sexta-feira, 20 de março de 2026

 O CHORO TOTALITÁRIO DE GILMAR







O choro de Gilmar, hoje, na homenagem feita a Alexandre, é um choro tensional, de quem está submerso numa situação de pressão em que fica fragilizado, logo, estando facilmente à beira das lágrimas.

É um choro de quem não suporta a perda do poder de fazer chorar, quando esmagaram a democracia fazendo todos temerem com as masmorras que sedimentaram na alma brasileira, criando a cultura do medo sob rendas delicadas de seda democrática.

Um choro de quem se vê atacado por todos os lados depois que o delicado véu nefelibata se rasgou para vermos as medonhas criaturas que assaltaram o Olimpo, que agora vivem sob as trombetas eternas da incessante denúncia que nenhuma medida está logrando conter.

Ainda brande com o cetro da democracia querendo com suas lágrimas retomar a credibilidade de ser o seu defensor, mas na verdade trazendo de volta, por meio de Moraes, o fasces, aquele bastão, antes usado como símbolo do poder dos magistrados. Isso me permite, com inegável liberdade de digressão, falar ironicamente, conectando-o à atualidade brasileira, na qual o fascismo atual volta para o seio da magistratura, com a autoridade tirânica que a nossa Suprema Corte adquiriu.

  Sim, devemos gravar em cada lágrima de Gilmar a lembrança dos que perderam suas liberdades em julgamentos em lotes, tal e qual um gado que serve como sacrifício ritual de sua devoção partidária.

Jamais se colocou dentro do sangue sofrido de cada vítima, cada história das vidas perdidas sob o manto da crueldade judicante que quebrou os ossos da alma de uma Débora do Batom.

Coonestou, muito aquém de um verdadeiro juiz, as prisões para confissão, com os mesmos olhos que antes despachavam lágrimas em favor dos "pobres e sofridos corruptos e corruptores desumanizados pela Lava Jato", "oh, que drama".

A coação realizada com Mauro Cid em pleno cenário de "reality show" da crueldade, em desabrida tortura psicológica, revelou um país moralmente enfermo. E no centro dessa patologia moral está Gilmar.

 Tampouco a sua fragilidade humana agora escancarada (haverá método no choro dos insensíveis?) foi capaz de o sensibilizar perante a advogada que no primeiro julgamento do 08/01 se encolhia de medo por se sentir perante uma Corte feita por carrascos glamourizados, prontos a lançar-lhe na Bastilha.

Onde já se vira, no mundo, uma Suprema Corte de criaturas a inspirar temor, um tribunal onde se tivesse de dosar palavras com o medo que é próprio de uma fala claudicante, diante de uma latência punitiva coalhada de vingança e olhos de fígado de um psicopata, num pais doente, repleto de bestas que ovacionam esse espetáculo assustador como defesa da democracia.

Esse mesmo ser lacrimoso ignorou o clamor vindo do calabouço, repleto de presos de língua arrancada pelo esquecimento da sua existência, com aquelas mãos sem corpo saindo para fora entre as grades, acenando por suas almas pelo direito suplicante de ver os autos.

Agora, sobre o mesmo o palco onde viveram os ministros o apoteose de inclemência, querem chorar o seu apocalipse que veem se aproximar, onde sua "grande obra" tem aos poucos as máscaras arrancadas e só encontramos arbitrariedades, perseguição, censura, juízes que nunca decidiam pela suspeição mesmo vendo o principal algoz deles encomendando provas contra pessoas que iria julgar e condenar.

Gilmar lembra-me em tudo a secretária de Hitler, que chorava ao escutar o "Führer" clamando contra todos, dos personagens ao destino, assolado no bunker enquanto sob seus pés desabava o "paraíso genocida" que perpetrara, fluindo tudo como um rio de sangue, direto para a vala eterna das tragédias humanas.

Não se enganem. Esse Gilmar emotivo é o mesmo que com toda sem cerimônia articulou recentemente a ideia da não recepção da Lei do impeachment para tentar subtrair a legitimidade de sua propositura pelo cidadão comum, bem como estabelecer maioria absoluta para sua aprovação, fazendo de tudo para tornar inviável o processo.  É esse o Gilmar que bloqueou o depoimento dos diretores da Mastrid aceitando que violassem o princípio do juiz natural ingressando num processo arquivado, do qual não eram parte, para driblar a relatoria de Mendonça. E de tantas que são outras coisas, é que me é impossível, de memória, fazer o seu inventário.  Temos tanta dor para inventariar que já se perde na memória desses 7 anos cada ato, cada fato do carrossel de abusos em que nosso cotidiano se transformou num expectador das nossas decepções.

Não se iludam com essas lágrimas; é um choro de alguém que elogiou a nefasta ditadura chinesa carimbando assim como falso seu garantismo, ao nos enlaçar com países não constitucionais, é um choro totalitário acuado. Nada mais.

 Felix Soibelman



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