Dois bancos quebrados, duas respostas bem diferentes.
Na
quinta-feira passada, Santiago Peña renunciou ao cargo de Presidente da
República do Paraguai por conta da crise provocada pela quebra do Ueno Bank,
maior banco digital do país. O banco sofreu intervenção do Banco Central devido
a indícios de má gestão financeira.
Teve um crescimento acelerado nos últimos
anos, tornando-se a maior emissora de cartões de crédito do Paraguai, e recebeu
cerca de US$ 850 milhões em verbas estatais, fundos do Instituto de Previdência
Social e contas do Estado, levantando suspeitas de favorecimento ilícito.
Tudo
isto desencadeou uma grave crise política com acusações diretas contra o
presidente da República e seus aliados. Imediatamente, o Ministério Público
formalizou denúncia contra 27 pessoas; a oposição protocolou o pedido de
impeachment contra o presidente Santiago Peña, e ele foi afastado do cargo. Em
apenas três dias, todos os envolvidos foram presos e, por unanimidade, o Senado
aprovou o impeachment do Presidente. O
país vizinho mostrou que, lá, a justiça é rápida, as leis são aplicadas com
rigor dentro do devido processo legal e todos são iguais perante a lei. O
Paraguai acaba de dar uma lição ao Brasil.
Por aqui, assistimos à quebradeira
do Banco Master: as aplicações de recursos públicos somam 3,6 bilhões de reais;
19 regimes de previdência pública possuem valores aplicados em títulos da
instituição e não vão receber nada, porque estão fora da cobertura do Fundo
Garantidor de Créditos.
A Polícia Federal indiciou dezenas de envolvidos, mas
os ministros do Supremo, a cúpula do governo federal e a presidência do Banco
Central não sofreram restrições e permanecem em seus cargos. Nem os pedidos de
impeachment decorrentes das investigações são atendidos.
Enquanto no Paraguai o
rigor da Justiça e uma oposição atuante impuseram consequências imediatas à
cúpula do poder, no Brasil a lentidão judicial perpetua a impunidade. Esquemas
bilionários que devassam a previdência e o sistema financeiro terminam em blindagens
e trâmites infindáveis.
Senhores, a integridade ainda funciona muito melhor do
outro lado da ponte.
Vicente Lino.


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