sábado, 7 de novembro de 2026

 Dois bancos quebrados, duas respostas bem diferentes.




Na quinta-feira passada, Santiago Peña renunciou ao cargo de Presidente da República do Paraguai por conta da crise provocada pela quebra do Ueno Bank, maior banco digital do país. O banco sofreu intervenção do Banco Central devido a indícios de má gestão financeira.

Teve um crescimento acelerado nos últimos anos, tornando-se a maior emissora de cartões de crédito do Paraguai, e recebeu cerca de US$ 850 milhões em verbas estatais, fundos do Instituto de Previdência Social e contas do Estado, levantando suspeitas de favorecimento ilícito. 

Tudo isto desencadeou uma grave crise política com acusações diretas contra o presidente da República e seus aliados. Imediatamente, o Ministério Público formalizou denúncia contra 27 pessoas; a oposição protocolou o pedido de impeachment contra o presidente Santiago Peña, e ele foi afastado do cargo. Em apenas três dias, todos os envolvidos foram presos e, por unanimidade, o Senado aprovou o impeachment do Presidente.  O país vizinho mostrou que, lá, a justiça é rápida, as leis são aplicadas com rigor dentro do devido processo legal e todos são iguais perante a lei. O Paraguai acaba de dar uma lição ao Brasil.

 Por aqui, assistimos à quebradeira do Banco Master: as aplicações de recursos públicos somam 3,6 bilhões de reais; 19 regimes de previdência pública possuem valores aplicados em títulos da instituição e não vão receber nada, porque estão fora da cobertura do Fundo Garantidor de Créditos.

 A Polícia Federal indiciou dezenas de envolvidos, mas os ministros do Supremo, a cúpula do governo federal e a presidência do Banco Central não sofreram restrições e permanecem em seus cargos. Nem os pedidos de impeachment decorrentes das investigações são atendidos. 

Enquanto no Paraguai o rigor da Justiça e uma oposição atuante impuseram consequências imediatas à cúpula do poder, no Brasil a lentidão judicial perpetua a impunidade. Esquemas bilionários que devassam a previdência e o sistema financeiro terminam em blindagens e trâmites infindáveis. 

Senhores, a integridade ainda funciona muito melhor do outro lado da ponte.

   Vicente Lino.


 

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