quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

 Crônica de um Simulacro de Poder





Recentemente, o Supremo Tribunal Federal (STF), se reuniu e decidiu que o ministro Dias Toffoli deixaria a relatoria do caso do Banco Master, para "preservar a instituição", mas o tribunal não admitiu a suspeição do ministro. Na sequência, o ministro Edson Fachin proferiu uma decisão monocrática arquivando o pedido de suspeição da Polícia Federal. Essa manobra, entretanto, não preserva a instituição.

Se há dúvida sobre a isenção de um magistrado, seus atos anteriores jamais poderiam ser considerados "limpos". A decisão não passou de mais um contorcionismo jurídico para proteger o ministro, em vez de uma aplicação cega da lei. Comprova que o STF funciona como uma ilha, onde as regras de impedimento aplicadas aos juízes de primeira instância simplesmente não alcançam a cúpula do Judiciário.




 Como descartamos a ruptura, resta apenas a saída institucional em um futuro ainda distante. Sabe-se que sistemas baseados puramente na força e no compadrio tendem à ineficiência e a crises internas de sucessão. Somado a isso, temos o desafio de eleger um Congresso menos comprometido com os acordos do passado. Enquanto as instituições não se depuram, a saída para o cidadão comum é resistir: não aceitar a narrativa oficial como verdade absoluta.

 O sistema político atual serve apenas para manter as mesmas engrenagens girando; quando a força bruta se disfarça de toga e o silêncio se traveste de "prudência legislativa", fica claro que estamos jogando com cartas marcadas.

 A correção será lenta. Talvez a única via seja esperar que o tempo e a sucessão natural tragam pessoas que não devam favores ao sistema. Ao Brasil decente, resta manter a lucidez e a crítica, garantindo que as gerações futuras saibam distinguir uma República real de um simulacro de poder.

 

Vicente Lino.



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