O Ajuste Fiscal e a Dívida Pública.
Reportagem da Gazeta do Povo dá conta de que a base do governo pressiona Lula a rejeitar o ajuste fiscal destinado a conter o avanço da dívida pública e recuperar a confiança na economia do país. Os parlamentares defendem a manutenção dos gastos e chegam a propor a revogação do arcabouço fiscal, principal regra de controle das contas públicas. Não há quem não saiba que, quando os impostos recolhidos pelo governo são insuficientes para cobrir as despesas operacionais e os investimentos programados, o Estado se endivida, e o financiamento dessa dívida exige o pagamento de juros.
O governo precisa compreender que o financiamento de dívidas elevadas impõe custos econômicos diretos, que afetam a competitividade e o bem-estar social. A situação se agrava porque, para atrair compradores para seus títulos, o governo compete pelos recursos disponíveis no mercado, o que encarece o crédito para empresas e famílias, desestimulando a produção e o consumo. Ainda assim, o ministro José Guimarães afirmou que um pacote de ajuste nas contas públicas não está em pauta: "Esse assunto não foi discutido, e nem está sendo discutido, muito menos aqui na bancada".
O PT nunca se preocupou com o fato de que a expansão descontrolada dos gastos públicos enfraquece a economia e traz riscos institucionais graves. Nada de novo. Durante a campanha, fazem-se promessas impossíveis; depois, com a explosão da dívida, as promessas não são cumpridas, enquanto as alianças políticas se agarram à máquina estatal. Se a reação da oposição e da sociedade culminar em processos de impeachment ou em graves crises de governabilidade, o desfecho já é conhecido: poderá ocorrer a perda de poder político, mas não a da riqueza por parte das elites dirigentes — as quais, mesmo distantes do cargo, permanecem resguardadas dos impactos sofridos pela população mais vulnerável.
Ao final de cada ciclo, o cenário institucional se reorganiza, reiniciando o processo sobre as mesmas bases. O povo, como sempre, paga a conta.
Vicente Lino


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