A absurda condenação de Eduardo Bolsonaro.
Eduardo Bolsonaro acaba de ser condenado pela Primeira Turma
do STF. Os ministros Alexandre de Moraes, Flávio Dino, Cristiano Zanin e Cármen
Lúcia estavam lá para perpetrar mais uma aberração técnico-penal que deforma o
artigo 344 do Código Penal para calar a dissidência, transformando a
articulação política internacional em "grave ameaça".
O tribunal pune o direito de denúncia, garantia resguardada
por tratados internacionais e historicamente utilizada por figuras de todo o
espectro político, inclusive pela esquerda em anos anteriores. Para agravar o
cenário de exceção, o ministro que figurou como o principal interessado no
desfecho das sanções americanas atuou diretamente no julgamento, sepultando o
princípio constitucional da imparcialidade — o que, aliás, não é nenhuma
novidade.
Apesar da sucessão de escândalos financeiros, abusos
procedimentais e do nítido contorcionismo legal a que assistimos nos últimos
anos, os ministros da Suprema Corte continuam agredindo as liberdades
fundamentais e desrespeitando as leis que deveriam guardar. A mordaça agora
pretende ser planetária: o STF, que já criminaliza a crítica interna, agora
persegue o alerta externo. Mesmo implicada em sérios escândalos, a Corte só se
pronuncia para blindar seus ministros ou propor códigos de conduta que nunca
serão obedecidos.
Estamos sem saída na medida em que o Congresso não exerce seu
dever para impor um freio a esses absurdos todos; é inútil esperar por uma
autocontenção que nunca virá. O equilíbrio democrático só será restabelecido
quando as prerrogativas do Congresso forem exercidas com a firmeza que a
sobrevivência do Estado de Direito exige.
Vicente Lino.


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