Gilmar Mendes me dá nojo.
Paulo Polzonoff Jr.
Por dever de ofício, estou aqui revendo o Gilmar Mendes na sessão do STF. Aquela sessão. E a cada manifestação, cada absurdo, cada confissão de que se trata de uma alma perdida para esse lamaçal de orgulho e autossuficiência, meu rosto se contorce todo numa expressão que só posso chamar de nojo. Indisfarçável nojo. “O que houve? Tá passando mal?”, minha mulher acabou de entrar aqui e me perguntar. Não, só estou escrevendo uma frase sobre Gilmar Mendes e interpretando o nojo que sinto. “Ah, tá”.
Coisa feia, sentir nojo de alguém. Mesmo que esse alguém
seja Gilmar Mendes. Diante de tanta nojeira, porém, como evitar? Gilmar Mendes
que que o tempo todo (o. tempo. todo.) racionaliza suas más intenções, numa
tentativa nauseabunda de envernizar com tons de virtude e legalidade aquilo que
é evidentemente vício. Tá na cara que é vício. Uma sequência de vícios. Um
amontoado de vícios que chamei de lamaçal, mas talvez esteja mais para um poço
de areia movediça no qual caiu o país e não há jeito de ele escapar. Pelo menos
eu não enxergo uma saída.
Não consigo evitar
Nessas horas, me lembro de S. Josemaría. Vivemos uma crise
de homens santos. Mas esse era o olhar de quem via a escassez num mundo que
demandasse bondade. No caso de Gilmar Mendes, acho que é o contrário. É uma
crise decorrente da abundância de homens maus. Sim, eles estão por todos os
lados. Homens dispostos a fazer e propagar o mal num mundo que demanda o mal.
Mais, mais, mais. O mal que o tempo todo seduz os tolos com suas promessas de
paz (à força), prosperidade (que em geral é só ganância mesmo), e o que chamam
de liberdade, mas é apenas escravização pelo prazer.
Vejo Gilmar Mendes e vejo os outros vendo Gilmar Mendes e
cada vez menos entendo quem fica indignado. Porque o nojo se encerra em si,
enquanto a indignação pressupõe desejo de mudança. E quando penso nessa mudança
estou pensando, sim, na política, mas também na mudança pessoal. Em exame,
confissão, arrependimento e redenção. No limite, a indignação pressupõe a
crença numa intervenção divina capaz de mudar um mundo (e um homem) que já me
parece incapaz de distinguir o bem do mal. Daí meu espanto. Não entendo. É
podridão demais. Imundície. Gilmar Mendes me dá nojo. É uma reação fisiológica.
Que me desculpem os ofendidos, mas não consigo evitar. Eca.


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