Gilmar Mendes e a seletividade da barbárie.
Os vazamentos das conversas nos celulares do dono do Banco Master revelaram uma proximidade suspeita entre o banqueiro e altas autoridades. Curiosamente, o que choca o ministro Gilmar Mendes não é o conteúdo das mensagens, e sim o vazamento de conversas entre Daniel Vorcaro e sua namorada.
Para Gilmar, isso é "barbárie institucional". Enquanto sua excelência se preocupa com a intimidade do banqueiro, o país descobre um submundo de violência e corrupção. Ele finge ignorar que a extração de dados revelou diálogos que a Polícia Federal descreve como típicos de uma verdadeira organização criminosa. Nas mensagens, Vorcaro manifestou a intenção de agredir o jornalista Lauro Jardim, afirmando textualmente: "Quero mandar dar um pau nele. Quebrar todos os dentes. Num assalto". Em outro momento, ordenou "moer" uma ex-empregada.
Vazamentos mostraram que uma quadrilha de hackers era usada para acessar ilegalmente bases de dados do Ministério Público, da Polícia Federal e até do FBI. Gilmar acha que isso não configura barbárie institucional e ainda ignora as trocas de mensagens entre Vorcaro e seu cunhado, Fabiano Zettel, que indicam o pagamento de propinas a diretores do Banco Central e registros sugerindo viagens à Disney para funcionários do BC em troca de "orientações" privilegiadas. Os vazamentos que Gilmar Mendes deveria condenar mostram que a rede de contatos de Vorcaro incluía três ministros do STF e seus parentes.
Ele também não condena as trocas de mensagens de Vorcaro com Alexandre de Moraes no dia da primeira prisão do banqueiro, além de diálogos com Dias Toffoli que levaram a PF a pedir a suspeição do ministro. Para Gilmar Mendes, nada disso abala as instituições.
Convenientemente, a única barbárie
que ele enxerga é a que atinge a intimidade de quem é investigado.
Vicente Lino.

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