A democracia é só um adorno para legitimar a impunidade.
A referência de Daniel Vorcaro aos nomes “Paulo e Andrei” foi interpretada pela Polícia Federal como uma menção direta ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, e ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. Um advogado enviou uma foto ao lado de Paulo Gonet e pediu para que Vorcaro ligasse, alegando: "Ele quer falar com você". Em seguida, a PF registrou quatro chamadas de voz.
Convidado por Vorcaro para uma festança em Londres, Gonet respondeu: “Oba! Tomara que tenha charuto e uísque Macallan”, solicitando ainda que seu filho fosse incluído na viagem. Para completar, a PF interceptou uma fala de Vorcaro alertando: "É importante reforçar com Andrei e Paulo para não deixar ninguém de baixo fazer uma sacanagem, porque aí vai tudo pro saco".
Por respeito às instituições e à ética, o procurador-geral da República já deveria ter se declarado impedido de atuar nos processos envolvendo o Banco Master. No entanto, ele permanece em silêncio e acaba de ser respaldado pelo Conselho Superior do Ministério Público Federal, que negou seu afastamento dos casos e rejeitou a abertura de qualquer investigação.
O voto decisivo foi de Nicolao Dino, irmão de Flávio Dino, da “tropa de choque” de chicaneiros aliados de Alexandre de Moraes. As "instituições" operam em constante blindagem corporativa. Por mais graves que sejam os indícios de irregularidade, a cúpula do poder simplesmente impede as investigações.
É lamentável constatar que esse sistema funciona tão somente para proteger a si próprio. É uma estrutura cujas engrenagens giram exclusivamente em benefício de seus membros e flagrantemente contra o povo que financia suas gordas remunerações e privilégios inomináveis. Esperar moralidade, bom senso, ética e verdadeiro compromisso público dessa gente é perda de tempo.
Enquanto a justiça for seletiva e os fiadores da lei se colocarem acima dela, a democracia continuará sendo apenas um adorno para legitimar a impunidade dos poderosos.
Pagamos a conta, mas não sabemos como nos livrar
desta maldição.
Vicente Lino.


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