STF quer transformar redes sociais em policias do pensamento.
Recentemente,
o ministro Dias Toffoli estipulou um prazo asfixiante de 60 dias para que as
redes sociais se transformem em polícias do pensamento alheio. Ao reescrever à
força o Marco Civil da Internet, o Supremo Tribunal Federal (STF) usurpa a
competência do Poder Legislativo e transforma plataformas de livre debate em
tribunais de exceção corporativa.
Desse jeito, o medo do aparato estatal e das
multas milionárias vai obrigar as empresas de tecnologia a derrubarem,
preventivamente, qualquer crítica contundente, ironia ou oposição política. Sob
o pretexto de combater a "desinformação", pavimenta-se a estrada para
a autocensura. Felizmente, esse posicionamento não passou sem resistência
interna, o que evidenciou o tamanho do abuso.
O ministro André Mendonça abriu
divergência e votou contra a responsabilização prévia das redes.
Seu voto
trouxe lucidez técnica ao debate, alertando que a decisão da maioria atropela
as prerrogativas do Congresso Nacional. Ele deixou claro que o STF invadiu a
competência do Poder Legislativo ao criar regras onde não há lei específica,
apontando que a "solidariedade não se presume" e que punir as
plataformas por atos de terceiros sufoca a inovação e o próprio direito à
existência digital.
Defendeu, também, que o modelo atual do Marco Civil é
constitucional e que o Judiciário deve respeitar seus limites institucionais,
preservando as liberdades em vez de asfixiá-las. Quando o Judiciário se empenha
em calar as redes, ignorando os alertas de invasão de competência feitos por
seus próprios pares, o objetivo não é proteger a democracia, mas blindar os
próprios magistrados de suas biografias e de seus escândalos.
Usa-se o poder do
Estado para sequestrar o debate e garantir que os erros, os excessos e os
passados comprometedores dos poderosos sejam sepultados na escuridão do silêncio
forçado.
Vicente Lino.


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