DILMA DEZ ANOS DEPOIS.
Rogerio Werneck, para “O Estado de S. Paulo”
O PT nada esquece. Mas também nada aprende.
Dez anos depois do impeachment de Dilma Rousseff, o Brasil
continua pagando a conta de uma tragédia econômica que o PT nunca teve coragem
moral de reconhecer. O governo Dilma não foi um acidente meteorológico. Não foi
uma tempestade imprevisível. Foi uma sequência de escolhas erradas, sustentadas
por arrogância ideológica, negacionismo fiscal e desprezo pela realidade.
E aqui está o ponto central: quem vive na mentira não corrige
rota. Quem nega o erro, repete o erro. Em 2016, o PIB brasileiro caiu 3,3%, com
retração na agropecuária, na indústria e nos serviços, segundo o IBGE. Não foi
uma “narrativa da oposição”. Foi destruição real de riqueza, emprego, renda,
confiança e futuro.
O problema seria menor se essa incapacidade de aprender
ficasse restrita à vida privada de alguém. Cada pessoa tem o direito de errar
com o próprio dinheiro, com a própria casa, com a própria família. O drama
começa quando a mesma mentalidade é aplicada a um país de mais de 200 milhões
de habitantes — e ainda é aplaudida por parte da elite que se considera
sofisticada, iluminada e “inteligente”.
O resultado é o que estamos vendo: Dilma 4.0, agora com outro
crachá.
A mesma fé no gasto público como solução mágica.
A mesma aversão à responsabilidade fiscal.
A mesma crença infantil de que vontade política revoga
matemática.
A mesma tentativa de tratar limite orçamentário como detalhe
burguês.
A diferença é que, desta vez, o país tem um Banco Central
autônomo, com objetivo legal de assegurar a estabilidade de preços — uma trava
institucional que reduz o espaço para aventuras ainda maiores. A autonomia foi
formalizada pela Lei Complementar 179/2021, justamente para proteger a moeda da
conveniência política de curto prazo.
Mesmo assim, o fiscal voltou ao centro da preocupação. O
próprio Tesouro Nacional registrou déficit primário de R$ 30,046 bilhões em
fevereiro de 2026. A aritmética não milita. A conta sempre chega.
Margaret Thatcher resumiu bem a doença: governos socialistas
acabam quando acaba o dinheiro dos outros.
O Brasil precisa parar de tratar irresponsabilidade fiscal
como sensibilidade social. Não há justiça social possível em país quebrado. Não
há desenvolvimento sem confiança. Não há crescimento sustentável quando o
Estado insiste em gastar como se a riqueza brotasse de decreto.
O PT não superou Dilma. Apenas empurrou Dilma para baixo do
tapete.
E agora o tapete está se mexendo de novo.
Rogerio Werneck


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