Título da Universidade ao Invasor de Terras.
Vicente Lino.
O líder do MST, João Pedro Stedile, recebeu o título de Doutor Honoris Causa da Universidade Federal de Juiz de Fora. A instituição celebra sua contribuição à “justiça social” e à “soberania alimentar”. Talvez a Universidade tenha considerado "justiça social" quando, em 2006, o MST invadiu o Centro de Pesquisa da Aracruz Celulose — destruindo laboratórios e pesquisas de biotecnologia que levaram décadas para serem desenvolvidas.
Ou, quem sabe, quando manifestantes ocuparam o viveiro de mudas da Suzano, em Itapetininga, destruindo milhares de mudas de pesquisa. A Universidade, ao que parece, ignora as ocupações em fazendas da USP e da Unesp, onde o MST interrompeu experimentos científicos e depredou maquinários de pesquisa.
Não sabemos se, nos discursos da cerimônia, alguém lembrou das invasões de fazendas onde animais de raça foram abatidos, cercas foram quebradas e redes elétricas destruídas. João Pedro Stedile e a Federal de Juiz de Fora deveriam explicar se essa “soberania alimentar” acontecia enquanto trabalhadores eram rendidos ou expulsos de suas casas durante as invasões.
No passado, o título buscava elevar o cidadão ao nível da excelência acadêmica. Hoje, parece que a instituição é que se rebaixa para validar o confronto à lei. O título de agora é apenas uma tentativa de dar verniz intelectual ao que, na prática, é puro ativismo de campo. Em 2025, foram registradas 26 mortes por conflitos agrários, o dobro de 2024. Honrarias a líderes de movimentos, contrastam com os números da vida real.
A disputa pela
terra continua sendo uma das questões mais violentas e mal resolvidas da nossa
estrutura institucional.
Vicente Lino.


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