O CHORO TOTALITÁRIO DE GILMAR
O choro de Gilmar, hoje, na homenagem feita a Alexandre, é um
choro tensional, de quem está submerso numa situação de pressão em que fica
fragilizado, logo, estando facilmente à beira das lágrimas.
É um choro de quem não suporta a perda do poder de fazer
chorar, quando esmagaram a democracia fazendo todos temerem com as masmorras
que sedimentaram na alma brasileira, criando a cultura do medo sob rendas
delicadas de seda democrática.
Um choro de quem se vê atacado por todos os lados depois que o
delicado véu nefelibata se rasgou para vermos as medonhas criaturas que
assaltaram o Olimpo, que agora vivem sob as trombetas eternas da incessante
denúncia que nenhuma medida está logrando conter.
Ainda brande com o cetro da democracia querendo com suas
lágrimas retomar a credibilidade de ser o seu defensor, mas na verdade trazendo
de volta, por meio de Moraes, o fasces, aquele bastão, antes usado como símbolo
do poder dos magistrados. Isso me permite, com inegável liberdade de digressão,
falar ironicamente, conectando-o à atualidade brasileira, na qual o fascismo
atual volta para o seio da magistratura, com a autoridade tirânica que a nossa
Suprema Corte adquiriu.
Sim, devemos gravar
em cada lágrima de Gilmar a lembrança dos que perderam suas liberdades em
julgamentos em lotes, tal e qual um gado que serve como sacrifício ritual de
sua devoção partidária.
Jamais se colocou dentro do sangue sofrido de cada vítima,
cada história das vidas perdidas sob o manto da crueldade judicante que quebrou
os ossos da alma de uma Débora do Batom.
Coonestou, muito aquém de um verdadeiro juiz, as prisões para
confissão, com os mesmos olhos que antes despachavam lágrimas em favor dos
"pobres e sofridos corruptos e corruptores desumanizados pela Lava
Jato", "oh, que drama".
A coação realizada com Mauro Cid em pleno cenário de
"reality show" da crueldade, em desabrida tortura psicológica,
revelou um país moralmente enfermo. E no centro dessa patologia moral está
Gilmar.
Tampouco a sua
fragilidade humana agora escancarada (haverá método no choro dos insensíveis?)
foi capaz de o sensibilizar perante a advogada que no primeiro julgamento do
08/01 se encolhia de medo por se sentir perante uma Corte feita por carrascos
glamourizados, prontos a lançar-lhe na Bastilha.
Onde já se vira, no mundo, uma Suprema Corte de criaturas a
inspirar temor, um tribunal onde se tivesse de dosar palavras com o medo que é
próprio de uma fala claudicante, diante de uma latência punitiva coalhada de
vingança e olhos de fígado de um psicopata, num pais doente, repleto de bestas
que ovacionam esse espetáculo assustador como defesa da democracia.
Esse mesmo ser lacrimoso ignorou o clamor vindo do calabouço,
repleto de presos de língua arrancada pelo esquecimento da sua existência, com
aquelas mãos sem corpo saindo para fora entre as grades, acenando por suas
almas pelo direito suplicante de ver os autos.
Agora, sobre o mesmo o palco onde viveram os ministros o
apoteose de inclemência, querem chorar o seu apocalipse que veem se aproximar,
onde sua "grande obra" tem aos poucos as máscaras arrancadas e só
encontramos arbitrariedades, perseguição, censura, juízes que nunca decidiam
pela suspeição mesmo vendo o principal algoz deles encomendando provas contra
pessoas que iria julgar e condenar.
Gilmar lembra-me em tudo a secretária de Hitler, que chorava
ao escutar o "Führer" clamando contra todos, dos personagens ao
destino, assolado no bunker enquanto sob seus pés desabava o "paraíso
genocida" que perpetrara, fluindo tudo como um rio de sangue, direto para
a vala eterna das tragédias humanas.
Não se enganem. Esse Gilmar emotivo é o mesmo que com toda
sem cerimônia articulou recentemente a ideia da não recepção da Lei do
impeachment para tentar subtrair a legitimidade de sua propositura pelo cidadão
comum, bem como estabelecer maioria absoluta para sua aprovação, fazendo de
tudo para tornar inviável o processo. É
esse o Gilmar que bloqueou o depoimento dos diretores da Mastrid aceitando que
violassem o princípio do juiz natural ingressando num processo arquivado, do
qual não eram parte, para driblar a relatoria de Mendonça. E de tantas que são
outras coisas, é que me é impossível, de memória, fazer o seu inventário. Temos tanta dor para inventariar que já se
perde na memória desses 7 anos cada ato, cada fato do carrossel de abusos em
que nosso cotidiano se transformou num expectador das nossas decepções.
Não se iludam com essas lágrimas; é um choro de alguém que
elogiou a nefasta ditadura chinesa carimbando assim como falso seu garantismo,
ao nos enlaçar com países não constitucionais, é um choro totalitário acuado.
Nada mais.
Felix Soibelman

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