quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

 STF Futebol Clube não respeita as   regrasdo jogo.


Lygia Maria para a Folha de S. Paulo.



Em reunião corporativista, ministros desconsideram a gravidade das conexões entre Toffoli e o Banco Master apresentadas em relatório da PF. Dino afirma que o documento é 'lixo jurídico', mas no lixo está a credibilidade da mais alta corte do país.

A Polícia Federal enviou ao presidente do STF um relatório que indica conexões entre Dias Toffoli e Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, que é investigado em caso relatado por Toffoli.

Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, a PF mostra conversas de 2024 no celular de Vorcaro nas quais ele determina repasses ao resort Tayayá que chegariam a R$ 35 milhões e diz que está sendo cobrado pelos pagamentos.

Em 2021, a Maridt, empresa dos irmãos de Toffoli onde o ministro figura como sócio, comprou cotas do Tayayá e vendeu metade de sua fatia ao fundo Arleen, que era propriedade de outro fundo, o Leal, pertencente ao cunhado de Vorcaro —em fevereiro de 2025, os Toffoli encerraram a sua participação no resort de luxo.

A relação de familiares de Toffoli com o Tayayá e o Master foi revelada pela Folha em 11 de janeiro. Mas, só após o relatório da PF, Toffoli admitiu que é sócio da Maridt —seu nome não aparecia por ser uma sociedade anônima.

Você, leitor, ficou perdido nessa trama? Tudo bem, ela foi feita para confundir. Trata-se da principal característica da corrupção moderna, que os doutos ministros fingiram desconhecer na reunião que avaliou o relatório.

Pesquisas internacionais mostram que negócios legais podem ser usados para repasses ilícitos por meio de mecanismos como layering (camadas de transações), concealment (ocultação do beneficiário real) e trade-based corruption (valores são transferidos dentro de operações comerciais ou financeiras legítimas).

O imbróglio que envolve Toffoli e Master fecha esse bingo, mas não significa condenação a priori. O que se exige do STF e, principalmente, da PGR, é o reconhecimento da gravidade dos indícios e a necessidade de investigá-los.

Mas a reunião regada a corporativismo só resultou num paradoxo: a saída de Toffoli da relatoria aliada a uma nota de apoio ao magistrado. Flávio Dino disse que o relatório da PF é "lixo jurídico" e que ele é "STF futebol clube".

No lixo está a credibilidade da mais alta corte do país, já que seu time de ministros insiste em desrespeitar as regras do jogo que deveria proteger.


Lygia Maria para a Folha de São Paulo.




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