"O Brasil se aproxima de um momento decisivo. Nas urnas, a escolha do eleitor vai muito além dos nomes dos candidatos: o debate central é sobre escolher continuar ou mudar.
Acumulam-se no país crises morais, institucionais e legais.
Há uma percepção de enfraquecimento das garantias constitucionais e de avanço
do ativismo judicial. A atuação de decisões monocráticas no Supremo Tribunal
Federal — capazes de anular operações históricas ou suspender leis aprovadas
por centenas de congressistas eleitos — gerou um desequilíbrio entre os
Poderes.
Enquanto isso, o Congresso Nacional, enfraquecido e muitas
vezes refém de seus próprios receios, omitiu-se de sua responsabilidade
primordial de fiscalizar e conter esses excessos. O cenário eleitoral reflete
esse clima de incerteza. A corrida pela Presidência, que antes parecia
definida, mostra sinais de volatilidade e erros estratégicos motivados pelo
nervosismo das campanhas.
Entretanto, a chave para uma verdadeira transformação não
reside apenas na escolha do chefe do Executivo, mas principalmente na
composição do Poder Legislativo. A renovação do Congresso — em especial do
Senado Federal — é o instrumento mais eficaz, democrático e pacífico para
reestabelecer os freios e contrapesos no país.
Um Senado independente e altivo possui o dever e as
ferramentas constitucionais para corrigir desvios institucionais, investigar
irregularidades e restaurar a ordem democrática. A história demonstra que
crises profundas de caráter institucional muitas vezes foram superadas por
caminhos dolorosos. O Brasil, porém, dispõe de uma via pacífica, legítima e
soberana: a resposta dada pela população através do voto consciente.
O destino do país e o resgate da normalidade institucional
dependem do discernimento do cidadão ao depositar sua confiança nas urnas neste
mês de outubro."
(*) O trecho acima faz parte do artigo "A urna de
outubro", de autoria do jornalista Alexandre Garcia, publicado
originalmente na Revista Oeste.
Vicente Lino.


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