Crônica de um Simulacro de Poder
Recentemente, o Supremo Tribunal Federal (STF), se reuniu e decidiu que o ministro Dias Toffoli deixaria a relatoria do caso do Banco Master, para "preservar a instituição", mas o tribunal não admitiu a suspeição do ministro. Na sequência, o ministro Edson Fachin proferiu uma decisão monocrática arquivando o pedido de suspeição da Polícia Federal. Essa manobra, entretanto, não preserva a instituição.
Se há
dúvida sobre a isenção de um magistrado, seus atos anteriores jamais poderiam
ser considerados "limpos". A decisão não passou de mais um
contorcionismo jurídico para proteger o ministro, em vez de uma aplicação cega
da lei. Comprova que o STF funciona como uma ilha, onde as regras de
impedimento aplicadas aos juízes de primeira instância simplesmente não
alcançam a cúpula do Judiciário.
Como descartamos a ruptura, resta apenas a
saída institucional em um futuro ainda distante. Sabe-se que sistemas baseados
puramente na força e no compadrio tendem à ineficiência e a crises internas de
sucessão. Somado a isso, temos o desafio de eleger um Congresso menos
comprometido com os acordos do passado. Enquanto as instituições não se
depuram, a saída para o cidadão comum é resistir: não aceitar a narrativa
oficial como verdade absoluta.
O sistema político atual serve apenas para
manter as mesmas engrenagens girando; quando a força bruta se disfarça de toga
e o silêncio se traveste de "prudência legislativa", fica claro que
estamos jogando com cartas marcadas.
A correção será lenta. Talvez a única via seja
esperar que o tempo e a sucessão natural tragam pessoas que não devam favores
ao sistema. Ao Brasil decente, resta manter a lucidez e a crítica, garantindo
que as gerações futuras saibam distinguir uma República real de um simulacro de
poder.
Vicente
Lino.


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