as autoridades que participaram das festas que Vorcaro dava em uma casa em Trancoso.

“Esses eventos, denominados Cine Trancoso, teriam contado com a presença de altas autoridades dos Três Poderes da República, incluindo integrantes do Poder Executivo do governo anterior, membros do mercado financeiro, da política e do meio jurídico”, diz a representação.

Antes de ser adquirida por Vorcaro, ao preço de R$ 300 milhões, a casa onde ocorriam as, digamos, exibições do Cine Trancoso pertencia a uma ricaça de São Paulo, que a alugava ao banqueiro.

Em uma ocasião, a proprietária ficou furiosa com Vorcaro por causa de uma festa para lá de animada dada por ele.

“O Vorcaro encheu a minha casa de putas. Ele, amigos e muitas putas! Desde antes de ontem, reclamações por causa do som acima do permitido. Ontem foi pior”, escreveu a dona da casa ao corretor responsável pelo aluguel, em 5 de outubro de 2022, véspera do aniversário de Vorcaro, como revelado pelos jornalistas Guilherme Seto e Lucas Marchisini.

A representação feita ao TCU (não deixa de ser curioso que o Tribunal de Conta da União tenha de fiscalizar lubricidades) cita uma reportagem da revista digital Liberta.

A revista diz ter uma fonte que afirma ter assistido a um suposto vídeo exibido na reunião do board de uma distribuidora de títulos e valores mobiliários.

O suposto vídeo seria uma compilação de cenas das festas promovidas por Vorcaro, que contaria com moças vindas do exterior, bem mais confiáveis pelas distâncias geográfica e linguística que as separam destes tristes trópicos. Diz a revista:

“O vídeo era estrelado por um ‘pica das galáxias’ do Poder Judiciário. Foi assim, ‘pica das galáxias’, que um dos principais executivos da Reag classificou o personagem quando o tema terminou sendo abordado na mesa de trabalhos da operadora agora em liquidação pelo Banco Central.

O vídeo estava arquivado no celular de Daniel Vorcaro, à época banqueiro e ainda controlador do Master. Hoje, Vorcaro é ex-banqueiro, o Master não é mais banco, a Reag está em liquidação e o celular está retido pelo Ministério Público Federal e pela Polícia Federal sob custódia do Supremo Tribunal Federal. ”

Noticia-se que houve festas em Trancoso, em Nova York e em Lisboa, um “after” para aliviar os cérebros que haviam fumegado no Gilmarpalooza.

“No dia seguinte ao after do banqueiro, os participantes do Gilmarpalooza que circulavam na avenida da Liberdade, onde estão localizadas as grifes de luxo de Lisboa, só falavam do evento do Master, segundo três pessoas que acompanharam o seminário.

Muitos dos participantes viajaram acompanhados por esposas ou namoradas, e a circulação de algumas das mulheres convidadas por Vorcaro em lugares públicos despertou desconfiança e gerou falatório nas rodas femininas.

Pessoas no entorno do Master contam que algumas das mulheres frequentadoras das festas teriam se tornado próximas de Vorcaro. Recebiam mesada, moravam em hotéis de luxo em São Paulo e ajudavam a trazer amigas para participar das festas promovidas na cidade”, escrevem as repórteres Alexa Salomão e Joana Cunha.

Quando indagada por jornalistas a respeito das bagunças de Vorcaro, a defesa do banqueiro diz que “a divulgação de conteúdos carregados de juízo moral, dissociados de qualquer relevância jurídica, contribui apenas para a criação de ilações e para a indevida invasão da esfera privada”.

De fato, seriam ingerência indevida e moralismo fuçar e condenar festinhas privadas promovidas por adultos para adultos, em ambiente no qual o sexo é praticado de forma consensual.

A questão é que as festas de Vorcaro teriam como peça de resistência, além do sexo, a corrupção e o tráfico de influência envolvendo autoridades e políticos. Nesse caso, a coisa se torna de interesse público e é passível de julgamento moral.

Movido por absoluto interesse público, portanto, é que vocalizo a pergunta que não quer calar: quem seria o “pica das galáxias do Judiciário” que protagonizaria o suposto vídeo que estaria no celular de Vorcaro?

Mario Sabino.



 A Quarta de Cinzas chegou para   o  STF.

Malu Gaspar





A maior parte do Brasil passou o carnaval pensando no que fazer na folga, na programação dos blocos de sua cidade ou na classificação das escolas de samba na Sapucaí. No Supremo Tribunal Federal (STF), foram dias de tensão sem trégua. Os ministros ainda nem tinham digerido o trauma provocado pela reunião secreta em que obrigaram Dias Toffoli a deixar a relatoria do caso Master quando Alexandre de Moraes mandou que a Polícia Federal (PF) batesse à porta de quatro servidores da Receita e do Serpro em plena Terça-feira Gorda, numa operação para combater o “possível vazamento indevido de dados sigilosos de Ministros do Supremo Tribunal Federal, do procurador-geral da República e de seus familiares”.

 

Em tese, Moraes defendeu o tribunal, portanto era de esperar que a operação fosse bem recebida por seus pares. Na prática, não foi bem assim. Mesmo os que costumam apoiar suas investidas se incomodaram por não terem sido avisados de que ele mandara a Receita averiguar se houve acessos ilegais aos dados de mais de cem pessoas, entre ministros e seus parentes. Se havia suspeita de violação, por que Moraes não os avisou?

 

Os mais arredios passaram a suspeitar que o ministro incluíra toda essa gente na apuração para disfarçar seu objetivo real — descobrir se alguém havia aberto a declaração de imposto de renda de sua mulher, Viviane, e vazado a informação a jornalistas. Ou pior: que buscasse informações para se proteger do avanço das investigações. Afinal, não se sabe ao certo o que o celular de Daniel Vorcaro ainda guarda sobre ele, e Moraes até agora não explicou para que, afinal, serviu o contrato de R$ 130 milhões do Master com o escritório de Viviane.

Toda essa reação demonstra não só o tamanho do buraco em que o caso Master jogou o Supremo, mas também quão profundo se tornou o fosso entre o tribunal e a sociedade. As falas dos ministros na reunião secreta em que se decidiu pelo afastamento de Toffoli são sintomáticas.

Em vez de discutir a essência do problema que os colocou naquela situação — a descoberta de uma pilha de indícios de que Toffoli e Vorcaro tinham uma relação promíscua e uma negociação mal explicada de R$ 35 milhões —, os ministros passaram a maior parte do tempo espinafrando a PF e especulando sobre as razões por que o diretor Andrei Rodrigues havia apresentado um relatório sobre o assunto ao STF. Pelo jeito, para os supremos, seguir o que manda a lei e comunicar a descoberta de indícios de crime a quem de direito não é motivo suficiente.

 

Numa das falas mais enfáticas, Flávio Dino classificou o documento da PF como “lixo jurídico”:

— Este problema é político. O ministro pegou uma causa bilionária de R$ 55 bilhões e um negócio dele lá com um fundo de R$ 16 milhões é o problema do país? É óbvio que esse não é o problema do país. Isso é para encobrir os interesses dos grandes empresários.

Tanta convicção sobre eventuais motivações extra-autos revela muito mais sobre o STF que sobre um relatório que ninguém, nem Toffoli, contestou publicamente. O mesmo se pode dizer sobre a descrição da reunião publicada pelo site Poder 360 ter sido tão precisa que os ministros passaram a suspeitar de que tinham sido gravados — e pelo próprio Toffoli.

Em tese, gravar uma reunião secreta do Supremo e vazar à imprensa também configura violação do sigilo funcional, tanto quanto surrupiar uma declaração de imposto de renda para entregar a jornalistas. Mas essa suspeita nenhum dos ministros fez questão de transformar em investigação.

Nesse contexto, não deveria ser surpresa Alexandre de Moraes recorrer ao inquérito das fake news para apurar mais um fato em que ele é ao mesmo tempo vítima, investigador e juiz. Aberto em 2019 por Toffoli para apurar outra suspeita de violação de sigilo, desta vez de suas mulheres advogadas, o inquérito já poderia ter sido encerrado quando o próprio Moraes concluiu não haver mais motivo para continuar a investigação e mandou reintegrar os servidores investigados.

Ou, ainda, quando a então procuradora-geral da República pediu seu arquivamento, por entender que Moraes desrespeitara “o devido processo legal” ao tocar a apuração para apurar a disseminação de fake news sem consultar o Ministério Público.

 

No fundo, a razão por que o inquérito das fake news continua aberto e é usado por Moraes para fazer o que bem entende é a mesma por que Tofolli julgou não haver problema em continuar comandando o caso Master. Pouco importa que a população esteja contra o Supremo, como disse Cármen Lúcia, ou que alguns de seus atos possam ser questionados à luz da Constituição. Ao que parece, conta mesmo só aquilo que Dino definiu na tal reunião vazada como “STF Futebol Clube”. O resto é confete.

Malu Gaspar.



quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

 NOTA  DE INTERESSE PÚBLICO.


O Sindifisco Nacional (Sindicato dos Auditores-Fiscais da Receita Federal) afirma que acompanha de perto os desdobramentos da operação da Polícia Federal que resultou nos mandatos de busca e apreensão contra servidores ligados à Receita Federal.

Veja nota na íntegra da Unafisco Nacional:

A Unafisco Nacional manifesta preocupação com a adoção de medidas cautelares gravosas contra Auditor-Fiscal em contexto ainda classificado como análise preliminar pela própria Receita Federal.

A entidade defende que eventuais irregularidades sejam rigorosamente apuradas, mas sempre com observância do devido processo legal, da presunção de inocência e da proporcionalidade das medidas adotadas. A aplicação de sanções cautelares extremas exige fundamentação robusta e lastro probatório consistente.

Não é a primeira vez que, diante de alegações de vazamento, medidas de afastamento e restrições são adotadas antes da conclusão técnica dos fatos.

Em 2019, também utilizando o Inquérito das Fakenews, o Ministro Alexandre de Moraes afastou dois Auditores-Fiscais acusados de vazamento de informações fiscais de parentes de ministros do STF.

Posteriormente a acusação mostrou-se sem nenhum lastro probatório, tendo sido os dois Auditores-Fiscais reintegrados.

Os Auditores-Fiscais da Receita Federal não podem, mais uma vez, ser transformados em bodes expiatórios em meio a crises institucionais ou disputas que não lhes dizem respeito. A instrumentalização de servidores públicos para deslocar o foco do debate público compromete a credibilidade das instituições e enfraquece o Estado de Direito. A Receita Federal é órgão de Estado e seus servidores não podem ser submetidos a exposição pública ou constrangimentos institucionais antes da conclusão das apurações.


O Sindifisco Nacional (Sindicato dos Auditores-Fiscais da Receita Federal)

 


 

 STF Futebol Clube não respeita as   regrasdo jogo.


Lygia Maria para a Folha de S. Paulo.



Em reunião corporativista, ministros desconsideram a gravidade das conexões entre Toffoli e o Banco Master apresentadas em relatório da PF. Dino afirma que o documento é 'lixo jurídico', mas no lixo está a credibilidade da mais alta corte do país.

A Polícia Federal enviou ao presidente do STF um relatório que indica conexões entre Dias Toffoli e Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, que é investigado em caso relatado por Toffoli.

Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, a PF mostra conversas de 2024 no celular de Vorcaro nas quais ele determina repasses ao resort Tayayá que chegariam a R$ 35 milhões e diz que está sendo cobrado pelos pagamentos.

Em 2021, a Maridt, empresa dos irmãos de Toffoli onde o ministro figura como sócio, comprou cotas do Tayayá e vendeu metade de sua fatia ao fundo Arleen, que era propriedade de outro fundo, o Leal, pertencente ao cunhado de Vorcaro —em fevereiro de 2025, os Toffoli encerraram a sua participação no resort de luxo.

A relação de familiares de Toffoli com o Tayayá e o Master foi revelada pela Folha em 11 de janeiro. Mas, só após o relatório da PF, Toffoli admitiu que é sócio da Maridt —seu nome não aparecia por ser uma sociedade anônima.

Você, leitor, ficou perdido nessa trama? Tudo bem, ela foi feita para confundir. Trata-se da principal característica da corrupção moderna, que os doutos ministros fingiram desconhecer na reunião que avaliou o relatório.

Pesquisas internacionais mostram que negócios legais podem ser usados para repasses ilícitos por meio de mecanismos como layering (camadas de transações), concealment (ocultação do beneficiário real) e trade-based corruption (valores são transferidos dentro de operações comerciais ou financeiras legítimas).

O imbróglio que envolve Toffoli e Master fecha esse bingo, mas não significa condenação a priori. O que se exige do STF e, principalmente, da PGR, é o reconhecimento da gravidade dos indícios e a necessidade de investigá-los.

Mas a reunião regada a corporativismo só resultou num paradoxo: a saída de Toffoli da relatoria aliada a uma nota de apoio ao magistrado. Flávio Dino disse que o relatório da PF é "lixo jurídico" e que ele é "STF futebol clube".

No lixo está a credibilidade da mais alta corte do país, já que seu time de ministros insiste em desrespeitar as regras do jogo que deveria proteger.


Lygia Maria para a Folha de São Paulo.




 Anatomia do Estado Brasileiro.


No livro "Anatomia do Estado”, Murray Rothbard disseca o Estado não como uma instituição social necessária, mas como uma organização que sobrevive através do usufruto de recursos alheios. Na mosca.

 O livro foi publicado em 1974, mas vários pontos da obra parecem quase uma descrição literal da nossa realidade. O autor argumenta que o Estado é a única organização que obtém sua receita através da coerção e não pelo serviço voluntário, o que é confirmado pelos impostos cobrados e sua péssima destinação.

 O cidadão sente que paga "preços de primeiro mundo" por serviços públicos que deixam a desejar, porque o objetivo primário do Estado é a sua própria manutenção, e não o bem-estar do povo. Observando os salários e os penduricalhos da elite do Estado, imaginamos que o autor escreveu o livro olhando para Congresso brasileiro.

 Quando ele descreve a aliança entre o Estado e os intelectuais, é fácil constatar que o Estado precisa de intelectuais para convencer a massa de que o governo é necessário, bom e inevitável. Fica clara a dependência de setores da academia, mídia e influenciadores de verbas públicas pagas com o dinheiro dos nossos impostos. O livro não deixa de citar que o Estado utiliza crises reais ou fabricadas para expandir seu poder, pois, em momentos de medo, as pessoas aceitam ceder liberdade em troca de segurança. 

Neste trecho, enxergamos o autor caminhando pela Praça dos 3 Poderes para depois sofrer as injustiças que milhares de brasileiros ainda sofrem. A leitura deste livro serve como uma lente crítica para questionar se o Estado visa realmente o serviço ao cidadão ou se é um fim em si mesmo.

 No caso brasileiro o Estado é um fim em si mesmo.

Vicente Lino.


 

 

 

 

 

terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

 

Fernão Lara Mesquita

Alexandre de Moraes, aquele cuja família tem um contrato com Daniel Vorcaro, do Banco Master, que lhes garante 3 milhões e 600 mil reais POR MÊS, pagos religiosamente ha 19 meses sem que haja registro de que os advogados da família tenham prestado qualquer serviço por cima do pano ao banco, queria manter isso em eterno segredo, o que sugere que desde antes de aceitar esse mimo ele já sabia que isso suja a barra dele.

Vai daí, a única reação do paladino do estado “democrático” de direito modelo ditadura lulista teve, ao ver revelado o seu segredo, não foi desfazer o contrato e devolver o dinheiro mas investigar quem, na Receita Federal, vazou a informação para o Brasil.

Agora, segundo Andreza Matais, do site Metrópoles, ele já localizou dois “suspeitos” de contar a verdade ao país: um servidor do Serpro (empresa de tecnologia do governo federal) cedido à Receita e um funcionário da Receita teriam olhado as contas de Viviane Barci de Moraes, em nome de quem foi feito o contrato de 129 milhões com que o banqueiro trambiqueiro queria comprar os serviços da família, sem a ordem judicial que, considerados os superpoderes auto-atribuídos ao STF, jamais seria dada.

Matais apurou, também, que as contas do filho de outro dos heróis da democracia lulista lotado no STF também foram xeretadas.

Fernão Lara Mesquita.


 


 

 A apoteose da corrupção na Sapucaí.

 Sergio Moro



Não me lembro de ter assistido a algo tão deprimente como o desfile em homenagem a Lula feito pela Acadêmicos de Niterói, no carnaval do Rio de Janeiro.

A lista de problemas jurídicos e éticos é numerosa. O principal deles: a escola de samba recebeu recursos – cerca de R$ 1 milhão – do governo federal. Sim, outras escolas também receberam, mas isso não muda o fato de que dinheiro público foi utilizado para realizar propaganda pessoal do atual presidente da República. A escola também teria recebido recursos públicos da prefeitura de Niterói, dirigida por um aliado político de Lula. O dinheiro do contribuinte foi, portanto, utilizado para fazer culto à personalidade do presidente da República.

Bastaria ter imposto à escola a proibição de fazer propaganda pessoal de político com os recursos recebidos. À escola caberia escolher fazer o desfile de propaganda sem o dinheiro público, ou mudar de tema e usar os recursos.

O dinheiro do contribuinte foi utilizado para fazer culto à personalidade do presidente da República

Quando vi um dos carros alegóricos com um boneco gigante de Lula com o braço para cima, em pose de vitória, lembrei-me daqueles monumentos para a celebração de déspotas ou ditadores, como a grande estátua de bronze do ditador Kim II-sung, avô do atual líder Kim Jong-un, da triste Coreia do Norte. O Brasil segue rumo ao modelo Pyongyang?

Como se o escândalo não fosse suficiente, estamos em ano eleitoral e Lula pretende concorrer à reeleição. O desfile na avenida destinado ao seu enaltecimento quebra as regras de paridade das eleições e configura abuso de poder político e propaganda eleitoral antecipada.

TCU e TSE foram provocados para impedir o ilícito, mas lavaram as mãos. Os técnicos do TCU haviam recomendado o veto do repasse de recursos do governo federal. Foram ignorados pelo ministro relator do caso, Aroldo Cedraz. Já o TSE liberou o evento sob o pretexto de que não poderia fazer “censura prévia”, ignorando o uso de dinheiro público. Alguns creem que o TSE ainda poderá fazer algo a posteriori; eu simplesmente não acredito nisso.

O desfile foi abjeto. Os escândalos de corrupção foram omitidos. Não houve carro alegórico para o Departamento de Propina da Odebrecht, para o sítio de Atibaia ou para o tríplex do Guarujá. Não reconheci nem Marcos Valério, nem o mensalão no enredo. Também omitiram os esquemas mais recentes, do roubo dos aposentados e pensionistas do INSS e, ainda, da fraude do Banco Master.

Não faltaram ataques aos adversários políticos. Entre eles, pelo jeito, a família brasileira, os evangélicos e o agronegócio. Michel Temer foi retratado como um ladrão da faixa presidencial, enquanto a Jair Bolsonaro foi reservada uma caracterização de mau gosto, como o palhaço Bozo, recolhido e preso.

O Brasil vivencia uma rápida deterioração da institucionalidade e dos costumes políticos. Esse desfile foi representativo. Corremos o risco de normalização do ilícito e do inaceitável. Na longa lista dos escândalos mais recentes, este foi mais um deles.

  Sergio Moro