Ortega e Lula amam eleições — desde que a direita não vença
Paulo Briguet
Há algo em comum entre a esquerda e a seleção argentina de futebol: ambas jamais aceitam uma derrota.
A esquerda perdeu a eleição na Argentina, perdeu a eleição na Bolívia, perdeu a eleição no Chile, perdeu a eleição na Colômbia, perdeu a eleição na Costa Rica, perdeu a eleição no Panamá, perdeu a eleição no Paraguai e perdeu a eleição no Peru. Isso significa que a esquerda foi derrotada na América Latina? Absolutamente não, porque a esquerda sabe que vitória eleitoral é uma coisa, e exercício do poder é outra.
A esquerda naufragou em várias eleições, mas a estrutura do
movimento revolucionário, alimentada por organizações narcoterroristas e pelas
ditaduras do Sul Global (China, Rússia e Irã), continua firme e forte. O
relatório “Cuba: A capital do comunismo do século XXI”, publicado nesta semana
pelo Departamento de Estado americano, comprova que a rede de apoio à esquerda
segue em operação permanente.
Os objetivos centrais do movimento revolucionário, muito
além de ganhar eleições, consistem em manter a concentração do poder nas mãos
de uma elite mafiosa e exterminar as forças políticas inimigas. Poder efetivo e
morte do adversário: eis o coração do projeto da esquerda, que segue em curso
no Brasil do Regime PT-STF.
Se necessário, o chefão esquerdista da vez pode simplesmente
acabar com as eleições, como anunciou o ditador Daniel Ortega nas festividades
do 47º aniversário da Revolução Nicaraguense. Isso significa que não haverá
mais votação na Nicarágua? Nada disso. Haverá, mas quem escolhe os candidatos, controla
as opiniões e conta os votos é o próprio regime. Pode jogar futebol, só não
pode fazer gol. Pode votar, só não pode eleger os inimigos do casal
presidencial.
Em todas as ditaduras socialistas dos últimos 100 anos,
sempre houve eleições: na União Soviética de Lênin e Stálin, na China de Mao,
na Alemanha do bigodinho, no Camboja de Pol Pot, na Alemanha Oriental de
Honecker e na Cuba de Fidel... O caso é que era simplesmente impossível votar
na oposição, porque ela não existia. Nas raríssimas vezes em que os comunistas
no poder perderam uma eleição — como na Assembleia Constituinte da Rússia, em
1918, e no referendo das armas, no Brasil, em 2005 —, o regime simplesmente
ignorou o resultado e seguiu fazendo o que bem entendia.
O sonho de Lula, amigo e parceiro de Daniel Ortega (ambos
surgiram no mesmo contexto revolucionário internacional do final dos anos 70),
é repetir a eleição de 2002 — quando só havia candidatos de esquerda — ou
retornar ao velho teatro das tesouras (em que “concorriam” a esquerda e a
oposição de mentirinha dos tucanos).
Como já ensinava Platão, nos Livros IX e X d'A República, a
alma tirânica é gestada no caldo da democracia.
Os esquerdistas adoram eleições, desde que não sejam livres.
Eles defendem a democracia, desde que ela só confirme o domínio hegemônico da
esquerda
É como disse Ortega no aniversário da Revolução: “Vamos
erguer um muro, um bloqueio contra os golpistas, os traidores”.
Golpistas... Traidores... Percebam que Ortega usa a mesma
linguagem de seu velho companheiro. Ambos compartilham, essencialmente, a mesma
visão de poder, o mesmo ódio à liberdade, o mesmo espírito de rancor e
vingança. Esse muro nós já conhecemos: é o Muro da Vergonha — mas os
companheiros o batizaram de Barreira de Proteção Antifascista.
Paulo Briguet


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