terça-feira, 19 de maio de 2026

 A liberdade ainda não chegou na Venezuela.

Vicente Lino.


Reportagem da Gazeta do Povo dá conta de que as reformas promovidas na Venezuela, após a prisão de Nicolás Maduro, servem apenas para melhorar as aparências, uma vez que os mecanismos de repressão seguem intactos. A prisão de Nicolás Maduro deveria representar o desmoronamento imediato do autoritarismo, mas, infelizmente, a engrenagem da repressão continua girando, mesmo depois de a cabeça do regime ter sido removida.

É triste constatar que um regime brutal ainda mantenha milhares de inocentes no cárcere. Figuras como Gustavo González López no centro do poder são um balde de água fria naqueles que ansiavam por um horizonte democrático. Tanto é verdade que centenas de venezuelanos ainda definham em celas, longe de suas famílias, apenas por terem sonhado com um voto livre.

A democracia não é apenas a ausência de um ditador, mas a presença da justiça e do devido processo legal — algo que ainda parece um sonho distante na Venezuela. O que se percebe é que regimes construídos sobre o medo criam raízes profundas na estrutura do Estado; o sofrimento dos que ainda estão presos ecoa como um grito sufocado pela burocracia do terror.

O que ocorre na Venezuela mostra que a democracia não chegou com a prisão do ditador Nicolás Maduro. Ela só vai chegar — se chegar — com a limpeza total dos porões da opressão. O mundo assiste, com impaciência, a um sistema podre que se recusa a morrer, enquanto o povo venezuelano continua pagando o preço mais alto: o tempo de vida perdido sob o olhar vigilante de quem ainda prefere o punho de ferro ao diálogo. Que a consciência internacional não se dê por satisfeita com o que foi feito até aqui, pois a verdadeira liberdade ainda não cruzou a fronteira da Venezuela.

Vicente Lino.




Nenhum comentário:

Postar um comentário