O triste papel da Associação Brasileira de Imprensa atual
Causa
indignação o fato de a Associação Brasileira de Imprensa ter ajuizado uma ação
no STF contra a Lei da Dosimetria, que poderia reduzir as penas dos condenados
pelos atos de 8 de janeiro. A associação sustenta que a lei favoreceria
indevidamente os envolvidos, afirmando que os atos foram
"antidemocráticos".
É vergonhoso observar uma entidade, que nasceu
para proteger o cidadão contra os excessos do Estado, agir agora para dificultar
o direito à proporcionalidade das penas de brasileiros. A ABI foi, em seus
tempos áureos, representada por lideranças que não se curvavam ao poder
estabelecido. No passado, presidentes como Herbert Moses e Barbosa Lima
Sobrinho denunciavam a censura e transformaram a “Casa do Jornalista” no único
refúgio seguro para os perseguidos políticos.
Em contraste, a associação de
agora alinha-se às pautas do Judiciário e ignora os abusos processuais contra
os presos do 8/1. O maior símbolo da ABI, Barbosa Lima Sobrinho, liderou a
entidade com um destemor lendário e transformou a sede da ABI, no Rio de
Janeiro, em um território onde a liberdade de expressão ainda respirava. Ele
não defendia apenas jornalistas, mas a Constituição e o direito ao devido
processo legal, independentemente da ideologia do réu.
É desolador notar que a
instituição que lutou contra prisões arbitrárias e penas desproporcionais no
passado hoje utiliza seu peso institucional para impedir que condenados —
muitos dos quais sem histórico criminal — tenham acesso a uma dosimetria de
pena mais justa.
Onde antes havia o clamor pela anistia e pelo perdão, hoje
nota-se um esforço para garantir que o encarceramento se prolongue, ignorando
as nuances humanitárias que a própria ABI tanto defendeu em seu glorioso passado.
Vicente Lino.


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