Custo e qualidade da educação brasileira.
O cenário pós-eleitoral e os rumos para onde o país caminha nos obrigam a encarar uma dura realidade: a falência da nossa educação. E não se engane: o problema não é falta de dinheiro, mas a crônica falta de eficiência. O Brasil gasta cerca de 4,4% do PIB em educação, patamar alinhado aos países da OCDE.
No ensino superior público, gastamos mais de 15 mil dólares por aluno ao ano — valor equivalente à média internacional —, mas o resultado dessa conta não fecha. Apenas 24% dos jovens brasileiros possuem diploma universitário, menos da metade da média europeia. Nas últimas décadas, optou-se por uma expansão acelerada e desqualificada no setor privado e no ensino a distância.
Hoje, o EAD amarga taxas de evasão acima de 40%. Em 2025, um quarto dos universitários abandonou a faculdade logo no primeiro ano — o dobro do índice europeu. Para piorar, no setor privado temos a absurda marca de 62 alunos por professor. Esse colapso transparece nos dados globais. No exame PISA, que mede a qualidade da educação mundo afora, o Brasil ocupa a 71ª posição em matemática entre 81 países, ficando bem atrás de vizinhos como Chile e Uruguai.
A base é frágil, e o ensino superior tornou-se uma fábrica de diplomas sem valor real. Em vez de corrigir esses gargalos estruturais, os sindicatos preferem combater as escolas cívico-militares e proibir o ensino em casa — alternativas que funcionam melhor do que a rede pública. Esse fraco desempenho não é um acidente: é o reflexo de um projeto de ideologia corporativista.
Ao priorizar a militância em vez do
mérito, o Estado condena gerações ao analfabetismo funcional. Enquanto bilhões
são queimados em uma máquina que produz evasão e mediocridade, a sociedade paga
a conta com atraso, empobrecimento intelectual e até a perda da própria
liberdade.
Vicente Lino.


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