O corporativismo das instituições não favorece a justiça.
O
corporativismo das instituições, sem se importar com o que fazem seus membros,
não é nada bom para uma Justiça que se pretenda respeitável. O ministro Dias
Toffoli levantou sérias suspeitas no caso da viagem com o advogado de Daniel
Vorcaro e no episódio do Resort Tayayá; em seguida, determinou sigilo do
processo e não se declarou impedido em conduzir investigações contra o
banqueiro.
O Supremo arranjou um jeito para afastá-lo, mas os demais ministros
assinaram imediatamente uma carta de apoio. Enquanto esse caso não se resolve,
veio à tona um contrato de R$ 129 milhões do escritório da esposa do ministro
Alexandre de Moraes e, de novo, seus colegas estão em silêncio, apesar de as
evidências exigirem os necessários esclarecimentos.
Agora, tentam retirar o
caso do Banco Master das mãos do ministro André Mendonça mediante novos
sorteios, somados às investidas do ministro Gilmar Mendes contra o relator.
Mais recentemente, houve uma tentativa de transferência de vários delegados das
investigações, mas, felizmente, o ministro Mendonça reagiu a tempo. Nesse
cenário, torna-se evidente o desconforto da sociedade com a conduta de parcela
da Polícia Federal (PF), que aparenta não atuar em prol da verdadeira justiça.
Novamente, o corporativismo se manifestou: os 27 superintendentes regionais da
Polícia Federal assinaram uma nota conjunta defendendo o diretor-geral, Andrei
Rodrigues, em meio à crise com o ministro André Mendonça.
Em resumo: duas
instituições de extrema relevância uniram-se para proteger os seus, enquanto a
sociedade enxerga o movimento como uma clara blindagem. Um país estruturado
dessa forma jamais resolverá seus graves problemas de justiça, assim como
instituições com essa postura nunca terão credibilidade ou o respeito da
população.
Vicente Lino.


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