quinta-feira, 20 de agosto de 2026

 O corporativismo das instituições não favorece a justiça.






O corporativismo das instituições, sem se importar com o que fazem seus membros, não é nada bom para uma Justiça que se pretenda respeitável. O ministro Dias Toffoli levantou sérias suspeitas no caso da viagem com o advogado de Daniel Vorcaro e no episódio do Resort Tayayá; em seguida, determinou sigilo do processo e não se declarou impedido em conduzir investigações contra o banqueiro.

 O Supremo arranjou um jeito para afastá-lo, mas os demais ministros assinaram imediatamente uma carta de apoio. Enquanto esse caso não se resolve, veio à tona um contrato de R$ 129 milhões do escritório da esposa do ministro Alexandre de Moraes e, de novo, seus colegas estão em silêncio, apesar de as evidências exigirem os necessários esclarecimentos. 

Agora, tentam retirar o caso do Banco Master das mãos do ministro André Mendonça mediante novos sorteios, somados às investidas do ministro Gilmar Mendes contra o relator. Mais recentemente, houve uma tentativa de transferência de vários delegados das investigações, mas, felizmente, o ministro Mendonça reagiu a tempo. Nesse cenário, torna-se evidente o desconforto da sociedade com a conduta de parcela da Polícia Federal (PF), que aparenta não atuar em prol da verdadeira justiça. Novamente, o corporativismo se manifestou: os 27 superintendentes regionais da Polícia Federal assinaram uma nota conjunta defendendo o diretor-geral, Andrei Rodrigues, em meio à crise com o ministro André Mendonça. 

Em resumo: duas instituições de extrema relevância uniram-se para proteger os seus, enquanto a sociedade enxerga o movimento como uma clara blindagem. Um país estruturado dessa forma jamais resolverá seus graves problemas de justiça, assim como instituições com essa postura nunca terão credibilidade ou o respeito da população.

Vicente Lino.


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