sexta-feira, 20 de março de 2026

 Entidades reagem ao arbítrio do STF. Ainda bem.






 Alexandre de Moraes acaba de determinar, mais uma busca e apreensão, desta vez na residência do jornalista do jornalista Luis Pablo Conceição Almeida, no Maranhão. Finalmente, houve alguma reação das entidades de classe. Durante um longo período, grande parte da imprensa se omitiu em relação às medidas excepcionais vindas do STF. Sob o argumento da "defesa da democracia" a imprensa aceitou medidas que deveriam ser prontamente classificadas como censura ou abuso de autoridade.

 A gente ainda não se quanto vai durar, mas as notas emitidas agora indicam que a categoria percebeu que a corda apertou para todos e que se o precedente de investigar e punir jornalistas se consolidar, a profissão torna-se inviável. Tem mais: se a crítica continuar sendo tímida ou seletiva, o suplício institucional não vai cessar. A liberdade de expressão é um ecossistema; quando uma parte é sufocada sem resistência, todo o resto do organismo enfraquece.

 Por isso mesmo, ainda que tardia, a reação das entidades é o único caminho para tentar restabelecer os limites do devido processo legal. Sem uma imprensa que questione os excessos do Judiciário com a mesma veemência com que questiona os outros poderes, o equilíbrio democrático é rompido. Vale aplaudir a reação das entidades de classe, em defesa do bom jornalismo. A liberdade de imprensa é a garantia de que a nação respira sob o império da lei.

 A imprensa em silêncio destrói sua própria razão de existir, fragiliza a democracia e alimenta o monstro da tirania. A conivência com o absurdo coloca em risco a verdade e a própria integridade das pessoas. O Brasil já sabe que sem uma imprensa ativa e sem reação da sociedade o autoritarismo não cessa. É necessário erguer barreiras legais e impedir a perpetuação do arbítrio.

   Vicente Lino

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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