É urgente um posicionamento em defesa da liberdade.
Nos
tempos que correm, não é surpresa que tanta gente prefira o silêncio prudente,
que pode ser interpretado como conivência ou apenas como o medo administrado; e
isso não é por acaso. É porque nos lembramos das atrocidades cometidas de forma
ilegal contra aqueles que queriam apenas se expressar livremente.
Contra a lei,
o Estado brasileiro criou um fantasma real e palpável: o fantasma de que pode,
a qualquer momento, nos calar. O pior e o mais grave desse momento é que a
sociedade parece estar normalizando essas atitudes, ainda que elas sejam
flagrantemente contrárias à lei. Nessa toada, o arbítrio vai-se tornando
paisagem, e o absurdo, quando repetido diariamente, passa a ser aceito como o
novo normal. Nada disso é normal!
Se aceitamos, o arbítrio só se agiganta.
Passou da hora de uma reação ordenada, institucional e madura, capaz de
restabelecer a coragem e devolver ao povo o seu bem mais precioso. Afinal, é da
própria essência da democracia — e está cravado na Constituição — que todo o
poder emana do povo; e esse poder só existe se houver a garantia plena de nossa
liberdade. Viver sob o império do medo não é exercer a cidadania e, por isso
mesmo, defender o direito à opinião é um dever civilizatório.
O Estado precisa
respeitar o nosso direito de opinião, mesmo aquela opinião que não o agrada. A
praça pública não pode ser um tribunal de exceção nem um privilégio concedido.
A liberdade é indispensável para a dignidade humana e o progresso de qualquer
sociedade. Em contrapartida, a tirania se revela abjeta por tentar acorrentar o
pensamento e governar pelo medo, sufocando a alma de uma nação.
É por isso que
rejeitar o arbítrio e defender o direito de falar e existir livremente continua
sendo o nosso dever civilizatório mais urgente.
Vicente Lino.


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