AS URNAS ELETRONICAS DA MINISTRA
No início do mês de junho, a ministra Carmen Lúcia conduziu a cerimônia de comemoração dos 30 anos da urna eletrônica. Em seu discurso, afirmou: “Nesses 30 anos, acabou a fraude eleitoral e acabou a possibilidade de ter um resultado que não corresponde ao que foi votado”.
Contudo,
em 9 de novembro de 2022, em documento assinado pelo então Ministro da Defesa,
General Paulo Sérgio Nogueira, as Forças Armadas informaram que, devido à
complexidade do sistema, não era possível garantir que a rede de transmissão de
dados e os programas estivessem totalmente imunes a ataques cibernéticos ou
interferências. O documento ressaltou que, a partir dos testes de
funcionalidade realizados — por meio do Teste de Integridade e do
Projeto-Piloto com Biometria —, não seria possível afirmar que o sistema
eletrônico de votação está isento da influência de um eventual código malicioso
que possa alterar o seu funcionamento.
Carmen
Lúcia, por outro lado, reiterou que a urna eletrônica é uma solução
“brasileiríssima” para problemas históricos que o país enfrenta quanto ao sigilo
e à integridade dos votos. Segundo ela: “Esse voto é computado, não tem a mão
de outra pessoa. É você exclusivamente com a sua escolha, com quem você acha
que te representa”.
Em
contrapartida, o Relatório de Fiscalização do Sistema Eletrônico de votação,
entregue ao Tribunal Superior Eleitoral em novembro de 2022, apontou que, com
milhões de linhas de código, o tempo e as condições oferecidas para a análise
não permitiam certificar a inexistência de instruções ocultas. Além disso,
destacou que a compilação dos programas e o acesso das máquinas à rede, durante
a geração das mídias, poderiam configurar um risco relevante, e que a confiança
absoluta no "coração" do sistema dependeria de métodos de verificação
que hoje não estão plenamente disponíveis aos órgãos fiscalizadores externos.
Se nada mudou, avisem a ministra.
Vicente Lino.


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