quarta-feira, 4 de março de 2026

 A Diplomacia Brasileira Diante da Opressão no Irã

 




O embaixador iraniano no Brasil classificou como “valoroso” o apoio do presidente Lula ao regime totalitário dos aiatolás após os ataques militares coordenados por Israel e Estados Unidos. O objetivo do ataque foi impedir que o Irã desenvolva armas nucleares, após o colapso das negociações diplomáticas e o aumento do enriquecimento de urânio por Teerã. 

 A diplomacia brasileira desconsidera a repressão naquele país, onde os iranianos enfrentam uma onda de violência sem precedentes.  Como se sabe, a resposta do Estado iraniano aos protestos sempre se caracterizou pela violência extrema. Relatórios de janeiro de 2026 apontam um rastro de 3.400 mortos e mais de 330.000 feridos desde o início das manifestações.

 O Irã é um dos países que mais aplica a pena de morte no mundo; somente em 2023, foram 800 execuções. Entre 20.000 e 40.000 iranianos permanecem encarcerados e há registro de tortura física, abuso sexual e confissões forçadas.

 O atual governo brasileiro parece não se importar. O comunicado recente não é uma novidade, dado que o Brasil frequentemente se abstém ou vota contra resoluções que condenam o Irã por violações de direitos humanos na ONU.  Mais uma vez, a política externa brasileira escolhe o lado errado por uma questão puramente ideológica.

 Ao agir assim, o governo prefere fortalecer um regime que executa opositores, fingindo não ver que o apoio da população iraniana à própria libertação é evidente nas ruas e nas redes sociais, tornando-se um símbolo global de resistência contra a teocracia. 

O governo e o Itamaraty deveriam compreender que a política externa é o reflexo das prioridades de uma gestão. Quando o Brasil silencia sobre a repressão no Irã, projeta uma imagem que sacrifica valores éticos e humanos fundamentais em nome de uma ideologia indesejável para a maioria da população brasileira.

      Vicente Lino.



 

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