TSE. A Fragilidade Institucional do País.
No
domingo, 15 minutos antes do início das votações, o presidente do Tribunal
Superior Eleitoral (TSE), ministro Nunes Marques, suspendeu a decisão liminar
do ministro Floriano de Azevedo Marques que havia indeferido o registro de
candidatura de Deltan Dallagnol. Com a medida, Nunes Marques determinou a
manutenção do registro do candidato e o processamento de seus votos sem
anulação, condicionando a validade do pleito ao posterior aval do plenário da
Corte, além de exigir que os registros de votação fossem integralmente
preservados.
A
defesa de Deltan Dallagnol já havia recorrido para que o caso fosse apreciado
pelo colegiado em Sessão Plenária. De acordo com o presidente do TSE, o
ministro Floriano invadiu a competência do tribunal ao antecipar individualmente
uma decisão que cabia ao plenário.. Nunes Marques destacou: "O poder de
decidir sozinho é excepcional e depende de delegação normativa expressa. A
colegialidade é a forma ordinária de manifestação do Tribunal e não fica à
disposição de quem relata o feito."
Floriano
de Azevedo Marques foi indicado e nomeado para o TSE por Lula sob forte
influência do ministro Alexandre de Moraes, de quem é amigo pessoal. É o mesmo
magistrado que votou pela inelegibilidade de Jair Bolsonaro em 2023 e que vinha
barrando decisões favoráveis à candidatura de Dallagnol.
Sob
a relatoria do ministro Floriano, o TSE ainda poderá vir a cassar o mandato e
anular quase dois milhões de votos de Dallagnol. Infelizmente, no momento em
que atravessamos, as nomeações para as cortes superiores e os votos nos
julgamentos parecem depender excessivamente do alinhamento político de cada
magistrado. O próprio conceito de justiça fica severamente comprometido,
independentemente do que determinam as leis ou os procedimentos formais — uma
demonstração clara de que o bom funcionamento de uma nação não depende apenas
de códigos e tribunais, mas sobretudo da integridade daqueles que os conduzem.


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