STF Futebol Clube não respeita as regrasdo jogo.
Em reunião corporativista,
ministros desconsideram a gravidade das conexões entre Toffoli e o Banco Master
apresentadas em relatório da PF. Dino afirma que o documento é 'lixo jurídico',
mas no lixo está a credibilidade da mais alta corte do país.
A Polícia Federal enviou ao
presidente do STF um relatório que indica conexões entre Dias Toffoli e Daniel
Vorcaro, ex-dono do Banco Master, que é investigado em caso relatado por
Toffoli.
Segundo o jornal O Estado de
S. Paulo, a PF mostra conversas de 2024 no celular de Vorcaro nas quais ele
determina repasses ao resort Tayayá que chegariam a R$ 35 milhões e diz que
está sendo cobrado pelos pagamentos.
Em 2021, a Maridt, empresa dos
irmãos de Toffoli onde o ministro figura como sócio, comprou cotas do Tayayá e
vendeu metade de sua fatia ao fundo Arleen, que era propriedade de outro fundo,
o Leal, pertencente ao cunhado de Vorcaro —em fevereiro de 2025, os Toffoli
encerraram a sua participação no resort de luxo.
A relação de familiares de
Toffoli com o Tayayá e o Master foi revelada pela Folha em 11 de janeiro. Mas,
só após o relatório da PF, Toffoli admitiu que é sócio da Maridt —seu nome não
aparecia por ser uma sociedade anônima.
Você, leitor, ficou perdido
nessa trama? Tudo bem, ela foi feita para confundir. Trata-se da principal
característica da corrupção moderna, que os doutos ministros fingiram
desconhecer na reunião que avaliou o relatório.
Pesquisas internacionais
mostram que negócios legais podem ser usados para repasses ilícitos por meio de
mecanismos como layering (camadas de transações), concealment (ocultação do
beneficiário real) e trade-based corruption (valores são transferidos dentro de
operações comerciais ou financeiras legítimas).
O imbróglio que envolve
Toffoli e Master fecha esse bingo, mas não significa condenação a priori. O que
se exige do STF e, principalmente, da PGR, é o reconhecimento da gravidade dos
indícios e a necessidade de investigá-los.
Mas a reunião regada a
corporativismo só resultou num paradoxo: a saída de Toffoli da relatoria aliada
a uma nota de apoio ao magistrado. Flávio Dino disse que o relatório da PF é
"lixo jurídico" e que ele é "STF futebol clube".
No lixo está a credibilidade
da mais alta corte do país, já que seu time de ministros insiste em
desrespeitar as regras do jogo que deveria proteger.
Lygia Maria para a Folha de São
Paulo.


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