O Estado avança sobre nossas liberdades
Vicente Lino.
Excelente artigo da Gazeta do Povo, do dia 7 deste mês,
mostra o quanto o Estado avança sobre as liberdades da família brasileira e
lembra a necessária medida de contenção das instituições. Como se sabe, a
função do Ministério Público é ser o "fiscal da lei", o defensor da
ordem jurídica e dos interesses sociais. No entanto, o órgão atuou fortemente
em casos que envolviam multas astronômicas por não vacinação, restrições aos
pais que preferem educar seus filhos em casa e punições por opiniões sobre
temas morais e religiosos.
São ações que acendem alerta sobre uma mentalidade
autoritária dentro da instituição. A liberdade é atingida quando um promotor
utiliza o aparato estatal para impor sua visão de mundo particular sobre a
autonomia das famílias. Sabemos que a educação é um direito da criança, mas
também um dever da família. Quando o MP intervém de forma punitiva no
homeschooling ou na recusa vacinal de famílias que buscam caminhos alternativos
fundamentados, ele ignora a pluralidade de convicções que deveria proteger.
Há processos contra as críticas à ideologia de gênero ou
falas sobre dogmas religiosos que beiram a censura. O Ministério Público, ao
tentar definir o que pode ou não ser dito no debate público, acaba inventando a
lei conforme suas próprias preferências morais. O promotor deve agir onde a lei
é clara, e não onde ele gostaria que a lei existisse; mesmo porque, em uma
sociedade livre, opiniões divergentes devem ser combatidas com argumentos, não
com o peso do processo judicial. A defesa da democracia passa,
obrigatoriamente, pelo reconhecimento de que o Estado não é o dono da família,
nem o senhor da verdade.


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